Cai o pano na Cornucópia

O Teatro da Cornucópia termina este sábado, ao fim de 43 anos. A informação foi confirmada por fonte do teatro à TSF. O Ministério da Cultura lamenta. PCP e CDS-PP querem respostas do Governo.

Ao fim de mais de quatro décadas de funcionamento, a Cornucópia faz este sábado a última apresentação pública. O encerramento da companhia acontece na apresentação do segundo volume do livro/catálogo "Teatro da Cornucópia - Espetáculos de 2002 a 2016", onde são revisitados os últimos 14 anos de atividade da companhia.

Contactado pela TSF, o Ministério da Cultura lamenta o encerramento do que diz ser "uma das estruturas de teatro mais importantes da História do Teatro português", que desde 1973 tem sido uma referência para atores, encenadores, profissionais na área do Teatro e para o público.

O ministério explica que "tem acompanhado de perto a situação do Teatro da Cornucópia", uma instituição que "pelo seu peso e qualidade artística foi, e continua a ser, um Teatro apoiado pelo Estado, através da Direção Geral da Artes".

O Ministério da Cultura avançou ainda à TSF que vai assegurar o aluguer do edifício que alberga a companhia por um período de mais um ano, "de modo a que o processo de encerramento e todos os trabalhos que daí decorrem seja realizado nas devidas condições".

Nesta resposta enviada por e-mail, a tutela diz que manifestou esta disponibilidade "por profundo reconhecimento e respeito pelo Património Histórico - tangível e intangível - que a Companhia deixa para o Teatro português".

A TSF tem tentado o contacto com Luís Miguel Cintra, diretor da companhia, mas até ao momento ainda não foi possível.

Este sábado, a última apresentação pública da Cornucópia está marcada para as 16:00, no Teatro do Bairro, a casa da companhia no Bairro Alto, em Lisboa.

PCP e CDS-PP querem respostas por parte do Governo

O PCP lamenta a decisão de encerrar uma companhia "icónica" e de "grande relevância cultural", defendendo que se trata de mais uma consequência da politica seguida, durante vários anos, de apoio às artes.

"A desadequação do atual modelo de apoio às artes e a necessidade de se caminhar para uma política de reforço do financiamento à cultura e às artes", disse no parlamento a deputada comunista Ana Mesquita.

De acordo com a deputada, o PCP vai "questionar" o executivo socialista sobre "se tem conhecimento, o que vai fazer e que diligências vai tomar" perante a situação da companhia.

Pelo CDS-PP, a deputada Teresa Caeiro diz que os centristas "não deixaram de questionar, diariamente, se for o caso" os motivos que levaram à decisão, quer "através da comunicação social, quer através de perguntas ao Governo".

"Queremos saber se é uma decisão isolada, se é irreversível para a Cornucópia e se, por outro lado, é suscetível de se reproduzir para outras companhias de teatro e outras estruturas que são o tecido cultural do nosso país", acrescentou a deputada do CDS-PP.

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