Maçonaria

Morreu Ramon La Féria

Faleceu este sábado o antigo Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, adiantou a Maçonaria.

Ramon La Féria, que foi Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano entre 1990 e 1993, encontra-se em câmara ardente no palácio da Maçonaria, em Lisboa e é sepultado amanhã. O antigo Grão-Mestre morreu com 83 anos.

Nascido em Serpa em 27 de Junho de 1919, licenciou-se em Medicina em Lisboa, especializando-se em anestesiologia cardíaca.

Já quando frequentava o Liceu Camões, em Lisboa, ainda adolescente, era chamado amiúde ao reitor para receber advertências por causa da sua actividade de propaganda contra o regime político salazarista.

Viria a ingressar na maçonaria em 1973, por proposta do então Grão-Mestre Luís Hernâni Dias Amado, ocupando o cargo de presidente interino do Conselho da Ordem do Grande Lusitano Unido entre 1975 e 1976.

Entre 1990 e 19993 foi Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano.

Nos anos 40, La Féria fez parte de um grupo de trabalho para a reforma do ensino secundário em Portugal e a convite de Mário Soares ingressou na direcção académica do MUD-Juvenil em 1946.

Devido à sua intensa acção contra o regime fascista, viria a ser detido várias vezes, nomeadamente nos anos 40, quando esteve preso cinco meses na cadeia do Aljube por ter assinado um documento contra a polícia política.

Em 1952 foi preso como oficial miliciano participante numa revolta militar contra o r regime de Salazar, conjuntamente com o capitão Henrique Galvão e outros oficiais, permanecendo dois meses e meio nas cadeias do Aljube e Caxias.

Em 1968 voltaria a ser preso em Caxias, acusado mais uma vez de ser um dos responsáveis de uma acção militar contra o regime fascista.

Para António Arnaut, Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, considerou hoje que Ramon La Féria, seu antecessor falecido no sábado, constituía um «exemplo de acção cívica, moral e política».