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Do Alto Da Ponte, Agora em Lisboa

Ainda a meio da jornada pelo país, Do Alto da Ponte, de Arthur Miller, com encenação de Jorge Silva Melo, estreia esta noite em Lisboa, no Teatro S. Luiz.

Do Alto da Ponte esteve para ser cinema, mas a traição do realizador Elia Kazan, amigo de Miller, no tempo da caça às bruxas, nos Estados Unidos, trouxe esta história das docas de Nova Iorque para o teatro e no cinema ficou Há Lodo no Cais, com Kazan a ir buscar outro argumentista. Aqui Jorge Silva Melo quer também explorar este lado negro, ilegal e precário das docas e também com a delação sempre em fundo. É esse o conflito irreparável da tragédia, o velho que não morre e o novo que não nasce, o conflito da lei do coração e as recentes leis do homem. Como a História pode ser tão redonda, debaixo desta ponte de trabalho duro, suado e sujo e pobre, num estados unidos que ora tanto brilha com tão depressa é obscuro. Arthur Miller escreve aqui os seus próprios fantasmas, ele que foi acusado de comunista pelo amigo Elisa Kazan. Falar dos anos 50 é também falar de hoje, do medo, da delação, com ideias claras, em momentos difíceis, do alto da ponte.

TEXTO Arthur Miller TRADUÇÃO Ana Raquel Fernandes e Rui Pina Coelho INTERPRETAÇÃO Américo Silva, Joana Bárcia, Vânia Rodrigues, António Simão, Bruno Vicente, André Loubet, Tiago Matias, Hugo Tourita, Gonçalo Carvalho, João Estima, Romeu Vala, Hélder Braz, Inês Pereira e Miguel Galamba CENOGRAFIA E FIGURINOS Rita Lopes Alves LUZ Pedro Domingos SOM André Pires PRODUÇÃO João Meireles ASSISTÊNCIA DE ENCENAÇÃO Nuno Gonçalo Rodrigues e Inês Pereira ENCENAÇÃO Jorge Silva Melo COPRODUÇÃO Artistas Unidos, Teatro Nacional São João, Teatro Viriato e São Luiz Teatro Municipal

Do Alto da Ponte, dos Artistas Unidos, está agora no Teatro S. Luiz, em Lisboa e fica quarta a sábado às 9 da noite, e domingos às 5 e meia da tarde ainda até 27 de Janeiro. Esta peça vai percorrer uma boa parte do país até março do ano que vem.

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