"Os Cinco Pilares da PIDE". Irene Pimentel diz que "não foram meros executores, foram mentores"

A historiadora Irene Flunser Pimentel regressa à história da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) para a contar através de cinco das figuras mais marcantes da polícia política da ditadura, no livro "Os Cinco Pilares da PIDE".

Nesta obra, Irene Flunser Pimentel acompanha a evolução da PIDE com um enfoque particular sobre num dos seus principais elementos, considerado o "número 2", e "para alguns o verdadeiro chefe dessa polícia", Agostinho Barbieri Cardoso. O livro destaca, ainda, o percurso do diretor dos Serviços de Informação Álvaro Pereira de Carvalho, o "tarimbeiro" António Rosa Casaco, que atravessou vários cargos e várias eras na polícia política, o operacional Casimiro Monteiro e o diretor dos Serviços de Investigação José Barreto Ferraz Sacchetti Malheiro.

"Acho que é fundamental falarmos das pessoas, de que forma é que elas marcaram e foram marcadas pelo seu próprio trabalho na polícia política", diz Irene Pimentel.

Irene Pimentel justifica a escolha dos cinco elementos com o facto de querer falar de Barbieri Cardoso por ser considerado "a principal figura da PIDE", Sacchetti e Pereira de Carvalho por estarem à frente, respetivamente, dos serviços de Investigação e de Informação, Rosa Casaco por não só ter estado "em todos os setores da PIDE", mas também por ter chefiado a brigada que foi a Espanha matar o general Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos, e Casimiro Monteiro, condenado pelo assassinato dos dois últimos e responsável pelo envio da bomba que matou o presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane, em Dar-es-Salam.

Como é sublinhado no livro, a PIDE/DGS foi "um instrumento central de um regime político oligárquico, longamente assente na chefia ultracentralizada de um ditador", tratando-se de uma "polícia que sempre defendeu o regime, cujos diretores funcionaram enquanto correias de transmissão de Salazar, que conhecia a sua atuação e confiava nela".

Questionada sobre a importância de trazer para o presente o conhecimento acerca de acontecimentos e figuras do Estado Novo, cada vez mais distantes no tempo, Irene Pimentel responde que o que pode fazer, perante "negacionismo, revisionismo e sobretudo confusões" sobre o passado, "é contribuir para diminuir as confusões e explicar através da investigação com um pouco mais de complexidade o que é que aconteceu".

"Se a história não ensina, até porque não se repete da mesma forma, ou se não ensina o que gostaríamos que ensinasse, pelo menos tenho a certeza de que será muito pior se desconhecermos o passado porque aí repetimos mesmo [os erros] ", afirma a historiadora.

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