Osso da Baleia

Autor de massacre libertado hoje

O autor confesso do múltiplo homicídio da Praia do Osso da Baleia, em 1987, foi hoje libertado. Vítor Jorge foi condenado a 20 anos de prisão, acabando apenas por cumprir catorze.

O autor confesso do múltiplo homicídio ocorrido em 1987 na Praia do Osso da Baleia, Vítor Jorge, foi hoje libertado do Estabelecimento Prisional de Coimbra depois de catorze anos de prisão.

Fonte da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais confirmou à Lusa a libertação de Vítor Jorge na manhã de hoje, escusando-se a revelar quaisquer outros pormenores sobre o caso, nomeadamente o destino que terá tomado.

O «massacre Osso da Baleia», como ficou conhecido, foi cometido na noite de 1 para 2 de Março de 1987 na Praia do Osso da Baleia (concelho de Pombal) e na Amieira, Marinha Grande. O contínuo numa agência bancária da Marinha Grande, então com 38 anos, fotógrafo nas horas vagas, foi condenado por ter assassinado cinco pessoas na Praia do Osso da Baleia - participantes numa festa de anos na Guia, Pombal -, após o que se dirigiu a casa, na Amieira, tendo atraído a mulher e uma filha a um pinhal, onde as matou, também.

Uma filha e um filho de Vítor Jorge escaparam ao massacre.

O autor dos crimes andou fugido durante alguns dias, tendo sido detido em 5 de Março, no concelho de Porto de Mós. Alguns meses depois, detido no Estabelecimento Prisional de Leiria, admitia não estar «preparado para encarar a sociedade». Em 23 de Novembro desse ano começou o julgamento, no qual se confrontaram duas teses entre psiquiatras.

Enquanto o catedrático Eduardo Cortesão defendeu que Vítor Jorge era «um doente mental grave» e, logo, inimputável, os médicos do Centro de Saúde Mental de Leiria, que examinaram o arguido logo após a sua detenção, afirmaram não ter sido detectado nada de «natureza psicótica» que levasse a «concluir a sua inimputabilidade».

O advogado de defesa de Vítor Jorge, Mário Ferreira, chegou a defender em tribunal o internamento perpétuo para o autor dos crimes do Osso da Baleia.

Vítor Jorge condenado a vinte anos (pena máxima em Portugal na altura) - que viu a sua pena reduzida devido a algumas amnistias -, ao longo do tempo que passou na cadeia, foi considerado sempre um preso exemplar, tendo, inclusive, desempenhado a tarefa de sacristão no Estabelecimento Prisional de Coimbra.

Quanto ao futuro deste homem que hoje regressou à liberdade, as informações são escassas. Na Amieira, onde viveu até ao dia do crime, as pessoas não gostariam de voltar a tê-lo como vizinho. Acredita-se que a Inglaterra, onde vive o filho, poderá ser o destino de Vítor Jorge.