O esplendor da caverna em Ponte de Lima

O projeto "The Caveman", de Tiago do Vale, é um dos três trabalhos portugueses distinguidos pelo prémio internacional de arquitetura The American Architecture Prize 2017.

"The Caveman" é uma loja, uma sapataria, em Ponte de Lima, com uma arquitetura comum dos anos 90 que o arquiteto Tiago do Vale transformou e devolveu ao seu estado mais primitivo.

"Tinha uma decoração própria dos anos 90, com papel de parede, soalho flutuante com um ar muito artificial, tetos falsos com alguma complexidade, focos embutidos, essas coisas que estamos habituados a ver e que não servem nem para dignificar o produto nem para criar uma experiência espacial que motive o regresso à loja", recorda Tiago do Vale.

O projeto agora premiado chama-se "The Caveman" [O Homem das Cavernas] e é, no fundo, um regresso ao passado. "Como tínhamos uma imposição de contenção de custos por parte do dono da obra, a abordagem acabou por ser muito simples. Retirámos todos aqueles elementos decorativos e levámos a loja ao seu estado mais primitivo, em bruto, introduzindo o mínimo de elementos para que se pudesse evidenciar os produtos como algo especial", explicou à TSF o arquiteto.

No novo espaço predominam os materiais mais simples, nomeadamente o betão pré-existente, as placas de aglomerado de madeira e cimento, aço galvanizado e madeira.

"The Caveman" é um dos três trabalhos portugueses distinguidos pelo prémio internacional de arquitetura The American Architecture Prize 2017. Ganhou na categoria "design de interiores/comercial".

Terá sido esta simplicidade que convenceu o júri americano de arquitetura, acredita Tiago do Vale, assinalando que o projeto The Caveman "não é uma solução muito convencional, tem essa peculiaridade, é uma solução extremada, com materiais em bruto, sem acabamento, com a métrica própria de cada um deles, sem cortes nem desperdícios e com as infraestruturas à vista. Há uma certa radicalidade inesperada que pode ter sido valorizada", admite.

Tiago do Vale representa uma nova geração de arquitetos portugueses que tem feito do experimentalismo um caminho bem-sucedido. "Estamos no pós qualquer coisa. Todos nós seguimos caminhos diferentes, instituições mais pessoais, não uma linha de pensamento única, portanto estamos todos a disparar em todas as direções", resume.

E este arquiteto de Braga tem disparado certeiro. Esta não é a primeira vez que é reconhecido internacionalmente. Uma das suas obras mais premiadas é o da reabilitação do Chalé das Três Esquinas, próximo da Sé, em Braga.

Conheça os outros edifícios portugueses distinguidos este ano com o American Architecture Prize:
- Um risco branco que paira sobre a paisagem
- "Não é só rezar, é conviver". Centro Pastoral de Moscavide premiado nos EUA

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