A história de Snu (e muito mais) pelos olhos dos irmãos Gonçalo e Inês Castel-Branco

Inês e Gonçalo Castel-Branco são os convidados do programa Uma Questão de ADN, numa altura em que estreia o filme "Snu", onde a atriz é protagonista.

Ele lembra-se de ter querido ser realizador ela, de ser maria-rapaz. Aos 14 anos, quando foi abordada para ser modelo, andava ele a ser expulso das escolas. Gonçalo é hoje um nome forte na área dos eventos em Portugal e Inês, uma atriz, que já soma 19 anos de carreira, são irmãos. E vamos começar a rodar a conversa porque o filme que estreou esta quinta-feira é a primeira longa-metragem da vida de Inês Castel-Branco, teve a participação numa, não é?

Tive algumas participações...

Mas, assim, protagonista?

Nunca, é a primeira vez.

É a primeira vez de Inês. E o que lhe pergunto é se é preciso ser valente para vestir a pele de uma personagem como Snu Abecassis?

É preciso, pelo menos, conhecer o valente que ela era, para depois tentar chegar próximo disso, sim. E depois é preciso ser valente para propor fazer este filme. Eu acho que a coragem vem, acima de tudo, da Patrícia Sequeira.

A realizadora?

A realizadora. Eu, basicamente, sou um peão que ela arranjou para contar a história. E ainda bem.

Sendo que a Inês já contou que o nome Snu Abecassis, assim, à partida, não lhe dizia nada.

Não sabia quem era. Não sabia que o Sá Carneiro tinha uma namorada, não sabia que tinha morrido com ela, não sabia quem é que era a criadora do Dom Quixote. Portanto, soube, basicamente, nesse dia em que a Patrícia me fez o convite. E, se eu pensar bem, a primeira vez que ela me mostrou a imagem eu já tinha visto, mas, nunca tinha prestado atenção.

Isso prova alguma coisa sobre a distância que há entre a História e as gerações mais novas?

Eu, por acaso, sempre fui bastante interessada sobre a época da ditadura e pós-revolução, mas é uma figura que me passou ao lado. Infelizmente. E espero que a todas as pessoas a quem passou ao lado até hoje, deixe de passar.

E o que é que aprendeu? Ao interpretar a Snu?

O que é que eu aprendi? Aprendi imensa coisa. Para já aprendi um bocadinho de fazer cinema, que era uma linguagem que eu não estava acostumada a fazer. Não estou. E aprendi o que é de diferente entre fazer cinema e as outras coisas que eu faço, como atriz. Depois aprendi muito sobre...

E o que é que é diferente?

É muita coisa diferente. Os tempos, a forma de ir à marca, de respirar, de se fazer à luz... é completamente diferente. Só o facto de trabalhar com uma câmara em vez de três...tem muita diferença. Os textos são muito mais pensados e revistos... e há mais tempo para ensaiar. Há mais tempo para os atores se ouvirem uns aos outros, para os diretores os dirigir. Acima de tudo, há mais tempo para tudo.

E até foi à Dinamarca.

Fui a Estocolmo. Porque ela sim, é dinamarquesa, mas foi viver muito nova para Estocolmo, porque a mãe apaixonou-se por...

Pelo padrasto.

Sim, pelo padrasto, que é o Tor Bonnier, que era editor sueco muito famoso. Aliás, a família dele é das maiores editoras suecas. E a verdade é que ainda bem que fui, porque descobri uma data de coisas sobre a cultura que eu não estava a perceber. Havia informações sobre ela, sobre o ela ser nórdica que eu não conseguia lá chegar só através do que estava a ler. E consegui, quando lá fui.

Gonçalo já viu o filme?

Ainda não.

Não?

Estou muito curioso.

Então e agora? Ia-lhe perguntar como é que achas que está a Inês no papel de Snu?

A Teresa já viu o filme?

Eu já vi o filme.

É uma privilegiada.

Eu ainda não vi o filme, mas assisti ao processo todo. À entrega e ao trabalho magnifico. E sério, principalmente. Eu acho que, de facto, esta questão do tempo é fulcral. Porque dá oportunidade a um ator que assim o queira, de fazer um trabalho premeditado, sério e concreto. E eu acho que, das imagens que já vi do filme, acho que há um resultado claro no que foi esse processo e no quanto a Inês tem crescido, como atriz, ao longo dos anos. E, portanto, acho que é uma oportunidade perfeitamente justa, no momento perfeito, para vermos o resultado do que é um papel tão importante. Eu conheci um bocadinho a Snu, o nome Snu, mas, de facto, a nossa relação, da nossa geração, com a ditadura e com o pós-ditadura é contada toda no masculino. E é uma injustiça. Porque aqui há uma mulher que teve um papel enorme de influência, de presença, de pedagogia, que merece ser contada e que, eu, enquanto pai de duas filhas, fico muito contente de ver a Inês ajudar a contar esta história de uma mulher forte, durante um momento importantíssimo da nossa vida coletiva.

Vê, na sua irmã, algum traço que a aproxime de uma personagem tão forte e tão esperta para irmos ao significado do nome da Snu?

