Casa Pia

Maria Elisa critica cobertura das televisões

Maria Elisa, deputada eleita pelo PSD, acusou hoje as televisões de promoverem um «'voyeurismo' mórbido» ao divulgar informações desnecessárias sobre as suspeitas de pedofilia na Casa Pia, e pediu que estas reportagem passassem num horário mais tardio. A oposição criticou o apelo unilateral da deputada.

A deputada independente Maria Elisa Domingues, eleita pelas listas do PSD, insurgiu-se hoje contra a cobertura jornalística das televisões ao caso de suspeitas de pedofilia na Casa Pia. A sua intervenção gerou protestos da oposição por desrespeito do Regimento do Parlamento.

No plenário da Assembleia da República, Maria Elisa lançou um apelo às televisões para que passem em horários mais «apropriados as informações mais chocantes a propósito deste e de outros casos».

A deputada acusou os media de estarem a «confundir a sua missão com a da justiça denunciando nomes de cidadãos que podem ou não fazer parte da lista dos abusadores» e «divulgando numerosos depoimentos com pormenores que podem alimentar um 'voyeurismo' mórbido».

«É imperativo respeitarem-se milhares de crianças que assistem aos telejornais (das oito da noite) e que têm capacidade para compreender o horror que lhe é mostrado», sublinhou, considerando que o Parlamento está »perante um caso de responsabilidade colectiva».

Mais do que pelo conteúdo, o presidente da Assembleia da República criticou a intervenção de Maria Elisa por desrespeitar o Regimento, pedindo inclusivamente desculpa ao hemiciclo por ter permitido que o discurso da ex-jornalista da RTP tenha sido feito.

A oposição também não aceitou os apelos e as críticas de Maria Elisa. O vice-presidente da bancada socialista José Magalhães afirmou que «se a Assembleia da República vai apelar alguma coisa aos media portugueses deve fazê-lo a várias vozes e não a uma».

O deputado do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, discordou da solução preconizada por Maria Elisa sublinhando que «não há horários que diferenciem a obrigação de dizer a verdade, de proteger as vítimas ou de proteger a privacidade».

«Não devemos contribuir para haja nenhuma limitação à obrigação que a comunicação social tem de contribuir para que se faça justiça», concluiu o deputado bloquista.