Livros

Março, um mês negro para as livrarias

No mês em que se anuncia a morte de três livrarias, a Manhã TSF toma o pulso ao negócio dos livros em Portugal.

Até ao final de março, há três baixas de peso para os leitores portugueses. No espaço de um mês, fecham portas três livrarias independentes - a Pó dos Livros, em Lisboa, a Leitura, no Porto e a livraria Miguel de Carvalho, em Coimbra.

Esta última vai continuar na Internet, mas a casa que anima a cidade encerra este mês. Miguel de Carvalho, o proprietário, explica que são já poucos os leitores que procuram a Baixa de Coimbra para abastecer prateleiras.

No armazém de livros que tem na Figueira da Foz, o livreiro pensa abrir uma pequena livraria, mas Coimbra perde o espaço perto da Praça de Comércio, casa de cultura.

Há dois anos, Lurdes Paiva abriu a Gostar de Ler. Na Rua Mártires da Liberdade, no Porto, Lurdes escolhe cada livro que tem na livraria com todo o cuidado.

"Quando se ama, as coisas vêm ter connosco e nós com as coisas; não sabemos bem quem pertence e quem é o primeiro", explica.

Na Gostar de Ler há livros usados e antigos e leitores à procura deles.

"O livro não pertence a ninguém", defende, "creio que são mais as pessoas que pertencem aos livros porque lhes dedicam tempo, acarinham, passam com eles horas e horas". Depois, por circunstâncias da vida, regressam às prateleiras à espera de novos donos.

A Calçada do Combro, em Lisboa, é conhecida pelos alfarrabistas. O repórter Miguel Videira visitou a Nova Ecléctica.

Alfredo Gonçalves, fundador, considera que o negócio não está a morrer. "Se for honesto, ainda tem procura", garante.

Dá-lhe gozo procurar livros difíceis a pedido dos clientes, cultiva um público fiel, que já vai na segunda geração e nem põe tableta na porta. "É para vir cá quem sabe. Dá-me prazer pessoas que sabem o que querem", revela Alfredo Gonçalves.

Na manhã em que se evocam livros, livreiros e leitores, Manuel Mozos foi também convidado. Este mês chegou aos cinemas "Ramiro", o mais recente filme do realizador português. Ramiro é precisamente um alfarrabista de Lisboa, poeta bloqueado, homem frustrado, às vezes ausente, sempre disponível para quem dele precisa. Ramiro, personagem de uma cidade que progressivamente desaparece.

"Ramiro", de Manuel Mozos, está em exibição em Lisboa no Cinema Ideal e no El Corte Inglés, em Almada no Almada Fórum, em Coimbra no Alma Shopping e no Porto no Cinema Trindade e no Arrábida.

  COMENTÁRIOS