Konono ou uma palavra para o corpo quando morre

"Konono nº1 Meets Batida" é um dos destaques do cartaz desta sexta-feira. Um encontro entre os likembés eletrizante do grupo congolês e a pulsação rítimica de Pedro Coquenão.


Augustin Mawangu está de camisa, não tem casaco. Os Konono nº1 preparam-se para ir jantar, Augustin cruza os braços sobre o peito, num gesto que resume a explicação sobre o nome do single lançado em fevereiro: "Nlele Kalusimbiko quer dizer, aqui na Europa, toda a gente, pai, mãe, crianças, quando atravessam estações frias têm de vestir casacos, por causa do frio. Nlele Kalusimbiko é a roupa que nos protege do frio".

A repórter Isabel Meira à conversa com Konono nº1

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O álbum "Konono nº1 Meets Batida" nasceu de uma ideia da editora do grupo congolês, Crammed Discs, e foi gravado em Lisboa, na garagem de Batida, nome artístico do produtor luso-angolano Pedro Coquenão.

Os Konono nº1 são de etnia Bakongo, que vive na fronteira com Angola, e na língua "kikongo" a palavra konono serve para explicar a morte de alguém: o corpo fica rígido, imóvel, é essa posição em que fica o corpo, é isso konono", explica Augustin Mawangu.

Criado em 1965 pelo pai de Augustin, Mingiedi Mawangu, que morreu no ano passado, o grupo Konono nº1 é também sinónimo de likembé, o instrumento central na música congolesa: "o nosso folclore é o transe dos nossos antepassados que nos acompanha e nos dá inspiração. Quando toco likembé é como se não estivesse lá", exclama Augustin.

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