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Vales e crateras marcianos têm nomes portugueses

Os EUA referem que quatro crateras e três vales de Marte têm nomes portugueses, sendo que Fernão de Magalhães foi o primeiro português a «navegar» até ao planeta vermelho. A USGS catalogou 25 categorias de acidentes na superfície de Marte.

A United States Geological Survey (USGS) adianta que, entre as mais de 800 crateras identificadas em Marte, quatro têm nomes portugueses. O nome do navegador português Fernão de Magalhães foi o primeiro a ser atribuído a uma cratera marciana, em 1976.

A USGS adianta ainda que os vales «Tagus», «Munda» e «Durius», no hemisfério sul marciano, fazem referência aos rios Tejo, Mondego e Douro, tendo sido atribuídos em 1976, em 1985 e em 1997, respectivamente.

As crateras Aveiro, Funchal, Lisboa, no hemisfério norte, e Fernão de Magalhães, no hemisfério sul completam a nomenclatura nacional nos acidentes catalogados em Marte. A USGS explica que tem 25 categorias diferentes de acidentes catalogados no planeta vermelho.

O mundo lusófono está também presente, com as localidades brasileiras de Campos, Caxias, Gandu, Labria, Lagarto, Lins, Mafra, Peixe, Viana, Xui, além do nome do astrónomo Luiz Cruls, além das localidades moçambicanas de Chefu, Nune, Santaca e da localidade angolana de Longa.

A cratera Fernão de Magalhães tem 105 quilómetros de diâmetro, enquanto que a cratera Lisboa tem 700 metros de diâmetro e a cratera Funchal tem 1,7 quilómetros de diâmetro. Já a cratera Aveiro tem 9,5 quilómetros de diâmetro, sendo a única de que se conhecem os motivos da designaação.

Joe do Padre, um ex-oficial de segurança dos tribunais federais norte-americanos, explicou à Lusa que o seu pai chegou aos Estados Unidos nos anos 20, do século XX, procedente do distrito de Aveiro.

«Quis prestar uma homenagem ao meu pai e a oportunidade surgiu quando estava nos quadros da brigada de trânsito da polícia do Estado de Arizona, em Flagstaff», a cidade do Lowell Observatory e da USGS, que prepara os mapas especiais para a NASA. Joe do Padre explica que conhecia o cientista então director do USGS, Harold Masursky.

«Em Flagstaff, a tomar um café, Harold Masursky disse-me que tinha uma cratera de Marte à espera de um nome. 'De onde vieram os teus pais?', perguntou-me», disse o antigo responsável da brigada de trânsito local.

O problema imediato foi o de descobrir a grafia correcta de Aveiro, resolvido com a consulta de um atlas, pelo luso-norte-americano nascido em Boston. Joe do Padre viria a ser transferido para outra cidade, mas recebeu uma carta do USGS, em 1998, explicando que o nome Aveiro tinha sido dado a uma cratera marciana, com a sua contribuição.

No entanto, a proposta de um nome para um acidente em Marte é actualmente mais fácil, bastando a qualquer cientista ou leigo apresentar a sua proposta, ou correcção de algum já existente, à USGS, através do e-mail jblue@usgs.gov, apesar da decisão final caber à «International Astronomical Union».