Vejo. Mas, também, mais uma vez, sou absolutamente suspeito. Eu vivi rodeado de mulheres fortes a minha vida toda. E quis a sorte que tivesse duas filhas também elas mulheres fortes. E vejo isso na Snu, numa altura em que era ainda mais difícil ser uma mulher forte. E uma mulher incompreendida no... era um bicho estranho na sociedade portuguesa na época.

Nem era lugar para uma mulher, ser forte.

Acho que é uma história muito bonita de coragem. Coragem pessoal, coragem política. Acho que foi uma história e acho que a Patrícia foi perfeitamente inteligente na altura em que nos escolheu contar esta história. Provavelmente imagino que fosse um projeto que ela já tivesse na cabeça há anos. É uma mulher muito parecida com a Inês ou a Inês com ela. E eu gosto da humildade dela quando diz que tentar chegar aí é uma ótima missão.

Onde é que o Gonçalo vê essa parecença? Onde é que elas se aproximam? Onde é que a Inês e a Snu se tocam?

Na generosidade, na coragem. Na capacidade de ser um bicho estranho confortavelmente. É uma capacidade que a Inês tem desde cedo. A Inês é uma pessoa que gosta muito de fazer feliz à volta dela. Que é uma qualidade enorme que qualquer pessoa com quem fale vai-lhe dizer a mesma coisa. É uma pessoa que gosta de fazer feliz quem está à volta dela. Mas, gosta de fazer feliz sem concessões. Ser ela mesma, como é. E isso é uma qualidade importantíssima hoje em dia, em que nós... Não é só hoje em dia. Acho que é muito mais fácil é mais fácil ir na 'mólhada' do que estar só e a Inês sempre teve esta capacidade desde muito cedo e que eu acho que a Snu tinha. Estar sozinha na sala... é preciso coragem.

Até ter em conta, sabermos que a Inês é daquelas pessoas que quando diz que ama, seja homem, amigo ou família, é verdadeiramente insuportável do ponto de vsta da entrega, não é? E, portanto, essa..

Eu se calhar disso isso há mais anos. Tinha uma tendência a ser assim e depois passei pela fase.. depois como não tinha o reverso da medalha ficava triste. Agora sou um bocadinho mais comedida. Isto é, eu gosto muito de cuidar das pessoas que amo, e verdade. Mas, há pessoas que não querem ser cuidadas. Eu agora já tenho esse cuidado.

O cuidado de não cuidar.

O cuidado de não cuidar quando as pessoas não querem ser cuidadas, exato.

Ou já se defende melhor...

Talvez, também.

Do facto de as pessoas não cuidarem da mesma forma...

Também. Um bocadinho.

E o que é que sobra? Da Inês maria-rapaz?

O que é que sobra da Inês maria-rapaz? Boa pergunta. Sei lá. Eu acho que tenho alguma apetência para os desportos, que vem daí, dessa altura, de que nós estávamos sempre a fazer desportos, todos juntos, lá em casa.

E por eles serem dois rapazes? Os dois irmãos.

Eu sou um bocado competitiva, nos jogos e assim.

Muito.

Isso sabemos. É público já.

Acho que isso, não sei porquê, isso vem da minha veia maria-rapaz.

E acho que o ser uma ótima mãe de um rapaz ajuda ter sido maria-rapaz. Acho que ela entende a linguagem, tendo crescido com dois irmãos, entende a linguagem e a dinâmica do que é ter um rapaz cheio de energia, cheio

Eu acho que ter sido maria-rapaz tem muito a ver com isso, o ter crescido no meio de rapazes. E de saber que, se não fosse mais parecida com eles não iria ter com quem brincasse. Portanto, fui tentando me aproximar deles assim.

O que quer dizer que eles nunca lhe fizeram a vida negra?

Diariamente.

Não, fizeram a vida negra aos namorados. Este, quando fazia muitas asneiras e quase que era apanhado ponha-me sempre na confusão e também o odiava por causa disso. Ainda agora estivemos a almoçar com o meu filho, que adora as histórias das asneiras do tio Gonçalo. Ó mãe conte lá as histórias das asneiras do tio Gonçalo. E está-se sempre a falar nisto porque, de facto, ele fazia muitas asneiras. E eu hoje preguntei à minha mãe. Eu não fazia, pois não? O máximo que fazias era comer o chocolate de culinária ou o leite condensado da despensa e depois acusavas o teu irmão Gonçalo.

Portanto, uma infância feliz?

Completamente. Eu acho que nós somos filhos de privilégio. Não privilégio financeiro, mas privilegio... quer dizer, crescemos em Portugal, em segurança, e eu acho que nós ... eu, o António e a Inês, somos o que acontece quando se nasce numa família de privilégio, no sentido em que tivemos pais, particularmente uma mãe com uma capacidade, uma energia e uma vontade de entrega à causa de nos educar, diária e constante. E de facto a sorte de vivermos em Portugal, hoje em dia, quer dizer, é um país tão pequeno, qualquer pessoa que tenha talento e que trabalhe, à partida, consegue chegar a algum lado. E nós somos exemplo disso.

E depois quando não há dinheiro também não há discussões, porque não há partilhas, não é? Nós os três damo-nos todos muito bem. É uma coisa que eu cada vez mais admiro em nós. Não só as pessoas que nos tornámos, que são pessoas que fazem aquilo a que se propuseram, respeitando sempre o próximo, como o facto de nos darmos mesmo muito muito bem.

