Pedro Cruz

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Crónica de El-Rei D. Carlos III

Carlos III é um homem preparado para reinar, mas é um príncipe com passado. Por causa das causas que defendeu, dos discursos que fez, das posições que tomou, das convicções firmes que assumiu em matérias como o ambiente, a sustentabilidade, a construção e os apoios sociais. Foi, portanto, um príncipe com opinião e ação o que, como se sabe, está vedado a Suas Altezas Reais. Ter opinião e, com base nela, agir. Ao contrário do que Isabel II conseguiu fazer durante um reinado de 70 anos, porque não se conhecem posições, opiniões, estados de alma ou embirrações da Rainha.

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Não nos podem processar a todos

Nos dias anteriores à queda do Muro de Berlim, do lado Oriental, o povo da RDA começou a sair à rua. Primeiro, umas poucas centenas de pessoas, com medo. Depois, alguns milhares que, timidamente, arriscaram a vida para estar na rua. Em poucos dias, as centenas eram milhares e os milhares eram, já, milhões. O noticiário do canal público da RDA não transmitia os protestos e as manifestações, silenciosas, mas elas estavam a existir. E acabaram por se revelar decisivas. Mais tarde, já derrubado o muro, um dos manifestantes diria que, sim, tinha sido um risco, mas quando «as massas» - na linguagem marxista - são em tão grande número, não é possível «matá-los a todos». Foi, também, assim, além das ordens pouco claras e da cumplicidade dos agentes da fronteira, que a Alemanha acabaria por se reunificar. E que o mundo sofreria uma das maiores transformações do século XX.

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Sou um robot

A digitalização, a sociedade da informação, a tecnologia, a velocidade de navegação e os serviços online são, naturalmente um bem inestimável para a sociedade do século XXI. Há toda uma nova forma de comunicarmos, de nos relacionarmos, entre nós e com as mais diversas instituições com que temos de lidar no dia a dia, seja o banco online, seguros, administração pública, compras, pagamentos, encomendar comida e outros bens que nos chegam a casa, tudo através do telemóvel ou do computador.

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Encosta-te a mim...

Marcelo está mais leve do que nunca. Como canta o hino de uma juventude partidária, o Presidente está, agora, «completamente livre e completamente solto». Já não pode ser candidato outra vez, faltam quatro anos para o fim do mandato e, todos sabem, incluindo ele, que a contagem decrescente já começou. Não que antes de ser reeleito Marcelo não estivesse livre e solto. Mas tinha uma eleição para ganhar, queria transformar em votos a popularidade que tem, e o governo da República era, primeiro, dependente de uma geringonça e, depois, minoritário. Com a maioria de Costa, Marcelo está, finalmente, liberto.

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Minoria absoluta

O povo, ou a «arraia-miúda», que Marcelo desenterrou no discurso do 10 de junho, tem sempre razão. Quando chamado a votar, escolhe de acordo com um amplo leque de critérios, que vão desde a proximidade ideológica, à «tradição» familiar, a identificação com determinado líder político, a influência de amigos ou de referências próximas. E, claro, vota também com a carteira. E vota em quem acredita que vai ganhar. E vota, muitas vezes, não para premiar um governo, mas para castigar oposições. Nas últimas eleições, claramente, o povo votou para castigar os parceiros do Governo durante quatro anos, e que o deixaram cair nos últimos dois. E, pela quarta vez desde o 25 de abril, decidiu atribuir maioria absoluta a um só partido.

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Pobre Segurança Pública

Primeiro, e começando pelo fim.
Há polícias com ligações à extrema-direita, fascistas, nazis e racistas? Há. Há policias corruptos, incompetentes, desmazelados e que abusam da autoridade? Há. E estes, esses, sejam quantos forem, devem ser investigados, julgados e punidos. Ponto final. Os polícias e, já agora, todos os profissionais que estão ao serviço público e que também são fascistas, nazis, incompetentes, desmazelados e que abusam do poder que lhes foi delegado e da autoridade que lhes foi confiada. (Assim de repente, lembro-me de vários outros servidores públicos, só que estoutros com a diferença de se apresentarem com um Dr. ou Doutor antes do nome próprio).

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Todos a bordo e siga a marinha

Não há duas sem três. E, na semana passada, o Governo levou à letra a sabedoria popular que, às vezes acerta, às vezes não. Costa mandou chamar os ministros para conselho, não uma, não duas, mas três vezes em apenas oito dias. Primeiro, terça-feira, um conselho extraordinário para fazer aprovar - e anunciar - novas medidas mesmo antes do debate do estado da nação. A 24 horas do combate que fecha o ano parlamentar, os ministros foram intimados a comparecer para acertar detalhes antes do "grande" confronto com a(s) oposição(ões).