Júlio Verne, Sherlock Holmes, Indiana Jones e... Mr. Link

Com 2,40 metros, 290 quilos e uma grande personalidade a condizer, Mr. Link é um dos protagonistas da nova aventura dos Estúdios Laika, que estreia esta quinta-feira. O realizador esteve em Lisboa e conversou com a TSF.

"Mr. Link" é a quinta aventura em stop-motion dos Estúdios Laika , depois de "Coraline", "ParaNorman", "Boxtrolls - Os Monstros das Caixas" e "Kubo e as Duas Cordas".

Desta vez, a animação aproxima-se mais do mundo real do que do fantástico, embora se inspire em filmes de aventuras como a saga "Indiana Jones" e livros como "A Volta ao Mundo em 80 Dias" e "As Aventuras de Sherlock Holmes".

O filme, escrito e realizado por Chris Butler, conta a história do carismático Sir Lionel Frost, que se considera o maior investigador do mundo de criaturas mitológicas e monstros, mas tarda em ser reconhecido pelos seus pares. Um dia, recebe uma carta misteriosa que o leva até aos Estados Unidos em busca de uma criatura que pode ser o "link perdido" na evolução do Homem.

Uma comédia e um filme de aventuras, "Mr. Link" é também uma história de amizade entre uma dupla improvável.

Qual foi a inspiração para o filme?

A inspiração vem de muitas coisas que adorava em criança: Indiana Jones, Sherlock Holmes... Sempre pensei num encontro entre o Indiana Jones e o Sherlock Holmes com as criaturas de Ray Harryhausen à mistura. Veio definitivamente desses grandes filmes de aventuras que eu adorava em miúdo.

Neste caso o protagonista é um aventureiro mas também tem qualquer coisa de cientista. Gosta de ciência?

Sim! Sim, sou um homem da ciência porque é incrível. Adoro qualquer coisa que nos faça pensar. Adoro que o Sir Lionel seja tão apaixonado pelas suas investigações. Gosto de alguém que seja realmente apaixonado por aprender.

Também estudou muito para fazer este filme? Leu muito?

Muitos livros. Eu sou um leitor voraz e adoro a era vitoriana. Tenho em casa milhares de livros sobre os tempos vitorianos, livros de imagens, velhas fotografias e muita coisa relacionada com o Sherlock Holmes. Uma grande inspiração para este filme foram também muitas revistas antigas da National Geographic. Quis inspirar-me naquelas imagens ricas, brilhantes e cheias de cor de meados do século XX e também no trabalho do fotógrafo Steve McCurry. Ele fez retratos multiculturais de todo o mundo e fê-lo para a National Geographic.

Estou enganada ou também há ali qualquer coisa de Júlio Verne e do livro "A Volta ao Mundo em 80 Dias"?

Sim, culpado! Também foi baseado nisso. Penso que, ainda numa primeira fase, numa conversa com o produtor Travis Knight, o visualizei como se o realizador David Lean filmasse "A Volta ao Mundo em 80 Dias" com o Laurel Hardy como protagonista.

É a primeira vez que os estúdios Laika criam um filme, digamos, histórico?

"Boxtrolls - Os Monstros das Caixas" passa-se mais ou menos na mesma época mas é fantástico, não é o mundo real. E "Kubo e as Duas Cordas" também é passado, mas mais uma vez fantasia. Este é suposto ser o mundo real.

Embora se mantenha fiel ao que o estúdio tem produzido...

Sim, mas acho que isso faz parte de qualquer filme para crianças. Queremos levar o público numa aventura que tem um pouco de magia.

Hugh Jackman, que dá voz a Sir Lionel Frost, foi a sua primeira escolha?

Foi a minha primeira opção. Aliás, escrevi grande parte do personagem com ele em mente e os primeiros esboços que fiz de Sir Lionel foram baseados nele.

E o resto do elenco?

Tive sorte porque normalmente nestes filmes criamos uma lista de quem imaginamos nestes papéis e eu fui muito sortudo porque consegui praticamente todos os atores que queria.

E quanto à produção do filme? Quanto tempo demorou entre as primeiras ideias e o momento em que diz "ok, está pronto"?

No total, foram uns cinco anos... Muito tempo, mas eu até o comecei a escrever antes disso, acho que as primeiras ideias me surgiram há uns 15 anos. Portanto, depois houve um ano para desenvolvimento, um ano de pré-produção, dois anos de rodagens, o que é muito longo, e alguns meses de pós-produção que terminaram há poucas semanas. Foi o nosso maior número de cenários e localizações. Acho que houve mais de 50 locais diferentes e disseram-me que eram mais de uma centena de cenários espalhados por 91 ou 92 unidades. Uma unidade é aquela pequena área com uma cortina onde os animadores trabalham e podem estar a trabalhar com o cenário completo ou apenas uma parte, e nós tínhamos 92 dessas unidades quando estávamos no pico da produção.

E é um processo que vai crescendo? Há sempre a tentação de acrescentar mais detalhes? No genérico final a cena da selva dá essa ideia...

Bem, em todos os filmes temos nós chamamos-lhe o "botão" que é uma espécie de ponto alto dos bastidores e cada vez que fazemos um, tentamos fazê-lo cada vez mais impressionante. Este foi incrível! Ollie Jones, que de certa forma criou o conceito, baseou-o num plano do filme mas é como se estivéssemos a ver a filmagem de um momento do filme a acontecer à nossa frente.

E cinco anos depois, o que se segue?

As minhas expectativas... Eu quero que as pessoas vão ver o filme e se percam neste mundo. Fazemos estas coisas porque queremos contar uma história, queremos que as pessoas vejam estas personagens no ecrã
e se apaixonem por elas, se preocupem com o que lhes acontece. Não queremos que olhem para o ecrã e pensem em como é feito ou algo desse género, só queremos que gostem da história. Acho que trabalhar em algo assim, durante tanto tempo, de certa forma esquecemos a certa altura que vai ficar pronto. A certa altura deixa de ser nosso e passa a ser de toda a gente. Só terminei o filme há umas semanas e o sentimento é estranho, sinto como se tivesse de continuar a trabalhar nele, mas agora as pessoas já começaram a vê-lo. Por isso, estou satisfeito que esteja pronto, estou muito orgulhoso, mas é um sentimento estranho.

E há planos para uma sequela? Ou várias?

Sim, acho que aquele final... foi o final perfeito para um filme sobre amizade e que é o início de algo. Eu adorava que existissem mais aventuras, adorava. Espero que o público se apaixone tanto por estas personagens como eu. Não há planos para já, mas penso que se o filme tiver sucesso e as pessoas assim o quiserem, eu estarei disponível.

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