Vocês falam muito da vossa mãe, Luísa Castelo Branco. E o que eu gostava de vos perguntar, é qual é o papel do vosso pai, aí no meio disso.

Foi um papel um bocadinho mais apagadito. Um papel secundário. Mas está tudo bem. Nós vivemos bem com isso.

Porque a vossa mãe é dominadora, no sentido de mãe-galinha?

Eu acho que as separações... naquela altura havia poucas ainda. Eu lembro-me de sermos os primeiros filhos de pais separados. E não foi uma separação fácil.

Os primeiros no nosso circuito. Havia mais.

Não, os primeiros da nossa aula. Da nossa escola, da nossa aula. Não se ouvia falar... hoje em dia é tudo novas famílias, não é? É estranho é os pais que estão juntos. Naquela altura era o contrário. E não foi uma separação pacífica. Portanto, nós, como na altura, a custódia era automaticamente entregue à mãe, não é? Hoje em dia já não é bem assim. Mas a minha mãe também não teria querido de outra forma. A questão é que isso afasta logo, geograficamente, os filhos do pai. E depois não só. Da geográfica passa para o sentimentalmente... e daí vai sendo uma bola de neve.

E agora que vocês têm a idade que têm e que são adultos sentem que, nalguma parte do processo, isso podia ter feito alguma diferença? Essa proximidade que não houve?

Claro que sim. Acho que uma figura paterna é importante para qualquer pessoa.

E sente mais a menina ou os meninos?

Eu acho que sentimos desde que somos pais.

Eu acho que a nossa geração, uma das coisas que conseguiu aprender foi a fazer isto. Aprender a separar-se como deve de ser. É uma coisa que a geração anterior.. estava a apalpar terreno, ainda não sabiam bem como é que se fazia. Nós mesmo assim.. quer dizer, tivemos... nunca assistimos a discussões. Há pessoas que têm separações muito mais difíceis do que nós assistimos. Mas, de facto eu acho que naturalmente havia... e os meus pais encarnaram essa personagem com alguma facilidade, o guião dessa altura do filme de uma separação envolvia uma proximidade mais a um lado que ao outro. Eu não posso dizer que... quer dizer, seria diferente. Qualquer coisa que temos na nossa vida seria diferente. Mas, gosto muito do meu pai, gosto muito da minha mãe, temos, hoje em dia, uma relação com todos eles. E uma relação com o meu padrasto, que foi uma figura paterna muito importante ao longo da nossa vida. E, portanto... quer dizer, temos muita sorte. Temos pouca coisa de que nos queixar.

Sim, é verdade. O meu pai é um homem espetacular, que nos ama, da mesma forma que amava e sempre amou. E também temos a sorte de o ter a ele. nós no fundo somos muito sortudos, é verdade. Temos saúde, uma família que nos ama e somos realizados, em tudo em que nos metemos. É bom.

Que não se esgota, no caso da Inês, não se esgota no papel de atriz. Mas eu ainda queria voltar ao filme, para perceber se.. o filme conta a história de amor. A preocupação é contar aquela história de amor, obviamente com o enquadramento da época e tudo o que o rodeia.

Acho que é importante frisar que nunca foi uma intenção nossa fazer uma cosia documental. Ser igual à realidade. Até porque nenhum de nós sabe o que se passava por dentro... dentro de casa daquelas pessoas, não é? Nós podemos imaginar, conhecendo uma figura, conhecendo outra, conhecendo a época e sabendo que eles estavam muito apaixonados, aquilo que eles sofreram e por aquilo que passaram. Mas, o filme é uma interpretação nossa, minha e do Pedro, da Patrícia, da Sara Carinhas, que nos dirigiu, até do João Ribeiro, que nos iluminou. De toda aquela equipa. Nós não queremos que seja um documento tipo "era assim", "de certeza que era assim". Não. de certeza que não era. Esta é a nossa interpretação da história.

Isso revela-se nos pequenos gestos, como as flores que ela leva todos os dias, sempre que chega à editora, não é?

É uma coisa bastante sueca. Bastante nórdica, aliás. A Dinamarca também. Há florista por todo o lado e toda a gente anda com flores na rua. Reparei quando fui lá. Também não sabia.

E aquele vestido fabuloso, do pavão... não sei se tem a ver com esta fotografia que aqui está. Eu até trouxe. Este aqui tem borboletas, não é?

A Patrícia, desde bem cedo.

Eu digo aqui, só para explicar, estou a abrir o livro da Cândida Pinto, com a biografia da Snu, que tem várias fotografias...

Essa é a primeira aparição pública deles no Palácio de Belém. E nós fizemos uma... lá está, uma interpretação dessa noite no filme. E a Patrícia, desde bem cedo, quis usar este símbolo do pavão como um símbolo dela. Pavão quer dizer eternidade. E ela tinha uma pena de pavão colada no diário dela. Que aparece aí também. E a Patrícia desde sempre acho que este animal e estes padrões tinham muito a ver com esta mulher. Então o vestido foi feito, pela nossa figurinista, foi feito para ser muito parecido com esse, mas, com um padrão mais apelativo ao pavão.

