Daniel Rodrigues fotografou a perseguição aos albinos

Este sábado, em Matosinhos, na Galeria Manifesto, é inaugurada às 18h a exposição "Albino não morre, desaparece", de Daniel Rodrigues, o fotojornalista português que trabalha para o New York Times.

O trabalho foi feito para o New York Times, correu mundo e fez parte do portfólio que valeu a Daniel Rodrigues o Prémio POY Latino.

A exposição dá conta da violência e dos crimes cometidos sobre os albinos de Moçambique e do Malawi
Vamos parar na fotografia em que se vê um homem albino rodeado de quatro crianças não albinas.
A história por trás desta imagem impressionou o fotógrafo. O homem que vemos na imagem chama-se Ricardo: "Agora ele anda cheio de medo, porque a irmã foi assassinada por encomenda do marido, ou seja, o cunhado dele. E anda com medo porque sabe que o cunhado agora anda atrás dele".

Depois da irmã de Ricardo, também albina, ter sido encontrada morta, o cunhado apareceu com um carro. Daniel Rodrigues explica que um corpo de um albino pode render 40 mil euros. "Já não me recordo quanto, mas as mãos podem valer dinheiro, os pés podem valer saúde, a cabeça pode valer ainda mais coisas, ou seja, o corpo é partido aos pedaços e vendido", explica.

Vendido a quem? Não se sabe ao certo. Todos falam num "boss". O fotojornalista explica que o esquema estará relacionado com a magia negra e o tráfico de órgãos.

Noutra fotografia vemos a cara de uma mulher escondida por uma moldura com o retrato de um albino.
A mulher chama-se Flávia e o pai morreu com diabetes. "Acontece muito que as campas sejam vandalizadas, retiram os restos mortais e depois vão vender" - foi isso que aconteceu neste caso.

E ali ao lado, a fotografia de um homem com feridas abertas no rosto e a cabeça coberta com gaze
"É o Peter, do Malawi, é muito inteligente, fala muito bem inglês, tem 26 anos, infelizmente tem um cancro e ninguém o trata porque é albino. Uma das coisas que me impressionou é que a carne já está podre e havia um cheiro intenso quando eu cheguei lá", descreve o vencedor do WPP.

Peter, do Malawi, Flávia e Ricardo, de Moçambique, são três das histórias com que Daniel Rodrigues se cruzou. São exemplos que dão rosto à frase "albino não morre, desaparece", associada à profecia que existe naqueles países de que quem tiver parte de corpo de um albino pode enriquecer ou ter sorte na vida.

A exposição vai estar na Galeria Manifesto, em Matosinhos, até meados de Setembro

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de