Literatura

Sousa Lara voltaria a vetar livro de Saramago

Depois da «reconciliação» entre o escritor José Saramago e o Estado português, o ex-sub-secretário de Estado Sousa Lara disse à TSF que não está arrependido da decisão que tomou há 12 anos.

Sousa Lara foi o responsável do Governo de Cavaco Silva que decidiu afastar um livro de Saramago a uma candidatura a um prémio literário, por considerar que atentava contra a moral cristã.

Em entrevista à TSF, Sousa Lara considerou que as «tréguas», depois do almoço desta quinta-feira com Durão Barroso, ficam mal a este Executivo. «Se tivesse escrito bem sobre Cristo, ficava-lhes bem, agora aquela obra sobre Jesus Cristo não lhes fica bem, com certeza», defendeu.

«Não percebo qual é a vantagem disto, mas se o senhor Saramago fica contente e isto ajuda a enterrar os machados de guerra ou se é útil para alguma coisa, por mim não se passa nada. Não sou a favor do pântano. O que me chateia mais na política é a indefinição de fronteiras, gosto mais da política com fronteiras, com clivagens e opções de escolha claras, mas pelos vistos isto está fora de moda», acrescentou.

Sousa Lara garantiu ainda que voltaria novamente a vetar o livro «O Evangelho Segundo Jesus Cristo», de José Saramago, a uma candidatura a um prémio literário.

O ex-sub-secretário de Estado da Cultura referiu ainda que a sua decisão teve o apoio do então primeiro-ministro, Cavaco Silva, que terá chegado a mostrar disponibilidade para o acompanhar em actos públicos, de forma a manifestar-lhe o seu apoio pela decisão.

«É bom que o actual primeiro-ministro se lembre que Cavaco Silva se ofereceu para me dar cobertura política durante a crise. Recusei porque isso acabaria por se voltar contra Cavaco Silva», afirmou. Sousa Lara considerou ainda que Durão Barroso, que integrava o mesmo Governo, «não se deve sentir mal por uma decisão com a qual nada teve que ver».