E uma cauda...

E o próprio plano do drone, que é absolutamente incrível, faz lembrar também um pavão deitado no chão. Está tudo ligado.

Para a Inês o que foi mais difícil, de todo o trabalho de conceção da personagem, que é uma personagem real, que é diferente de interpretar qualquer coisa de ficção, esta pessoa existiu, aconteceu

Eu tive sempre e tenho ainda algum pudor em relação à família, em relação às famílias. Porque são pessoas que passaram por este drama, de outra forma, de uma forma muito pessoal.

E que estão vivas.

Que estão vivas e tive sempre medo que ficassem, de alguma forma, melindradas com a nossa proposta, sendo que nós só queremos mesmo vangloriar esta mulher. Mas, tive sempre esse medo e esse pudor. Tentei não procurar a família. E, até hoje, adorava que fossem ver o filme, mas, tenho algum pudor em relação a eles. depois tive a questão do sotaque. Ninguém se lembrava de como ela falava. Não há um registo áudio dela. Há um vídeo da RTP, dos arquivos da RTP, que está sem som. Portanto, eu tive de improvisar. E depois também nunca tinha feito nada com sotaque. Portanto, acho que foi também o segundo maior desafio.

Quer dar-nos um bocadinho desse sotaque?

Acha que ainda consigo? Já foi há um ano. 'Portugal precisa de abrir portas e janelas para sentir o ar fresco.'

Pronto. O Gonçalo ainda acompanhou alguma parte desse processo?

Acompanhei. Era das partes que eu tinha mais medo, por ela. Porque, de facto, pode distrair o espetador, pode engolir o personagem, pode ridicularizar e estragar a verdade que se está à procura. E, portanto, era das partes que estava mais curioso e acho que, do que vi até agora, o resultado é fenomenal.

Teve necessidade de repetir muitas vezes ou ...?

Sim, e de passar por várias amigas minhas, nórdicas que... fui gravá-las, com elas a disserem aquelas frases e tentar ouvir os sons que elas fazem, diferentes de nós. A forma como usam a língua, como dizem os "o"s e os "r"s. nós dizemos "tor", elas dizem "tur". Nós dizemos "editor", elas dizem "editur". Ouvindo estes sons e tentando replicar no dia a dia em tudo para que, quando chegasse lá, sair de uma forma bastante natural. Ou tentar.

Quando a Patrícia Sequeira, de quem é amiga, a desafia para este projeto, explica-lhe porque é que pensou na Inês?

Quer dizer, nós trabalhamos juntas há muitos, muitos, muitos anos. E ela sabe como é que eu sou dirigível por ela e eu sei como é que ela dirige e eu acho que foi um bocadinho... uma zona de conforto para ela. Ao princípio acho que ela até pediu algumas opiniões e houve pessoas que não acharam boa ideia.

De ser a Inês...

De ser eu. E acho que ela, exatamente por as pessoas não acharem boa ideia ficou a pensar naquilo e disse "não, claro que é a Inês". E, ainda bem.

Então, vamos esperar que o filme estreie. Que está aí e que as pessoas o vejam. Vamos sair desse plateau para perceber como é que a Inês tem tempo para se governar com tantos projetos. Porque isto é o seu trabalho, depois temos o filho, os amigos, a família, e uma série de outros projetos, lá está, virados para o bem comum, vá, para simplificar.

Covas.

Sim, está a falar dessa. Do Village Underground que é um projeto.

Para pessoas que estão a começar uma start-up, um projeto, e não têm dinheiro para um escritório e têm de começar por algum lado, por ter uma secretária, por ter um espaço criativo para estar. E é isso que o Village lhes proporciona. Eu não sou sócia do Village, eu sou sócia do restaurante que há dentro do Village. Que é o Buzz Lisboeta, que é perfeito para levar crianças, de facto, ao fim de semana e ao fim do dia. Tem um espaço para eles brincarem incrível e não passam carros, tem estacionamento, é seguro. E come-se muito bem. O chef Rodrigo está cada vez melhor. Temos um brunch incrível. Pronto.

Em relação a comidinha no prato o Gonçalo também tem uma coisa a dizer, não é?

Pois é. Estávamos aqui a falar de mim. Até me sinto mal. Que o rapaz tem muita coisa agora a acontecer.

Sim, nós ao longo dos anos, apesar de não ser a nossa... não ser a minha área em particular - a não ser gostar de comer - mas, nos últimos anos tenho...a minha carreira tem gravitado na direção da gastronomia. E, hoje em dia, temos alguns projetos interessantes nessa área. Temos o The Presidential, o comboio de luxo no Douro que temos a sorte de termos ganho vários prémios internacionais, melhor evento do mundo em 2017, por aí fora. É um projeto que nós temos muito orgulho, e que foi ideia da minha filha mais velha, quando tinha 10 anos.

Ao qual eu sou cliente mais assídua.

É verdade. Em todas as edições, já foi cinco vezes. E, temos um festival de comida e música em Cascais, chamado Chefs on Fire, que lançámos o ano passado, pela primeira vez. Portanto, acabamos a ter várias experiências na área da gastronomia. Vamos lançar agora uma nova, daqui a muito pouco tempo

Para o Verão?

