Teatro

Morreu Jacinto Ramos

O actor e encenador Jacinto Ramos morreu esta quarta-feira, em Lisboa, aos 87 anos e com mais de 60 anos de uma carreira notabilizada no Teatro, Televisão e Cinema.

Com mais de 60 anos de uma carreira multifacetada, que passou pelo Teatro, Cinema e Televisão, Jacinto Ramos faleceu esta quinta-feira de madrugada, aos 87 anos.

Segundo Manuel João Ramos, filho do actor citado pela agencia Lusa, Jacinto Ramos morreu na Casa do Artista, em Lisboa, onde residia, depois de no domingo ter sofrido uma queda que lhe provocou um hematoma que terá tido «repercussões no cérebro».

Há alguns anos afastado do público e dos palcos, o actor, encenador e cenógrafo estreou-se no teatro na Sociedade Guilherme Cossoul, onde, em 1945, juntamente com José Viana, fundou o Grupo de Teatro da Guilherme Cossoul.

Na mesma década, forma com José Viana, Maria Barroso, Carlos Wallenstein e o maestro Lopes Graça um grupo artístico que percorre os arredores de Lisboa, com espectáculos de teatro, poesia e música, que visavam, como muitas vezes afirmava, «agitar politicamente as pessoas».

Em 1950, a convite de Amélia Rey Colaço, ingressa na companhia Rey Colaço/Robles Monteiro e estreia-se no Teatro Nacional D. Maria II, como protagonista na peça «Curva Perigosa».

«Sonho de uma Noite de Verão» de Shakespeare, «Casaco de Fogo» de Romeu Correia, «Menina Júlia» de Strindberg, e «Os Maias», de Eça de Queiroz, foram algumas das peças que protagonizou naquele teatro nacional.

O Teatro seria, assumidamente, a sua grande paixão e à qual dedicou grande parte da sua carreira.

Com especial atenção para o teatro amador, Jacinto Ramos criou e dirigiu vários grupos, como o CITAC de Coimbra e o da Faculdade de Direito de Lisboa, o Teatro d'Hoje, Teatro de Novos para Novos e o Teatro Experimental de Lisboa.

Também a poesia despertou a atenção de Jacinto Ramos. Com Eunice Muñoz e Luz Franco apresentou em Goa, em 1981, o espectáculo «Portugal e os seus Poetas».

Em 1985, um novo espectáculo de poesia, «Cantando Espalharei» foi levado em digressão por 80 localidades nacionais e pelo estrangeiro.

No Cinema, onde trabalhou como actor, realizador e argumentista, a participação de Jacinto Ramos pode ser recordada em filmes como «Pátio das Cantigas», «Pai Tirano», «Ladrão Precisa-se», «Chaimite», «A Costureirinha da Sé», «Benilde ou a Virgem Mãe» ou «Manhã Submersa».

Na televisão ficará ligado às telenovelas «Origens», «Palavras Cruzadas» e «A Banqueira do Povo», ao lado de Eunice Muñoz, além do teatro televisivo em «Frei Luís de Sousa» ou «Henrique IV».

Várias vezes premiado, Jacinto Ramos foi condecorado em 1994 com o grau de Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada.