Aquilino Ribeiro

Trasladação para Panteão divide opiniões

A trasladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional não é consensual. O professor Mendo Castro Henriques recorda que o escritor esteve envolvido na morte do rei D. Carlos, opinião que não partilhada pelo regedor da Confraria Aquiliana.

A trasladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional, que será feita esta quarta-feira com honras de Estado, não é consensual, uma vez que alguns acusam o escritor de estar ligado à morte do rei D. Carlos.

O professor de Filosofia Mendo Castro Henriques, um dos primeiros subscritores de uma petição online contra esta transladação, questiona-se porque Miguel Torga ou Sophia de Mello Breyner não têm a mesma honra, considerando ao mesmo tempo que o envolvimento de Aquilino Ribeiro no regicídio está provado.

«Há documentos e a primeira grande prova é a sua fuga para Paris e a recusa do presidente francês Clemanceau em extraditá-lo e a sua participação, de que ele é o primeiro a referir ao longo da sua obra, até com expressões fortes como a que aparece no livro 'Lápides Partidas'», lembrou este docente da Universidade Católica.

Opinião contrária tem o regedor da Confraria Aquiliniana que entende que este envolvimento de Aquilino Ribeiro na morte do rei D. Carlos «não tem qualquer tipo de confirmação».

«Quem lê 'Um escritor confessa-se' facilmente depreende que não há qualquer envolvimento de Aquilino Ribeiro nessa circunstância que deplora. Aquilino Ribeiro é um dos nossos maiores escritores», considerou Jerónimo Costa.

Para este regedor, o facto de Aquilino Ribeiro ser o «nosso escritor mais emblemático do séc. XX» é «a razão mais do que suficiente para a trasladação».

A urna com os restos mortais de Aquilino Ribeiro chega esta quarta-feira pelas 11:00 ao Panteão Nacional, numa cerimónia a que vai assistir o Presidente da República, Cavaco Silva, o primeiro-ministro, José Sócrates, e o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

A decisão de trasladação dos restos mortais do escitor foi tomada pelo Parlamento, tornando-se Aquilino Ribeiro o décimo português a aí ser sepultado, ao lado de outros três escritores, quatro Presidente da República, um general e uma fadista.