A nova que vamos lançar será ainda pré-Verão. Basicamente

Primavera?

É o nosso novo espaço. É um armazém de 700 metros quadrados que vai funcionar, simultaneamente, como o nosso escritório, mas principalmente como um shelter criativo para chefs, entrepreneurs e artistas. No fundo, pessoas que estão a começar, que têm dificuldade em encontrar... um chef que é ótimo que está entre projetos ou que tem dificuldade em encontrar um restaurante que queira estar, ou um artista que tem dificuldade em alugar espaço porque as rendas em Lisboa estão o que estão, e portanto, nós temos área (são 700 metros quadrados). As pessoas candidatam-se no nosso site e nós oferecemos o espaço, entre duas semanas e dois meses. Oferecemos o espaço, todo, de borla, para as pessoas poderem crescer, mostrar o seu trabalho, mostrar a sua comida. E, portanto, é um shelter criativo, que é um espaço que não existe, hoje em dia, em Lisboa. existem alguns espaços internacionais muito giros nesta área, nomeadamente o xx (21:50) que é um espaço de literatura onde, desde o Truman Capote à Sylvia Plath chegaram a fazer residências lá. Sempre fomos educados, quando temos comida a mais construímos uma mesa mais comprida e não um muro maior. E, aqui é um bocadinho esse exemplo. Temos um espaço que é um bocadinho maior do que aquilo que eu precisava, então vamos partilhá-lo com quem precisa também.

Ó Inês e como é que o rapaz, que foi péssimo aluno, que se deu mal com a escola, como é que vira assim, um realizador... porque na prática é como se fosse um realizador, não é? Esse desejo estava lá.

O desejo de contar histórias e de construir história estava lá. Simplesmente a forma, hoje em dia, não é cinematográfica, mas.... não é, até ao dia que for, mas é... continua a ser histórias que estamos a contar. Às vezes são histórias num prato, às vezes no comboio.

E podem ser filmes bonitos também.

Exatamente. normalmente dão. Ainda agora fizemos

Ele sempre foi muito megalómano. A diferença é que agora que chegou... e a megalomania também se refletia nas asneiras. A diferença é que agora se reflete, com alguma maturidade e criatividade, em coisas sérias e de crescidos, que às vezes são grandes aventuras e que correm muito bem, como é o caso... foi o caso da Avenida Q, também, que foi uma peça de teatro que o Gonçalo queria porque queria fazer cá e que conseguiu

Em 2018, certo?

Em 2018. Tive nove anos à espera para produzir.

É um homem que passa de um musical de marretas para um comboio de luxo, assim, como quem troca de ténis. Portanto, sim, ele sempre foi megalómano. Temos, obviamente de falar no meu irmão mais velho, que faz isto tudo ser possível acontecer, porque toma conta, um bocadinho, da megalomania dele. Porque é o homem da banca. É o homem da cabeça.

É o homem a quem eu ligo a dizer "eu tenho esta ideia, o risco é deste tamanho" e ele diz podes correr ou não podes correr. É a única pessoa que, quando me diz "é demais, neste momento não podes arriscar isso", é a única pessoa que eu sigo. Nem o meu gestor de conta eu sigo quando ele diz "não faças". Mas, de facto, é um tipo muito especial e com um bom senso implacável e que acaba por ser uma figura também... à bocado falávamos da importância da figura paterna. Eu acho que o António, o nosso irmão, acaba por, desde a adolescência, ser a nossa figura, para ambos.

Puxou mais ao pai? Puxou no sentido de personalidade, maneira de estar?

Sim, sim.

Terá também a ver com isso?

Acho que tem essencialmente a ver com o espírito de missão dele. Acho que ele, lá está, quando os meus pais agarram o guião desse filme chamado divórcio, ele, o meu irmão, rapidamente aceitou um papel... roubou um papel que não era dele.

Por ser o mais velho.

Por ser o mais velho. E desde o primeiro dia que o fez também com rigor que dura até hoje.

Por ser o mais velho e também porque... costuma-se dizer que ele nasceu já com 40 anos.

Já nasceu mais velho.

Esse papel era para ele.

Já percebi que as asneiras estavam mais por vossa conta.

Por ele. Ele fazia tudo.

As asneiras era mais... a Inês sempre foi a pessoa... a maior pessoa da sala, maior do que a sala em que esteja. Eu sempre fui aquele que está a incendiar a sala e o meu irmão sempre foi o que está com o extintor.

Mas está a incendiar a sala assim às escondidas, ninguém está a perceber e de repente já pegou fogo?

Não, não. Qual escondidas? Nitidamente não conhece o Facebook do Gonçalo. O Gonçalo é daquele que manda assim uns incendiozinhos para o Facebook só para discutir. Só para argumentar. Porque tem inteligência também para isso. Tenho amigos meus que dizem "ó Inês eu às vezes vou para o Facebook do teu irmão com pipocas, só para ver o que vai acontecer hoje".

E era esse prazer de argumentar, e de ver o circo a pegar fogo, que o leva a ser expulso das escolas?

