Inês Cardoso

Inês Cardoso

Estado de confiança

Depois de 173 dias consecutivos em estado de emergência, atravessamos um momento de viragem e entramos em estado de confiança. Há ainda muitos "se" na tentativa de perspetivar a tão falada e esperada luz ao fundo do túnel. Na sua mensagem, o presidente da República sublinhou-os bem, recordando que não hesitará em avançar com novo estado de emergência, se necessário. A multiplicação de novas variantes e o risco de correrem mais rápido do que o processo de vacinação é o principal fator de incerteza.

Inês Cardoso

Enriquecimento injustificado: será desta?

Enriquecimento ilícito. Riqueza não justificada. Seja qual for a expressão, o debate em torno da criminalização do rendimento injustificado de titulares de cargos públicos tem uma década e meia. A propósito da Operação Marquês, foi recentemente recordado um indignado debate, em 2007, em que o então primeiro-ministro José Sócrates teceu duras críticas à intenção de criminalizar, justificando-se com a "asneira" e "erro" que seria "pôr em causa valores sólidos do Estado de direito, como, por exemplo, o ónus da prova".

Inês Cardoso

Desemprego e pandemia. Uma bola de neve

Já havia ligações estabelecidas entre condições socioeconómicas e risco de contrair Covid-19, nomeadamente por fatores como o uso de transportes públicos e fragilidades na habitação, mas um estudo apresentado pela Escola Nacional de Saúde Pública estabelece, pela primeira vez, uma relação causal entre desemprego e incidência da pandemia. Os municípios com mais desemprego, maioritariamente na região norte litoral, são os mais afetados pela doença.

Inês Cardoso

Rui Rio. Olha para o que digo e não para o que faço

Numa tentativa de jogar por antecipação, Rui Rio tem marcado terreno na escolha dos candidatos para as eleições autárquicas, com apostas fortes nalguns concelhos, com Lisboa à cabeça. A tática, contudo, vai saindo manchada por vários erros estratégicos. Depois de desacertos na indicação de candidatos antes mesmo de os próprios serem contactados, Amadora e Oeiras são os mais recentes exemplos de como o presidente do PSD vai perdendo coerência entre discurso e prática. No primeiro caso, por razões ideológicas. No segundo, por mais uma vez sair completamente beliscado o discurso de rigor e grande exigência que tenta manter em torno da sua imagem.

Inês Cardoso

Belém influencia, São Bento decide

Convergência, cooperação estratégica, solidariedade institucional. Sejam quais forem as expressões usadas, a relação entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa é dada a muitos recados políticos e voltou a merecer atenção na tomada de posse do presidente da República. A tão falada proximidade tem, contudo, nuances quase sempre lidas nas entrelinhas e conhece por estes dias o primeiro teste do segundo mandato. O Governo apresenta amanhã o tão esperado plano de desconfinamento e a grande dúvida é perceber se acata a pressão do chefe de Estado para manter o país fechado até à Páscoa, ou se arrisca sinais de alívio permitidos pela situação epidemiológica.