Pintura

Molina morre de doença cardíaca aos 76 anos

O pintor de origem espanhola Liberto Molina, que residia em Portugal desde os anos 60, faleceu segunda-feira, em Lisboa vítima de doença cardíaca, revelou hoje à Agência Lusa fonte próxima do artista.

De acordo com Pedro Alvito, da Private Gallery, que representava o pintor nos últimos anos, Molina sofreu um enfarte no sábado passado e foi internado no Hospital de Santa Maria, onde viria a falecer nas primeiras horas de segunda-feira.

As cerimónias fúnebres do artista, cujo corpo se encontrava na Igreja da Lousa, concelho de Loures, realizaram-se hoje, mas será cremado quinta-feira e as suas cinzas ficarão no Cemitério do Lumiar, como era desejo do pintor.

Nascido em Espanha em 1926, Liberto Molina Bernabéu desde cedo deixou o país de origem para viajar pela Europa e pela América, vindo a fixar-se no Brasil, onde estudou Belas Artes e se dedicou à pintura, desenvolvendo trabalhos na área do figurativo arquitectónico e do abstracto.

Na década de 60 instalou-se em Portugal, onde permaneceu até à actualidade, concentrando o seu trabalho na pintura de aldeias e cidades portuguesas, de norte a sul do país.

De acordo com Pedro Alvito, Molina tinha a intenção, nos últimos anos, de «dar um novo fôlego à pintura abstracta para quebrar com a imagem exclusiva do figurativo arquitectónico».

«Nunca teve uma extensa obra de originais, e foi sobretudo a serigrafia que o divulgou perante o grande público. O seu trabalho abstracto era, por outro lado, mais conhecido dos coleccionadores», referiu o galerista.

A Private Gallery estava a preparar para Setembro uma exposição do pintor exclusivamente sobre o trabalho abstracto, que irá manter-se, se for essa a vontade da família.

Com exposições efectuadas um pouco por todo o país, recebeu, em 1995, a Medalha Municipal de Mérito da Câmara Municipal de Loures. Nesse ano, foram inaugurados cinco painéis de azulejos com pinturas suas num jardim público da Lousa, no concelho.