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Parabéns, Tintin: 90 anos de aventuras, mas também polémicas

Noventa anos depois da sua primeira aparição, leitores de todas as idades continuam a ler as aventuras de Tintin.

Com a sua poupa loira, Tintin ainda parece um jovem, mas a verdade é que já celebra 90 anos.

No dia 10 de janeiro de 1929, Tintim entra num comboio com destino a Moscovo. Era a primeira aventura do agora mundialmente famoso repórter, publicada pela primeira vez no Le Petit Vingtième, suplemento semanal do jornal belga Le Vingtième Siècle.

"Tintin no País dos Sovietes" foi editado em livro em 1930, mas só 69 anos depois integrou a coleção de banda desenhada criada por Hergé. Talvez pelas várias polémicas que foi alvo durante a Guerra Fria, talvez porque o simpático jornalista não era tão amistoso com os comunistas.

O primeiro livro da coleção foi, até 1999, "Tintin no Congo", um livro também ele marcado pela polémica.

Em 2007, o ativista congolês Bienvenu Mondondo iniciou procedimentos legais para retirar das livrarias o livro lançado em 1931, argumentando que retratava os africanos de forma racista.

A justiça belga acabou por decidir que não havia provas de que Hergé, que morreu em 1983, tenha tido intenção de incitar ao racismo. A história tinha como palco uma ex-colónia belga e foi escrita num tempo em que prevaleciam ideias colonialistas, argumentou o tribunal.

"Tintin no Congo" vai voltar a ser alvo de debate esta quinta-feira no museu Hergé em Louvain-la-Neuve, na Bélgica.

Noutras histórias, como "O Lótus Azul" (1936), Tintin surge discursa de forma apaixonada contra o racismo. Este livro marca também o início de um estilo próprio, marcado pelo humor, suspense e relevância política ou histórica.

Só durante a Segunda Guerra Mundial, e sujeito à ocupação nazi, Hergé foi obrigado a pôr os temas políticos de lado. Nascem assim "O segredo do Licorne" (1943) e "O Tesouro de Rackham, o terrível" (1944), em que os vilões são piratas.

Depois da guerra Hergé compôs uma equipa de trabalhadores e recomeçou o trabalho em força, com o lançamento da revista "Le Journal de Tintin". Ao longo da vida escreveu e ilustrou 24 livros, um deles publicado postumamente.

Os livros da coleção "As aventuras de Tintin", venderam mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo e estão traduzidos em mais de 50 línguas, incluindo esperanto e latim.

Tintin foi também estreia no pequeno e grande ecrã, mais recentemente em 2011, em "As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne", de Steven Spielberg, que chamou a Hergé a sua "alma gémea".

Hergé, nascido Georges Remi deu vida a um grupo de personagens caricato, mas não impossível. Muitas eram inspiradas em pessoas reais e há quem diga que Tintin era uma personificação do irmão do ilustrador, facto que nunca ficou confirmado.

Antes de ser repórter, Tintin teve uma primeira vida como Tortor, em 1926, um escuteiro em tudo semelhante ao repórter, com exceção do uniforme.

Além do companheiro de sempre, o terrier branco Milu, Tintin conta com a ajuda cómica dos incompetentes gémeos Dupond e Dupont e com a amizade leal do capitão Haddock.

Há várias teorias sobre a origem do nome do capitão impulsivo, dado a acidentes e sempre pronto para um copo de whiskey. Uma delas conta que Hergé perguntou à mulher o que era o jantar. "Haddock", respondeu ela, "um peixe inglês triste".

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