Eu acho que na altura... eu acho que era tédio. Era o tédio que me fazia ser expulso de todo o lado. Tédio porque era energia criativa mal dirigida, sem sítio para a pôr. Eu sempre achei a escola - ainda acho, hoje em dia - a escola tremendo para estrangular a criatividade e para apagar toda e qualquer chama criativa que a pessoa tenha e estandardizá-la, que é o inimigo da criatividade. E, portanto, eu não tinha onde pôr aquela energia e ponha-a nas coisas erradas, naturalmente. Mais tarde, aprendi a dirigi-la para as coisas certas. E, hoje em dia, a maturidade também ajuda.

E como é que a vossa mãe lida com isso. Também não é fácil, o papel de uma mãe aí, não é? O filho sempre ir...

Eu acho que ela portou-se muito bem. A minha mãe conseguia o feito de sempre defendê-lo mesmo quando ele fazia as piores coisas. Sempre. Ela defendia-o sempre. E, portanto, de facto, uma criança cresce com um sentido de proteção e em vez de ser ostracizado era abraçado nesses momentos. E depois foi a minha mãe que percebeu que ele não era feliz numa escola normal e, quando surgiram os primeiros cursos técnico-profissionais, foi a minha mãe que o inscreveu naquele que mudou a vida dele.

Que me obrigou. Comigo a espernear e a chorar, porque os cursos profissionais eram para pessoas burras e... que não queria, não queria, não queria.

E pronto. Depois ficou o melhor aluno da escola. Eu faço um brilharete ao trazer este irmão.

Pois é. Então assim, qual foi a pior asneira que o Gonçalo se lembra de ter feito? Ah, ele diz "foram tantas".

Muito difícil. Tenho dificuldade em responder a esta pergunta porque a minha filha mais velha acabou de ser suspensa, esta semana, por fazer uma asneira semelhante às que eu fazia. Eu acho que as piores eram quando andávamos numa escola católica - eu sou militantemente ateu, desde que me lembro de existir - eu fazia a vida negra aos padres. Intelectualmente. Não os deixava enfiar uma única...

Ele perguntava "mas porquê?", "como é que sabe?", "porquê é que está a dizer isso?"... provas, científicas.

Desconstruía tudo e qualquer coisa que nos tentassem enfiar pela goela. E é uma coisa que eu sempre tive. E acho que é mesmo aquele elemento da minha existência faceboquiana. Que recentemente, posso dizer, duas pessoas diferentes me convidaram para projetos, pessoas que eu não conhecia e respeito intelectualmente e que me disseram "nós não nos conhecemos bem, mas, eu vejo no Facebook, como tu tens uma liberdade intelectual muito rara em Portugal, e, portanto, quis trabalhar contigo". Portanto, eu já não me sinto mal de ser um incendiário no Facebook. Começo a achar que é uma virtude.

O problema é quando és desagradável.

Isso é verdade.

Porque é como eu te digo, tu és bastante inteligente e eu até gosto dos temas. Agora, às vezes, és um bocado desagradável.

Às vezes... mas eu acho que isto das redes socais tornam... é uma das grandes pragas hoje em dia é .. tornam muito mais fácil uma pessoa ser intragável a debater ideias com outros. O que nos afasta cada vez mais e dilata o espaço que temos em comum, onde nos encontrar intelectualmente. Torna-se muito difícil, digitalmente, manifestar esses argumentos de uma maneira inclusiva em vez de uma maneira divisiva. E acho que muito do que está a acontecer hoje em dia politicamente é resultado disso.

Falta o olhar, falta o tom de voz, falta o silêncio, não é?

Acho que qualquer um de nós é culpado de

Falta o retorno, o retorno no sentido de percebermos a linguagem corporal da outra pessoa. E isso é muito importante quando comunicamos com os outros, não é?

É a tal coisa. Todos nós dizemos, no Facebook ou onde for, coisas que não diríamos aquela pessoa se estivesse à nossa frente. Por pudor, por respeito, por ... não deixamos de ter mais razão por isso, mas, muda completamente a maneira como nós percecionamos a experiência de quem está à nossa frente.

Qual é a importância do sentido estético na vossa vida?

Acho que... quer dizer... Aqui o Gonçalo é bastante importante. Gentleman"s league, a roupinha, o fatinho... não. É uma importância saudável.

Não sabia que ia haver câmara...

Eu acho que nós gostamos de estar bem. Acho que as nossas casas... nós temos bom gosto e algum conforto...

Acho que a estética é importante. Nós não somos muito vaidosos, acho eu. Mas, na nossa vida.. eu vejo tudo o que fazemos, tudo o que faço e tudo o que fazemos como um exercício de narrativa. Enquanto espécie é isso que nos distancia, é a capacidade de passar conhecimento de um lado para o outro através de Storytelling, e para mim, a estética é uma parte importantíssima dessa narrativa. Em tido o que eu faço profissionalmente sente-se uma preocupação estética invulgar. Mas, não é, para mim, diferente de todas as outras. Eu acho que a maneira como nos comportamos, mesmo entre nós socialmente, ou no nosso trabalho, a estética tem um poder enorme de passar uma passar uma mensagem. E eu, como ... como quem trabalha em política...

Já no meu trabalho quem trata da estética não sou eu. Eu fico lá quietinha, vestem-me, fazem-me, não sei o quê, montam o cenário, e eu só tenho de fazer.

