Inês Cardoso

Inês Cardoso

Um portal em colapso, ou a anormalidade no país

O aviso tinha sido deixado pelas associações de diretores das escolas antes de iniciado o processo, e o prognóstico revelou-se certeiro. Os pais que nos últimos dias têm passado horas de volta do computador, a tentar sem sucesso concluir os processos dos filhos no Portal das Matrículas, deparam-se com o permanente bloqueio do sistema. Seja devido ao ataque informático que o Ministério da Educação diz ter sofrido, seja devido à falta de preparação do portal para lidar com tão elevado volume de acessos em simultâneo, certo é que o desespero dos pais é acompanhado de sobrecarga das escolas, obrigadas a dar resposta aos pedidos de ajuda dos encarregados de educação.

Inês Cardoso

O terceiro período chumbou no exame

Podemos tentar ver o copo meio cheio, louvar o esforço de escolas e professores na adaptação ao ensino à distância, reconhecer o empenho de autarquias que ofereceram equipamento informático, vislumbrar algum avanço na procura de métodos alternativos de aprendizagem e de avaliação. Uma leitura honesta do que foi o terceiro período deste ano letivo obriga, contudo, a reconhecer que a experiência foi dolorosa para as famílias e de resultados bastante duvidosos para uma larga maioria dos alunos.

Inês Cardoso

Imigração. A solução para crescermos

Pela primeira vez na última década, o número de pessoas que vive em Portugal aumentou em 2019 - quase mais 20 mil habitantes do que no ano anterior. Não porque tenha havido mais nascimentos. Pelo contrário, voltaram a cair e as mulheres têm o primeiro filho cada vez mais tarde: quase aos 30 anos, em média dois anos depois do que acontecia há dez anos. A inversão de tendência acontece porque mais imigrantes escolheram o nosso país, ao mesmo tempo que a saída de emigrantes diminuiu, encontrando-se aqui a principal explicação para o resultado positivo. Lisboa está em primeiro lugar na fixação de estrangeiros, mas o número aumentou em todo o país, o que mostra um contributo de novos residentes que se reflete em todo o território.

Inês Cardoso

Mário Centeno em contagem decrescente

Não há qualquer motivo para surpresa na saída de Mário Centeno do Governo. Era um desfecho anunciado e o ministro das Finanças já contava os dias para encerrar o ciclo governativo - 1664 dias no total, sublinhou, com precisão matemática. Pode apenas surpreender o dia escolhido para o anúncio, exatamente o de aprovação do Orçamento Suplementar, mas António Costa tem demonstrado capacidade de surpreender no timing das alterações à sua equipa, antecipando-se a boatos e previsões.

Inês Cardoso

Os jovens não são inconscientes. São jovens

Começámos o tempo de estranheza que vivemos a olhar para os mais velhos - e por vezes a policiar os seus passos e saídas à rua. Nos últimos dias o olhar virou-se para os jovens e temos ouvido sucessivos apelos para que respeitem as regras de isolamento social. Já no fim de semana, Marcelo Rebelo de Sousa pediu mais contenção, referindo-se a festas em que os jovens não pensam no risco que julgam não correr. Também a ministra da Saúde realçou o aumento de contágios entre os jovens adultos, admitindo ser necessário reforçar a comunicação com esta faixa. Vão sendo divulgadas operações policiais que dão conta de festas privadas e a Câmara de Cascais proibiu entretanto a venda de bebidas alcoólicas nas bombas de combustíveis do concelho, entre as 20 e as 8 horas da manhã, depois de se terem formado filas e até incidentes nalguns postos.

Inês Cardoso

A linha da frente agora tem de ser maior

Passámos os últimos meses a falar na "linha da frente" e no papel insubstituível dos profissionais de saúde. Um papel de sacrifício que implicou uma exposição ao risco que levou a que milhares adoecessem, que vissem as férias suspensas, que nalguns casos optassem por se afastar voluntariamente da família para a protegerem do risco de contágio. A atividade de médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares deve continuar para além do pico da pandemia, mas agora temos, a somar à crise sanitária, uma crise económica e social que todos os dias ganha tamanho e que exige uma gigantesca linha da frente, pública, essencial para os cidadãos e empresas.

Inês Cardoso

A igreja portuguesa e os abusos sexuais

São as primeiras queixas de alegados abusos sexuais cometidos por elementos do clero recebidas, em Portugal, através das recentemente criadas comissões de proteção de menores e pessoas vulneráveis. A arquidiocese de Braga, umas das primeiras a criar este serviço de acompanhamento, na sequência das orientações do Papa e da Conferência Episcopal Portuguesa, divulgou as primeiras denúncias recebidas, seguindo-se dados (pouco claros) de outras dioceses.

Inês Cardoso

Uma falha de comunicação de 850 milhões

Quando o mais recente episódio da interminável (e cara) novela do Novo Banco já dava pano para mangas, Mário Centeno veio acrescentar motivos adicionais de incredulidade, confirmando a confusão política e a total contradição com o discurso do primeiro-ministro. Não se pode invocar uma simples "falha de comunicação" sobre a transferência de 850 milhões de euros. O ponto é outro: como é possível que por duas vezes António Costa se tenha escudado, perante o Parlamento, na auditoria ainda em curso, assegurando que não haveria transferência de verbas do Estado antes de ser finalizada, sem que o ministro das Finanças o tenha alertado de que, afinal, tal não seria possível?