Inês Cardoso

Inês Cardoso

Um investimento pouco católico

Falar de dinheiro dá pano para mangas quando se trata de uma instituição com a história e os pecados da Igreja Católica. O tema já voltou a suscitar acalorados debates à luz da Jornada Mundial da Juventude, que este ano irá juntar um milhão (ou mais) de jovens em Lisboa. Quando foram aprovadas as autorizações de despesa por parte do Governo, a que se juntam investimentos da Câmara Municipal de Lisboa, não faltaram críticas à aplicação de verbas públicas num evento confessional. Essa é, ainda assim, uma falsa questão. Basta olhar para anteriores jornadas e torna-se fácil perceber o efeito que uma iniciativa de tamanha dimensão tem na economia nacional e sobretudo local, ao mesmo tempo que projeta a imagem do país à escala global.

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Proteger a vítima ou proteger o agressor?

As épocas festivas e sobretudo o Natal têm muito pouco de mágico em famílias disfuncionais. São até "a pior altura do ano" para crianças em situações de conflito, como ontem destacou a presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, ao apresentar as estatísticas de denúncias chegadas àquela entidade no mês passado. Só em dezembro, foram 871 os relatos de menores em perigo. Número que se traduz num recorde desde que este mecanismo de denúncia online foi criado, em junho de 2020.

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Em defesa da escola pública

Quando se fala da escola pública, não há dúvidas de que pais e professores têm um interesse comum: assegurar a qualidade do ensino e garantir respostas adequadas a todos os alunos, na sua multiplicidade de perfis, origens e condições socioeconómicas. É fácil, ainda assim, gerar-se incompreensão entre educadores e docentes quando algo corre mal. Sinal dessa incompreensão é o facto de a Confederação Nacional de Pais ter vindo a público pedir ao Governo que decrete serviços mínimos e avalie a legalidade dos protestos em curso, quando se mantêm greves convocadas por diferentes sindicatos.

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"Vamos ver." O ceticismo resumido em duas palavras

Quando esta tarde os novos membros do Governo tomarem posse, António Costa tentará encerrar um longo ciclo de crise e transmitir a mensagem de que a equipa está focada no que realmente interessa: governar o país. Uma boa parte dos portugueses, no entanto, partilha do ceticismo demonstrado pelo presidente da República. "Vamos ver", como ontem várias vezes repetiu Marcelo Rebelo de Sousa, até que ponto as escolhas do primeiro-ministro se revelam eficazes.

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A insustentável leveza da mentira na TAP

O comunicado a anunciar a demissão da secretária de Estado do Tesouro chegou às redações às 23.31 horas, e é difícil encontrar explicações para terem sido necessárias tantas horas para retirar consequências políticas no caso da indemnização milionária à ex-administradora da TAP. A partir do momento em que a transportadora tentou justificar a legalidade do pagamento, criou mais problemas do que resolveu. Além de detalhar o processo negocial e expor o pedido inicial de uma indemnização de cerca de 1,5 milhões de euros por parte de Alexandra Reis, a TAP assumiu ter mentido na comunicação à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e nos relatórios e contas. Ou seja, ao contrário do que anunciou, não houve uma renúncia, mas antes um processo de despedimento por iniciativa da empresa.

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Números inaceitáveis na estrada

Não há qualquer nota digna de registo cada vez que se reduz o número de vítimas de acidentes na estrada. Essa é a tendência em países desenvolvidos. É a curva normal e exigida nas estatísticas quando se trabalha para melhorar estradas, viaturas e sistemas de proteção de condutores e passageiros. É, aliás, a razão pela qual a União Europeia tem por objetivo atingir as zero mortes na estrada em 2050. Zero é de facto o único número aceitável, da mesmo forma que consideramos normal não caírem aviões ou não se despenharem comboios todos os anos no país.

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A família já não é o que era

Está na reta final a aprovação, em Espanha, da chamada Lei das Famílias, que entre um conjunto alargado de medidas e apoios sociais regula de forma expressa a proteção da educação para a diversidade. Depois de polémicas abertas com legislação regional e pedidos de intervenção judicial sobre o direito de veto dos pais a conteúdos ensinados na escola, o anteprojeto ontem aprovado em Conselho de Ministros inclui a proibição expressa de educadores impedirem o acesso a conteúdos sobre diversidade familiar.

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O Metro, as cidades e o futuro

Fazer nascer o Metro do Porto foi uma tarefa difícil. Primeiro, no plano político. Os estudos arrastaram-se, as negociações entre os autarcas da região e o Governo exigiram teimosia e persistência, houve momentos em que o projeto quase foi transformado numa guerra entre o norte e sul. Seguiu-se o plano técnico. Os trabalhos de escavação dos túneis foram difíceis, já que o subsolo do Porto oscila entre o granito e solos alterados, o que obriga a uma monitorização constante.

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Um Governo em perda. E uma oportunidade

Um "otimista irritante" também tem períodos de azar. No caso de um otimista que é primeiro-ministro, será sempre difícil distinguir o que de menos bom resulta da falta de sorte ou da falta de pontaria nas escolhas. António Costa tem vivido os últimos meses mergulhado em sucessivos episódios que transmitem do Executivo uma imagem de desgaste e de fragilidade política. Até a remodelação ontem anunciada, e que estava a ser preparada há vários dias, acabou por parecer atabalhoada, na sequência de uma fuga de informação que obrigou a anunciar novos secretários de Estado em dois tempos diferentes.