Moda

Nem tamanho 32, nem modelos com menos de 16 anos

Os gigantes da alta-costura vão excluir as modelos muito jovens ou demasiado magras. A TSF foi perceber que modelos se procuram na moda portuguesa.

As empresas que representam as principais marcas de alta-costura no mundo da moda estabeleceram um pacto.

Em vésperas da semana da moda de Nova Iorque, as empresas donas das marcas Givenchy, Yves Saint Laurent, Alexander McQueen, Marc Jacobs, Thomas Pink, Fendi, Stella McCartney e Louis Vuitton assumiram o compromisso de acabar com os tamanhos demasiados pequenos e com a utilização de modelos com menos de 16 anos.

Também a LVMH e a Kering , dois gigantes da alta-costura assinaram a carta das relações laborais e bem-estar dos manequins. François Henri-Pinault, o presidente da Kering afirmou, em declarações à France Presse, que esta carta de princípios serve para acelerar as mudanças. Ele espera espera que outros atores do mundo da moda sigam o exemplo.

Em Portugal, as agências de modelos recrutam atualmente jovens com 15 anos, mas António Romano, diretor da Central Models, afirma que só a partir dos 17 anos entram no mercado de trabalho.

António Romano defende que "15 anos ainda é muito cedo para se começar a trabalhar" e explica que o período de formação demora em média dois anos.

O diretor da Central Models considera que não se pode pôr em causa o equilíbrio físico e emocional das jovens em crescimento. "Em temos idos, a Central Models procurava meninas a partir dos 14 anos, há cerca de 15 anos decidimos colocar os 15 anos como idade mínima para começar o agenciamento".

António Romano dá o exemplo de Sara Sampaio: "Vi-a num concurso da Central Models, cuja idade mínima era 15 anos, mas ela apresentou-se com 14". O responsável da Central Models diz que esperou que Sara fizesse 15 anos para iniciar o agenciamento.

Entre razões pelas quais a indústria internacional da moda está a procurar a mudança prende-se com os casos de anorexia, uma questão que o diretor da Central Models acredita já está ultrapassada. "Essa situação foi muito debatida, felizmente já foi ultrapassada, chegou-se a extremos bombásticos no início do século com agências de modelos em Inglaterra à procura de doentes com anorexia à porta dos hospitais, mas felizmente essa situação foi ultrapassada", acredita António Romano.

A tendência mais recente é o recurso a manequins muito jovens "porque as meninas extremamente novas são naturalmente mais magras do que as meninas que têm 20 anos", revela o diretor da Central Models.

António Romano deixa ainda um sublinhado: "quanto menos personagens ridiculamente magras, melhor!". Em causa, defende, está o perigo de mimetismo.

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