Moderna

José Braga Gonçalves escreve carta aberta a Paulo Portas

O principal arguido do caso Moderna, José Braga Gonçalves, anunciou, em carta aberta a Paulo Portas, que vai revelar «factos por poucos conhecidos e por ninguém esclarecidos» sobre a empresa de sondagens Amostra ligada à universidade.

«Não posso, aliás, a bem da verdade que assumi respeitar perante o Tribunal, ocultar por mais tempo factos pouco conhecidos e por ninguém esclarecidos, nem, tão pouco, assumi-los como de minha responsabilidade», lê-se na carta aberta a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Paulo Portas, actual ministro da Estado e da Defesa Nacional, foi um dos gerentes da empresa Amostra, que geria o centro de sondagens da Universidade Moderna, quando José Braga Gonçalves era considerado o «homem forte» da instituição.

Escrita a partir dos «Calabouços da P.J.», com data de 07/04/03, «a carta aberta» é dirigida «ao Dr. Paulo Portas».

É o seguinte, na íntegra, o texto da carta aberta:

Calabouços da P.J. 07/04/03

Carta aberta

Ao Dr. Paulo Portas

«Com serenidade, espírito de sacrifício e a coragem humanamente exigível, tenho aguardado, desde há mais de 4 anos e no mais completo e absoluto silêncio, uma tomada de posição honrosa da tua parte em relação ao chamado 'Caso Moderna' e, dentro deste, aos factos referentes à tua pessoa e à tão propalada 'Amostra'. Em vão.

Dos quase 2 anos que levo sob prisão preventiva, mantive, no último, o que considero um silêncio de Estado dadas as funções por ti exercidas.

Fi-lo por amizade e respeito. Em vão.

Não é legítimo alguém exigir a outrém, na minha desgraçada situação, mais sacrifício.

Não posso, aliás, a bem da verdade que assumi respeitar perante o Tribunal, ocultar por mais tempo factos pouco conhecidos e por ninguém esclarecidos, nem, tão pouco, assumi-los como de minha responsabilidade.

É com a alma em sangue que o faço.

Na mais completa solidão.»