Mas é engraçado que ainda à bocado estávamos a falar do vestido, do pavão, e é engraçado.. eu ainda não tinha ouvido esta história, mas a tua história sobre o vestido do pavão acaba por condensar uma data de coisas que foram ... que deram forma ao projeto. O facto de querem fazer uma cosia aproximada, mas, não aproximada o suficiente, o facto de haver uma noção, uma importância subliminar e de uma metáfora sobre o que era aquela mulher e aquela situação, portanto, há claramente uma noção e um olho estético..

Sim, sim. Então da Patrícia é muito ... ela tem um olho muito dela e vê-se muito bem neste filme. Que é dela, que vem dela. Que é a forma como ela filma.

E o vestido é belíssimo. Por alguma razão ele ficou... não diria atravessado...

Mas adoro a decisão. O facto de ser uma das poucas coisas que tinham uma imagem que podiam copiar à letra e escolheram não o fazer. Acho que é uma disciplina e um rigor... lá está, queriam que fosse um filme que é não documental. Portanto, é uma história exemplifica muito bem...

Acho que o filme está muito nos detalhes, nos pequenos detalhes, nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, não é? Nos olhares, na forma como as pessoas se olham. Aquela fotografia, por exemplo, que é ... julgo que ser das únicas se não a única mesma...

Eles de mão dada? Foi na receção do Presidente. Do Carter. Que é a que dá a fotografia do cartaz.

De facto, é o único gesto público.

Sim, eu imagino que, para ela, estas cerimónias protocolares fossem um sítio de grande desconforto. Já ele... não era assim tão desconfortável para ele, pelo contrário. Eu imagino sempre esse momento com aquela coisa de proteção, eu tomo conta de ti, relaxa, está tudo bem.

Até porque ele tinha problemas de saúde e tudo isso devia pesar naqueles momentos em que era preciso ter uma postura mais institucional e mais pesada. O Gonçalo quer explicar melhor quando se refere às campanhas políticas? O que é que faz em concreto..

O que eu sempre fiz foi narrativa. Como é que se conta uma história. Como é que se faz que alguém que esteja do outro lado olhe para um facto da maneira que nós achamos que seja importante, e que se sinta inspirado ou a fazer alguma coisa por causa disso. E, eu comecei com marcas. Trabalhei com muitas marcas ao longo de muitos anos. e rapidamente acabei a gravitar para a área da política onde trabalhei, no caso do Obama e de Hilary Clinton, fazia gestão das equipas de Get out the vote em Estados específicos, normalmente em swing states. Basicamente treinava, geria, centena de voluntários sobre como é que eles podiam fazer o trabalho de porta a porta, o trabalho de telefonemas e convencer pessoas a votar num lado e não votar no outro. No caso de campanhas de países mais pequenos como o nosso, fui desde responsável do voto jovem até responsável de comunicação digital do Governo de Portugal, até estratega da campanha globalmente. Quer dizer, já fiz um bocadinho de tudo nas últimas eleições. Fiz cinco eleições diferentes. E, portanto, depende um bocadinho do que é. E também não tenho esquerda direita.

Este é um ano eleitoral. Tem projetos?

Eu sempre que acabo um ano de eleições em Portugal juro que nunca mais volto a fazer campanhas em Portugal.

Portanto ainda está nessa fase da jura?

Ainda estou nessa fase da jura. O que vai acontecer é, se houver algum que me liga e que eu quero ajudar... eu não tenho esquerda direita, mesmo na minha vida pessoal, não faço essa ... acredito em pessoas, em candidatos. E, se acho.. só não faço campanhas para pessoas que eu acho que vão fazer um mundo melhor para as minhas filhas.

Um mundo pior para as tuas filhas.

Se eu acho que vão fazer um mundo pior para as minhas filhas não faço a campanha.

Disseste um mundo melhor. Desculpa, isto tem de ser explicado.

Ah, não, não. Isto tem de ser clarificado. Não, que vão fazer um mundo pior para as minhas filhas. E se achar... mesmo que inconscientemente, se achar que são pessoas perigosas... quando uma pessoa tem filhos muito novos... eles ainda não sabem o que é que vão ser. Mas sei se eles vão ser bancários, criativos, homossexuais, heterossexuais, transsexuais... não sabemos nada. E, portanto.

Nem eles.

Nem eles. E acho que a única maneira responsável é entregar-lhe um mundo em que essas opções todas elas estejam á sua disposição da mesma maneira. Os nossos filhos ou os dos outros, ainda podem ser muita coisa. Mais vale poderem ser essas coisas em paz.

Respeito, agora, por falar nisso, respeito, autoestima, autovalorizarão. Estas três coisas foram coisas que a Inês sublinhou numa entrevista que deu, como talvez os valores mais importantes que gostaria de passar ao seu filho.

Ao meu filho.

Porque foi isto que lhe passaram a si? Ou?

Sim, acho que temos uma tendência a repetir, como pais, aquilo que foi feito connosco. Pelo menos aquilo que nós gostámos que foi feito connosco. O que nós não gostámos tentamos não repetir. Também o altruísmo... esta coisa de ele perceber que é privilegiado, em relação a outras crianças e outras pessoas, e que tem de fazer alguma coisa em relação a isso... eu faço voluntariado na Santa Casa da Misericórdia, numa casa de acolhimento e já o levei lá.

