Do lixo se fez um prémio. Mário Cruz distinguido de novo no World Press Photo

Vencedor do terceiro prémio na categoria "Ambiente" do World Press Photo, Mário Cruz espera que a imagem premiada do rio Pasig pressione o governo filipino.

Mário Cruz, fotógrafo português premiado com o terceiro lugar na categoria "Ambiente" do prémio World Press Photo 2019 assume que esta é uma distinção que "sabe bem", principalmente num altura em que a fotografia não escapa à crise do jornalismo.

Em declarações à TSF, o fotógrafo diz ter esperança de que o seu trabalho, que mostra uma criança filipina a recolher materiais recicláveis, para obter algum tipo de rendimento que lhe permita ajudar a família, deitada num colchão rodeado de lixo, que flutua no rio Pasig - já declarado biologicamente morto na década de 1990 -, sirva como forma de pressão para que o governo filipino tome medidas em relação ao rio.

"Sabe bem, sobretudo, porque é uma distinção para um tema que foi negligenciado durante décadas, como foi o problema de poluição no Rio Pasig", alerta. "Acho que esta distinção vai contribuir muito para o aumenta da atenção - e também da pressão - para ver se, de uma vez por todas, o governo filipino toma medidas sérias", acredita Mário Cruz.

No que diz respeito à valorização do fotojornalismo, Mário Cruz não sente que este tipo de distinções possa contribuir para tal. O fotógrafo vê, no entanto, esta distinção como uma resposta à crise do jornalismo.

"Infelizmente, não vejo que esta distinção da World Press Photo possa mudar muita coisa em Portugal, no fotojornalismo português e na minha própria situação laboral. Não sinto que vá mudar grande coisa. A verdade é que o fotojornalismo português - e não só - atravessa um período de extrema dificuldade", reconhece.

Ainda assim, "a fotografia continua a ter um papel muito importante nas nossas vidas, apesar de ser das primeiras vítimas desta crise do jornalismo", lamenta Mário Cruz, que identifica a distinção como uma resposta a essa mesma crise.

O fotógrafo conta que desenvolveu este projeto "de forma independente e com muito esforço pessoal" e que o mesmo já está a dar frutos, já que resultou num livro e numa exposição. "O livro foi lançado há cinco dias e já está esgotado e a exposição já teve mais de 1.500 visitantes em cinco dias", sinais que vê como de "muito interesse" no fotojornalismo.

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