Brasil

Portugal Telecom nega financiamentos ilegais a partidos

A Portugal Telecom negou ter feito financiamentos ilegais a dois partidos brasileiros, tal como acusou um deputado brasileiro. O ex-ministro da Casa Civil e a presidência brasileira também já negaram qualquer envolvimento neste caso.

A Portugal Telecom negou esta quarta-feira que tenha tido contactos com partidos políticos brasileiros para lhes conceder financiamento ilegal, tal como acusou o deputado Roberto Jefferson, que denunciou o caso «Mensalão» no Brasil.

Um porta-voz do grupo PT indicou que «nunca teve qualquer conhecimento ou participação com o objectivo de organizar um encontro com representantes» do Partido dos Trabalhadores ou do Partido Trabalhista Brasileiro, dois dos partidos que governam o Brasil.

O grupo português confirmou apenas que «mantêm contactos institucionais com o Governo, autoridades políticas, meios empresarial, social e cultural», assegurando que age «sempre e em qualquer circunstância de forma ética e com absoluta transparência em todas as suas iniciativas empresariais».

Roberto Jefferson acusou o ex-ministro da casa civil da Presidência José Dirceu de ter marcado um encontro entre Lula da Silva e a direcção da Portugal Telecom no final de 2004 com o objectivo de tentar financiamentos ilegais para os partidos.

No Conselho de Ética da Câmara dos Deputados do Brasil, o parlamentar, que foi antigo dirigente do PTB, disse que Dirceu terá autorizado «emissários a ir a Portugal em nome do PT e do PTB para negociarmos lá um acordo que pusesse em dia as contas dos dois partidos».

Jefferson, que pretende dar mais detalhes sobre o caso, indicou ainda que os emissários terão estado em Lisboa entre 24 e 26 de Janeiro de 2005 e acusou Dirceu de estar por detrás desta operação.

«O presidente Lula não merecia essa articulação da cúpula do PT, que é inegável ou então estou a ter aqui um delírio. Foi o maior tráfico de influência e a maior corrupção pública e política já praticada por um partido», acrescentou.

Presente na reunião, Dirceu, que visitou Portugal ainda como ministro da Casa Civil a 7 e 8 de Junho de 2005, negou «de forma peremptória» esta acusação.

José Dirceu assegurou ainda que nunca teve nenhuma «relação administrativa de nenhum tipo, nem funcional com a Portugal Telecom».

«Não posso reconhecer um erro de uma coisa que desconheço e que não participei. Isto precisa ser investigado e apurado. Como ministro da Casa Civil não participei de nenhuma reunião com a Portugal Telecom», reforçou.

Marcos Valério, um dos empresários que se terá encontrado com a Portugal Telecom e que terá usado as suas empresas como intermediárias para o pagamento aos deputados, confessou que esteve em Portugal na companhia do tesoureiro do PTB.

«Ele (o tesoureiro) acompanhou-me como amigo. Ele era meu amigo na época e disse-me que estava muito stressado e que ia a Portugal para me acompanhar», explicou Valério à saída da Procuradoria-geral do Brasil, onde foi ouvido durante sete horas.

A presidência brasileira também já negou qualquer envolvimento neste caso, confirmando que «não tratou de qualquer assunto com a direcção da Portugal Telecom que não se referisse aos empreendimentos da companhia portuguesa no país».

Em comunicado, o Palácio do Planalto assegurou que recebeu a empresa portuguesa a 21 de Janeiro de 2003 e 19 de Outubro de 2004, «audiências que foram solicitadas pela empresa para comunicar seus novos investimentos no Brasil».

A Portugal Telecom é o maior investidor português no Brasil, com investimentos a rondarem os sete mil milhões de dólares, com destaque para a operadora móvel Vivo, que é detida em partes iguais pela PT e pela espanhola Telefónica Móviles.

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