Mario Vargas Llosa acusa Pen Club de apoiar "movimento racista e supremacista"

O escritor vai abandonar a organização que presidiu durante três anos por discordar do apelo à libertação de independentistas catalães.

O escritor peruano Mario Vargas Llosa vai deixar o PEN Club Internacional, devido ao apoio prestado pela associação mundial de escritores ao movimento independentista catalão.

O prémio Nobel da literatura acusa o PEN Internacional de "mentiras e calúnias" sobre o Governo de Espanha a propósito do que diz ter sido uma "tentativa de golpe de Estado".

Num comunicado dirigido à presidente do PEN Internacional, a Jennifer Clement, e divulgado pelo ABC , Mario Vargas Llosa recorda que a luta da associação de escritores tem ficado marcada pela defesa dos direitos humanos, pelo que não entende o apoio manifestado a favor do movimento pela independência da Catalunha.

O escritor avisa que o centro catalão do PEN Club tem vindo a realizar uma "campanha internacional de distorção da verdade! ao apresentar Espanha como um país que atropela a liberdade de expressão e que mantém presos escritores críticos e dissidentes.

Em causa está a declaração feita na segunda-feira, em Barcelona, pela presidente e pelo diretor executivo do PEN Internacional, que pediam a libertação dos presos políticos Jordi Cuixart e Jordi Sànchez. Foi assinada por 14 clubes PEN em todo o mundo, incluindo o português

O escritor peruano lamenta que o PEN Internacional tenha abandonado a tradicional postura de imparcialidade que o caracteriza para "apoiar de forma moral e institucional um movimento racista e supremacista".

Mario Vargas Llosa foi presidente do PEN Internacional de 1977 a 1980 e até agora era presidente emérito da entidade.

José Eduardo Agualusa foi um dos muitos escritores de todo o mundo que assinaram o pedido de libertação dos independentistas catalães. A saída de Vargas Llosa não o surpreende, diz à TSF.

O escritor angolano garante que a entidade sempre teve uma postura a favor da liberdade de expressão. "A liberdade de expressão não é a que nós interessa a nós, mas também aquela que vai contra as nossas ideias", lembra. "Não consigio preceber o argumento" de Vragas Llosa.

Admitindo que o Nobel peruano é um "grande escritor", que o influenciou no plano literário, José Eduardo não concorda com a sua posição contra o movimento pela independência da Catalunha.

Decidiu assinar a declaração do PEN internacional, diz, porque "a Espanha tem presos políticos".

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