"Até que o porno nos separe." A história de uma mãe que 'sai do armário' por amor ao filho

"Até que o Porno nos Separe" é "a história de alguém que ama uma outra pessoa e que faz tudo para não a perder". Um filme que fala de pornografia, mas que é, acima de tudo, uma história de amor de uma mãe que se redescobre e 'sai do armário' pelo filho.

" Até que o porno nos separe " é um documentário que retrata uma história de amor incondicional que consegue ultrapassar preconceitos.

A ideia do documentário já fermentava há uns anos na cabeça de Jorge Pelicano, que queria explorar o mundo da pornografia, mas numa abordagem diferente, que não tivesse como centro os bastidores deste setor.

"O meu interesse como realizador [neste filme] foi sempre o impacto que as escolhas dos nossos filhos têm nos pais. Muitas vezes, nós como pais - e eu também sou pai - criamos expectativas para os nossos filhos, educamo-los de determinada maneira e, por vezes, quando os nossos filhos têm escolhas que não nos agradam, ou que nos surpreendem, nunca é muito fácil de aceitar", diz o documentarista.

Neste caso, o filme fala da homossexualidade - que não é uma escolha - aliada à pornografia e essa sim, a escolha de Sydney Fernandes, o ator porno Fostter Riviera.

Eulália, a mãe de Sydney, descobre que o filho, emigrado na Alemanha, é o primeiro ator porno gay a ser premiado no estrangeiro. Na altura, em 2016, Eulália tinha 65 anos e era uma mulher católica e conservadora.

Jorge Pelicano transporta agora para a tela o percurso emocional de Eulália, tendo acompanhado toda a transformação desta mãe que se tenta aproximar do filho.

"Quando descobrimos esta mulher, a Eulália, esta mãe, senti que ela queria contar a sua história. E para um realizador, que vive de contar histórias, foi muito bom. No entanto, é muito fácil as pessoas desistirem a meio, mas confesso que, neste caso, sempre achei que íamos conseguir levar a história até ao fim", admite.

No filme, é possível observar todo o processo que levou Eulália a querer compreender porque é que o filho se tornou "ator porno". "Ela passou muito tempo sozinha, muito tempo fechada em casa sempre junto a um computador, porque raramente falavam ao telefone e ela estava sempre a procurar coisas novas do filho. Muitas vezes, tropeçava em alguns vídeos de cariz pornográfico", diz.

A pornografia em Portugal "ainda é algo que muita gente vê, mas de que pouca gente fala" e, durante a pesquisa para realizar o "Até que o Porno nos Separe", Jorge Pelicano chegou à conclusão de que o mundo da pornografia profissional em Portugal é reduzido, "um contraste com o país vizinho, por exemplo". Dessa forma, há mais espaço para o preconceito. O documentário retrata isso mesmo: o esforço desta mãe para se desfazer do preconceito, de mudar a sua mentalidade.

"Acho que de todos os trabalhos que já fiz, este é o trabalho que mais beneficiou os intervenientes", admite, a sorrir, "a Eulália e o Sydney aproximaram-se muito".

"Até que o Porno nos Separe" é "essencialmente [a história de] uma relação familiar, a história de alguém que ama uma outra pessoa e que faz tudo para não a perder". Um filme que tem como ponto de partida o mundo da pornografia, mas que é, acima de tudo, uma história de amor: de uma mãe que se redescobre e 'sai do armário' pelo filho.

Vencedor do prémio arco-íris, em 2018, e depois de ter sido premiado no festival dedicado ao ao cinema LGBTQ em Amesterdão, o filme de Jorge Pelicano vai estar durante este mês em festivais de cinema na República Checa, em Espanha e na Suíça.

"Até que o porno nos separe" estreia em Portugal a 1 de maio.

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