O dia em que os sinos de Sintra tocaram para celebrar o Património

Foi há 20 anos que Sintra recebeu a classificação de Património Mundial - Paisagem Cultural pela UNESCO. Edite Estrela, a Presidente da Câmara na altura, recorda à TSF as memórias desse dia.

Às 11 horas e 5 minutos do dia 6 de dezembro de 1995, em Berlim, o Comité do Património Mundial da UNESCO atribuía a Sintra a classificação de Património Mundial, com a recém-criada categoria Paisagem Cultural.

A jornalista Joana Carvalho Reis conversou com Edite Estrela sobre as memórias que guarda do dia em que Sintra foi classificada Património Mundial

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20 anos passaram, mas para Edite Estrela as memórias são "muito vivas e inesquecíveis". No ano anterior, tinha sido eleita Presidente da Câmara. O processo da candidatura de Sintra a Património Mundial já tinha começado seis anos antes, iniciado por Victor Serrão e depois continuado por José Cardim Ribeiro. Ao longo desse período houve avanços e recuos. Em 1994 a candidatura chegou mesmo a ser entregue, mas acabou por ser retirada porque não reunia as condições necessárias.

Edite Estrela pôs mãos à obra. "Tive apenas um ano para se preparar de novo a candidatura e se elaborar um dossier e se recolherem apoios nacionais e internacionais". A antiga autarca lembra que, na semana que antecedeu o anúncio da decisão da UNESCO, "houve uma grande expectativa, alguns receios, mas de facto correu tudo muito bem".

Finalmente, a 6 de dezembro de 1995, Sintra tornava-se Património Mundial, numa categoria que valoriza a harmonia entre o património natural e o património construído. A classificação Paisagem Cultural reconhecia "a considerável influência que Sintra exerceu durante um longo período" em termos culturais e artísticos, a "personalidade", representativa de vários períodos da História da Humanidade e a "singularidade como lugar de habitat característico de uma cultura específica".

O decisão foi anunciada na 19.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, que decorria em Berlim. Edite Estrela recorda os primeiros telefonemas feitos, numa altura em que "ainda não havia telemóveis como agora, os poucos que havia eram muito pesados". Antes de tudo, foi preciso avisar a Câmara. "Tínhamos combinado uma série de diligências que deveriam ser feitas, designadamente que os sinos de todo o concelho de Sintra tocassem em simultâneo para manifestar em uníssono a sua satisfação e anunciarem a boa nova aos munícipes".

Outro dos telefonemas feitos foi para Mário Soares, que fazia anos no dia seguinte. "Brinquei com ele dizendo: Olhe tenho um presente de aniversário antecipado para lhe comunicar", recorda Edite Estrela. "Foi um dia especial, que deixou marcas indeléveis".

Sobre o que Sintra ganhou com a classificação da UNESCO, a antiga autarca não tem dúvidas. "Ganhou visibilidade internacional, ganhou prestígio, ganhou ficar inscrita nos roteiros de turismo cultural... e eu pude testemunhar isso, por exemplo agora, quando estive no Parlamento Europeu, todos os meus colegas conheciam a magnífica Sintra. (...) Não é fácil quantificar os benefícios até porque eles vão-se prolongando no tempo".

Por isso, não hesita: "Toda a gente reconhece que valeu a pena. Não apenas benefícios que daí advieram para a população, mas também para o próprio país, o facto de ter mais um sítio classificado Património Mundial".

20 anos depois, o Futuro

Preservar, valorizar e comunicar. É este o caminho que Sintra quer seguir. João Lacerda Tavares, diretor do gabinete de Património Mundial de Sintra, diz que "os desafios são permanentes. Uma classificação é sobretudo uma dinâmica que não se conquista apenas com a candidatura, como foi há 20 anos, nem com o estado de maturidade que ela hoje atinge".

Para o responsável, os desafios são permanentes num sítio classificado como Património Mundial, uma marca muito disputada

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É preciso, por isso, fazer mais. "Os objetivos, a partir de agora, além de uma melhoria constante, são uma grande atenção relativamente à divulgação do Património, à interação com a comunidade, mas sobretudo à dinamização que candidatura há 20 anos teve".

O gabinete de Património Mundial de Sintra faz parte dessa estratégia. Criado há cerca de 3 meses, trata-se de uma plataforma de interação entre o município, a Parques de Sintra (empresa responsável pela gestão de parques e monumentos da vila) e a comunidade.

João Lacerda Tavares explica os objectivos deste novo gabinete em Sintra

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João Lacerda Tavares explica que o objetivo desta estrutura é criar um "debate de ideias sobre a gestão e a reabilitação do Património". Um "modelo único em Portugal", que funciona também como um garante da preservação da Paisagem Cultural de Sintra e do cumprimento das regras estabelecidas pela classificação.

Sintra vai ter um centro UNESCO. Para João Lacerda Tavares, um sinal de confiança

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Apesar do pouco tempo de funcionamento, o gabinete já teve resultados. A UNESCO convidou o município para a criação de um centro da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, com o objetivo de promover os valores proclamados por ela proclamados. "Um sinal de confiança", diz o responsável.

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