Trás os montes

De uma peneira fez a primeira guitarra portuguesa e nunca mais parou

Armando Pereira é um autodidata. Começou a fazer guitarras portuguesas há cerca de três anos e meio, logo depois de se reformar. Trabalhou mais de 45 anos na função pública, profissão que acumulou com a de fotógrafo. Hoje preenche os dias a fazer instrumentos musicais e a guitarra portuguesa é a rainha deste luthier (nome dado aos construtores de guitarras).

Armando Pereira sempre teve uma "queda" para a música e para os trabalhos manuais, tanto que aos 14 anos idealizou "a partir duma peneira velha que a mãe lá tinha, na aldeia", uma guitarra. Andou com ela "até perto dos 25 anos".

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Poucos anos mais tarde decidiu fazer "uma coisa" que misturou um cavaquinho com uma guitarra com cordas da portuguesa. "Era para acompanhar um grupo de concertinas. Não lhe dei um nome. Tive que lhe fazer uma afinação diferente. Não a tenho comigo, dei-a a um primo", salienta.

Depois de se reformar começou por fazer um cavaquinho. Mostrou-o e logo lhe pediram encomendas. "Faço cavaquinhos que são os que saem mais, bandolins, violas e guitarras portuguesas, que são as que gosto mais de fazer, pela sonoridade e forma".

Começou por fazê-las com madeiras nacionais, principalmente a partir das raízes de nogueira mas agora só "faço com madeiras de primeira, todas importadas". O construtor que já tinha um estúdio de fotografia chamado ARPER, sílabas do nome Armando Pereira, quer continuar com a sigla nos instrumentos que faz. É ali no estúdio de fotografia e agora ateliê, na rua do Loreto em Bragança que termina o processo. "A parte mais grossa de cortar e moldar as madeiras faço em casa, depois aqui dou-lhe os últimos retoques".

Quando o visitámos, Armando Pereira estava a terminar uma guitarra portuguesa "que vai ficar muito linda", salienta, mas está a dar-me muito trabalho. Só para lhe por o verniz é preciso 30 ou quarenta "de mão" para que fique bem. As industriais levam três ou quatro. Uma guitarra portuguesa pode demorar mais de uma semana a fazer".

Depois de feitas e entregues ao comprador, Armando dá assistência durante dois anos. " É como um carro, de vez em quando têm que ir à revisão". O transmontano, natural de Vilar Chão, no concelho de Alfândega da Fé, promete deixar a sua marca "ARPER" nas guitarras portuguesas, principalmente porque diz: "É uma paixão que tenho. É o maior prazer que tenho nesta vida é fazer estes instrumentos".

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