E ele entende?

Ficou com um bocadinho de ciúmes das crianças. O que é que estás a fazer ao colo da minha mãe? Como é que conheces tão bem a minha mãe? Mas acho que... acaba por perceber, fica lá qualquer coisa.

E a mãe que aparece na televisão? É o quê para ele? como é que ele lida?

Ele não vê. Eu acho que pela primeira vez... eu vou começar uma novela para o mês que vem, que estreia em setembro, na SIC, e é a primeira vez que o vou deixar ver. Acho que já está na idade. Já me pediu, com calma. Mãe, já chega, eu já não sou nenhum bebé. Disseste sempre que eu não tinha idade, toda a gente vê. Eu disse, "então vá".

Sim, porque chega à escola e depois as pessoas comentam.

A próxima novela eu deixo-te ver. Mas eu achei mesmo que era muito cedo. Até agora. Achei que havia ali temas que não eram para a idade dele. Agora já me interessa os temas que sejam discutidos e que ele faça perguntas, mesmo que não sejam para a idade dele.

E sempre que fala publicamente, pesa saber que ele pode estar a ouvir?

Sim.

Que há a possibilidade dele a ouvir?

Sim, sim. Noutro dia, a propósito de uma amiga nossa que ficou doente, com cancro, eu estava a pensar. Como é que eu geria isto. Se isso me acontecesse. E eu acho que, imediatamente, agarrava numa câmara e filmava mensagens para o meu filho. Mensagens de vida, sobre o amor, sobre o respeito pelo outro, sobre o dinheiro, sobre o sexo. Tenho a sensação que iria apetecer um testemunho para o acompanhar durante a vida toda.

Para a Inês o acompanhar durante toda a vida. Vamos ter de acabar, mas, antes de desligarmos as câmaras e os microfones, duas coisas. Perguntar ao Gonçalo se se imaginasse realizar um filme, que personagem é que vestia, que pele é que...

Sempre que me ponho a escrever, que é uma coisa que tenho imenso respeito e que não faço naturalmente bem, portanto é uma coisa que me dá trabalho, acabo por sempre por vê-la a ela no mesmo tipo de papeis. E, normalmente, é nos papeis de mulheres fortes, independentes, que a força delas não se vê numa ambição, mas vê-se numa generosidade e numa maneira de querer mudar o contexto à volta delas.

Bem sei que o Gonçalo não será nem Woody Allen nem o Almodovar ou o João Canijo, que era também um realizador com quem a Inês gostaria de

Boa pesquisa, boa pesquisa.

Gostaria de trabalhar, mas, não sei se esse papel poderia implicar uma mulher que, por exemplo, cantasse.

Eu não tenho muito alcance vocal. Por exemplo, para musical não dava. Para cinema, talvez.

Para cinema era mais fácil. Para musical ao vivo a Inês tem esta voz sexy que fica cansada

O único musical que eu fiz foi a Pipi das meias altas e senti mesmo que não tenho alcance vocal para esse tipo de trabalho. Quer dizer, se afinada e consigo cantar, mas num registo que não peça muito alcance vocal.

Aliás, já cantou ao vivo num espetáculo meu.

Tenho aulas de canto há muitos anos e sou afinada e consigo cantar. Agora mais virado para o jazz do que pró teatro musical.

Mas o cinema de facto que é mais protegido e é uma vez só, portanto a voz não cansa de repetir todas as noites a mesma coisa, é uma oportunidade gira. E, portanto, acho que é um ótimo desafio.

Portanto, olhe, fica aqui, isto assim no ar. Eu vou pedir à Inês para pôr os auscultadores que estão aí, ao seu lado, e o Zé Guerreiro, que está aqui, vai por a rodar uma coisa, que eu acho que vai identificar, e as pessoas também poderão ouvir, assim que a máquina nos ajudar e disparar.

Não estou a ouvir nada.

Agora sim.

É a miúda que ganhou os Ídolos. Ai, é tão bom. Grace VanderWaal.

E conhece a música?

Acho que o refrão. (Inês Castelo Branco canta parte da música) Mas eu não tenho esta voz.

Esta miúda é incrível. Ela acabou por ganhar este programa.

Ela já gravou um disco, agora. Já cresceu um bocadinho. Ela tinha 12 anos

Isto foi escrito por ela. Esta música, com que vai à audição.

Ela deixou o júri colado à cadeira.

E a mim deixou-me em lágrimas, quando eu vi isto pela primeira vez. E é adorável. Eu gosto sempre das pessoas que têm um talento desmesurável, mas são muito humildes. Fico sempre parva. Como é que tu não tens noção de que tens esse tipo de talento? Acho que já vi sito para aí há dois anos. É a primeira vez que estou a olhar para a letra e a cantar esta música.

É um pré casting aí para ...

Não. isto teria de ser muito mais trabalhado. Mas, obrigada pela sugestão Teresa. Comecei a pensar em mim... um piano...um filme.

Então, pronto. As pessoas ficam com essa imagem enquanto vamos desligando aqui as máquinas, discretamente, vamos baixar as luzes.

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