A "guerra" de quatro Óscares que quase ficaram para o intervalo

A decisão remonta a agosto, mas só quando foram conhecidas as quatro categorias que seriam anunciadas no intervalo da cerimónia dos Óscares é que estalou a polémica.

Numa semana, Hollywood estremeceu. Tudo começou quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou que Fotografia, Montagem, Curta-Metragem em Imagem Real e Caracterização seriam as categorias relegadas para o intervalo, ou seja, seriam visíveis em streaming mas não para os espetadores de televisão.

A ideia, que terá partido do canal de televisão ABC, era reduzir a cerimónia para três horas de duração. E as categorias eliminadas seriam rotativas, isto é, em 2020 seriam outras quatro a passar para o intervalo.

No entanto, a apenas nove dias da festa dos Óscares, surgiu a reviravolta. Depois de protestos de realizadores, diretores de fotografia, atores, sindicatos e outros profissionais da indústria do cinema, a Academia recuou na polémica decisão.

Em comunicado, a organização escreveu: "A Academia ouviu as reações dos seus membros em relação à apresentação dos Óscares de quatro prémios (...). Todos os prémios da Academia serão apresentados sem cortes, no nosso formato tradicional. Estamos ansiosos pelos Óscares domingo, 24 de fevereiro".

A rede social Twitter foi a voz de grande parte dos protestos que foram surgindo. Os realizadores mexicanos Alfonso Cuáron e Guillermo del Toro foram dos primeiros a traduzir em poucos carateres a revolta.

"Na história do CINEMA, existiram obras-primas sem som, sem cor, sem uma história, sem atores e sem música. Nunca existiu um único filme sem fotografia e sem montagem", escreveu Alfonso Cuáron.

"Não pretendo sugerir quais as categorias que deviam passar nos intervalos da noite dos Óscares mas, por favor: Fotografia e Montagem estão no coração do nosso ofício. Não são herdados de uma tradição teatral ou literária: eles são o próprio cinema", acrescentou Guillermo del Toro.

Seguiu-se a reação da American Society of Cinematographers, que junta diretores de fotografia e efeitos especiais, que enviou uma mensagem aos seus membros onde classificou a decisão da Academia como infeliz e garantiu que não iria baixar os braços: "não podemos tranquilamente tolerar esta decisão sem protestar".

Logo a seguir, foi divulgada uma carta aberta de mais de 300 personalidades de Hollywood a defender que "relegar essas funções cinematográficas essenciais a um estatuto menor para esta 91ª edição dos prémios da Academia não é nada menos do que um insulto a quem dedica as vidas e paixão a estas profissões".

O texto foi assinado por nomes como Martin Scorsese, Quentin Tarantino, Spike Lee, Ang Lee, Damien Chazelle, Alfonso Cuarón, Guillermo del Toro, Alejandro González Iñárritu, George Clooney, Brad Pitt, Frances McDormand, Sandra Bullock ou Robert De Niro, entre outros.

Entretanto, o sindicato de editores dos Estados Unidos e o sindicato que representa os profissionais de caracterização juntaram-se ao protesto e, finalmente, no fim da semana passada, a American Society of Cinematographers pediu um encontro urgente com os responsáveis da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

No dia 15 de fevereiro, tudo como antes e a Academia anunciava o recuo na decisão com um comunicado e uma frase no Twitter: "A nove dias da cerimónia, ainda a dar toques no guião". Do canal ABC, nem uma palavra.

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