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Novo diretor artístico de Serralves já está a ser selecionado

João Ribas saiu de Serralves em setembro, alegando que a sua autonomia estava a ser desrespeitada.

O processo de seleção de um novo diretor artístico para o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, com um "currículo internacional reconhecido, está em curso", avançou na quarta-feira o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

"O processo de seleção de um diretor artístico com um currículo internacional reconhecido já estará em curso neste momento", declarou Rui Moreira, que esteve a representar a Câmara Municipal do Porto na reunião anual do Conselho de Fundadores de Serralves, que decorreu esta noite no Porto, onde foi eleito Emílio Rui Avelar para novo presidente do Conselho de Fundadores de Serralves.

O anterior diretor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, João Ribas, demitiu-se em setembro da função que exercia, alegando "violação continuada" da sua "autonomia técnica e artística", e porque "nenhuma direção artística deve ser alvo de sistemáticas ingerências".

"Pelo que percebi, não haverá concurso, porque, para acelerar, presumo que seja uma dessas empresas de 'headhunters' [recrutadores] internacionais, especializada nesta matéria, o que não é anormal noutros museus. Não tem de ser um concurso tradicional", declarou Rui Moreira, acrescentando que depreendeu da reunião desta noite, com os fundadores de Serralves e com o Conselho de Administração, que a instituição "já está a trabalhar" para arranjar um novo diretor artístico.

O presidente do Conselho de Fundadores cessante, Luís Braga da Cruz, referiu que teria falado com alguns fundadores que tinham achado que não era urgente ter reunido, acrescentou Rui Moreira, que na altura da demissão de João Ribas pediu uma reunião urgente daquele órgão.

"O que tinha para dizer disse na altura e voltei a repetir hoje. Entendo que muito do ruído de fundo que sucedeu podia ter sido obviado se os fundadores cá tivessem vindo então dizer aquilo que disseram hoje (...), onde manifestavam uma preocupação que eu tinha tido em setembro. Se nós o tivéssemos feito, não só isso teria dado respaldo ao Conselho de Administração, como teria, acima de tudo, evitado um conjunto de rumores e dúvidas que até hoje se levantavam".

No discurso que Rui Moreira fez esta noite, o autarca referiu que Serralves não era uma "mera sala de acolhimento de uma fundação, um lugar sem pensamento próprio", e que a "separação de poderes era a pedra basilar" daquela fundação.

"Serralves sempre teve programas e projetos curatoriais claramente autorais, assumindo os gostos, a identidade e as visões artísticas dos seus sucessivos diretores, reservando-se ao Conselho de Administração as funções de gestão dos recursos necessários para a sua correta concretização", declarou Rui Moreira, acrescentando que a coerência da "separação de poderes poderá ter sido posta em causa com a recente polémica sobre a exposição Mapplethorpe".

Rui Moreira reiterou ser "urgente restituir à fundação a sua estrutura original, preenchendo as vagas diretivas" para regressar ao equilíbrio de gestão, a "tal separação de poderes" que vem defendendo e que durante "tantos anos tão bem funcionou".

A Fundação Serralves informou na quarta-feira, em comunicado, que o Conselho de Fundadores de Serralves aprovou a integração em 2019 de 19 novos fundadores, designadamente a ACA Engenharia, Antarte, Banco de Investimento Global, Bankinter, câmaras de Mirandela e de Vila Nova de Gaia, David Rodrigues Advogados, David Rosas, Fuste, Galeria Mário Sequeira, Inspauto, KPMG & Associados, Lucios, Prozinco, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Telles Advogados e Trade Game, SA.

No comunicado, não consta nenhuma informação sobre o processo de escolha por convite do novo diretor artístico para o Museu de Serralves, nem sobre os dois novos administradores que vão ter de substituir Manuel Cavaleiro Brandão e Vera Pires Coelho, que terminam este mês os seus últimos mandatos.

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