Conselho de Ministros

Aprovada privatização da OGMA (actual.)

O Governo vai privatizar entre 35 e 65 por cento do capital da OGMA. Os trabalhadores já manifestaram preocupação. O Bloco de Esquerda diz que a decisão prejudica a política de Defesa e o PCP acusa o Executivo de intervir no défice com privatização.

O Conselho de Ministros (CM) aprovou, esta quinta-feira, a alienação de 35 a 65 por cento do capital da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal.

Em conferência de imprensa, após a reunião do CM, o ministro da Defesa, Paulo Portas, adiantou que o Estado «terá sempre uma posição relevante na empresa», garantida por uma participação maioritária ou por uma minoria de bloqueio.

Relativamente ao novo parceiro estratégico, o titular da pasta da Defesa indicou que será escolhido até ao final do ano.

Esta escolha, segundo Paulo Portas, deverá ser feita «por negociação», uma vez que «é a melhor forma de defender o preço e o projecto industrial que cada candidato apresentar para modernizar as OGMA».

Em declarações à TSF, Hélder Vieira, do Sindicato dos Trabalhadores dos Estabelecimentos Fabris das Forças Armadas, mostrou-se preocupado com a notícia avançada pelo Governo.

«Encaramos esta situação com muita preocupação, uma vez que a existência da OGMA sempre esteve ligada à força aérea», sublinhou Hélder Vieira, acrescentando que «se perde um laço importante».

Também o Bloco de Esquerda já reagiu à decisão do Governo. Em comunicado, o partido rejeitou a privatização da OGMA, por considerar que este é um processo lesivo da política de Defesa do Estado português.

Para o Bloco de Esquerda, a privatização «não responde a nenhuma necessidade estratégica do país e hipoteca a independência do estado português na definição da sua política de Defesa».

«Não se conhecem quais os critérios para escolher o parceiro estratégico, quais as condições impostas aos candidatos e quais as garantias de que a empresa continuará a operar em solo nacional, garantindo o emprego aos seus 1700 trabalhadores», aponta o BE.

O PCP, por seu lado, acusou o Governo de usar a privatização da OGMA para beneficiar as contas do Estado.

No entender do deputado comunista, António Filipe, a privatização da OGMA «não tem como objectivo salvaguardar a empresa, mas envolvê-la em operações financeiras, destinadas a intervir no défice público».