Bom Jesus requalifica basílica a caminho da benção da UNESCO

A terceira e última fase da obra, que se iniciará dentro de dias, incidirá na nave central, para conservação e restauro de frescos e recuperação do órgão de tubos.

No santuário do Bom Jesus as obras de recuperação da basílica estão prestes a entrar na terceira e última fase, como parte de um caminho que se espera levar à classificação do monte sagrado de Braga como Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Quando estiverem prontas, lá para o verão, as obras vão permitir abrir espaços que até agora nunca estiveram acessíveis ao público. É o caso do coro alto e de uma das torres sineiras que, degrau a degrau, hão de revelar, lá cima, uma nova perspetiva da paisagem, que se estende muito para além do escadório, do funicular e da mata que também fazem parte da estância religiosa.

"É uma obra colossal", orçada em 3 milhões de euros, iniciada em junho do ano passado, que já interveio na capela do Bom Jesus e no altar-mor, onde se representa a cena do calvário e transepto da basílica, transformada em estaleiro e com visitas condicionadas. "Foram feitas todas as limpezas, reintegrações e conservação dos tetos, das pinturas, da pedra, das madeiras e já estamos na fase de desmontagem de andaimes para depois passarmos para o pavimento", detalhou Varico Pereira, vice-presidente da Confraria do Bom Jesus.

A intervenção, uma das maiores de que há registo, revelou alguns "tesouros escondidos", nomeadamente "paramentaria, quadros e peças de arte religiosa com valor artístico e simbólico para o Bom Jesus", património que "decidimos valorizar, criando espaços de exposição que enriquecerão a experiência de visita a quem nos procura", revelou.

A terceira e última fase da obra, que se iniciará dentro de dias, incidirá na nave central, para conservação e restauro de frescos e recuperação do órgão de tubos.

A empreitada faz parte de um caminho "que começou em 1998 com um grande projeto de requalificação de todo o parque e ao longo destes anos calculamos em cerca de 20 milhões de euros, à moeda de hoje, o valor investido no Bom Jesus, incluindo não só a intervenção na requalificação das zonas públicas, dos parques de estacionamento e arruamentos, do património religioso, dos escadórios e agora também da basílica mas também as obras de requalificação dos quatro hotéis que existem na estância, para além das intervenções na mata e nos jardins", estima Varico Pereira.

Um investimento que pretendeu qualificar aquele lugar, que recebe um milhão de visitantes por ano, "de maneira a que esta candidatura a Património Mundial tenha o maior sucesso possível, indo de encontro aos pressupostos que é necessário cumprir num processo destes", acrescentou.

O que falta então para que a UNESCO declare o Bom Jesus de Braga como Património Mundial? "Já faltou mais. Estamos numa fase muito importante, em que nos aproximamos de uma decisão final. Esperamos que possam ver na candidatura do Bom Jesus aquilo que nós vemos aqui com os nossos olhos, um património que é de todos, que é já da Humanidade. Falta-lhe apenas o selo", afirma.

A candidatura do Santuário do Bom Jesus do Monte a Património da Humanidade da UNESCO, na categoria Paisagem Cultural, foi entregue em janeiro de 2018, encontrando-se atualmente em avaliação pelo ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios). A decisão final será tomada no final do ano em reunião do Comité Intergovernantal para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

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