Documentário sobre sírio que salvou filho deficiente vence Prémio Europa 2019

A cerimónia de entrega dos prémios realizou-se esta noite em Potsdam, na Alemanha.

Um documentário sobre um pai sírio que teve de deixar a sua mulher no Iraque para salvar o filho deficiente recebeu esta sexta-feira o Prémio Europa 2019 para o Melhor Filme Europeu sobre diversidade cultural. A cerimónia de entrega dos prémios realizou-se esta noite em Potsdam, na Alemanha, e cinco produções portuguesas, de ficção para televisão, documentário e reportagem em digital, estavam nomeadas para o Prémio Europa 2019, criado pela Comissão Europeia e Parlamento Europeu.

Os prémios são atribuídos em nove categorias distintas, reconhecendo produções de ficção, documentário e programas de atualidade para televisão e rádio, assim como projetos de media em digital. O prémio Melhor Filme Europeu foi para a Suíça, com o documentário "But when mommy is coming?", uma coprodução europeia apresentada pela televisão sueca.

A Suécia também leva para casa o prémio de Melhor Investigação em Televisão Europeia, sobre uma investigação que revela a conexão entre membros do governo congolês e o assassinato de dois especialistas europeus da ONU.

A Melhor Série de Ficção Televisiva europeia foi a produção finlandesa "Invisible Heroes", acerca de dois diplomatas que salvaram mais de 2.000 chilenos da Junta Militar nos anos 70 do século passado. O Melhor Filme de TV foi "Care", do Reino Unido, que conta a história de uma mãe solteira e a sua batalha com o Serviço Nacional de Saúde do país.

Um dos destaques da cerimónia foi o anúncio do Jornalista Europeu do ano de 2019. Este prémio honorário foi entregue a Armin Wolf, jornalista de TV na área política e apresentador de notícias na emissora austríaca ORF.

O jornalista foi recentemente alvo de polémica devido às suas perguntas críticas a políticos, uma das razões pelas quais a Áustria caiu cinco pontos no ranking global de liberdade de imprensa "Repórteres sem Fronteiras".

No seu discurso, Armin Wolf atacou fortemente a interferência da política nos media.

"Uma vez no poder, os populistas tentam ganhar o controlo sobre os media influentes, como se pode testemunhar na Hungria de maneira assustadora, ou como aspiravam na Áustria com a tentativa de abolir a taxa de transmissão pública. Ainda assim, não é nosso trabalho reagir no mesmo nível ou por táticas semelhantes. Estou totalmente convencido de que esta é a nossa melhor resposta: realizar o nosso trabalho da maneira mais profissional, diligente, confiável e justa possível", disse.

A presidente do Prémio Europa, Cilla Benkö, diretora-geral da Sveriges Radio, dirigiu-se a Armin Wolf e a todos os outros profissionais da comunicação social em termos inequívocos: "Precisamos de jornalistas que ousem continuar a fazer perguntas desconfortáveis, ousem colocar a si mesmo e os seus empregos em risco e que se atrevam a dialogar na tentativa de encontrar a verdade e informar o público".

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