Há degustação musical em São Roque. O maestro da prova é Martim Sousa Tavares

O maestro Martim Sousa Tavares conduz um ciclo de encontros de apreciação musical no Museu de São Roque, levando o público à descoberta da música clássica.

Não são aulas, nem concertos. São sessões de apreciação musical, conduzidas por Martim Sousa Tavares. "Imagine que vêm para uma prova de música em que vou dar a provar um concerto, uma sinfonia e uma abertura", conta o maestro.

Este menu de degustação musical é acompanhado pela orquestra Ensemble MPMP que, além do concerto no final de cada sessão, vai acompanhando o maestro durante as exemplificações. É nessa altura que Martim Sousa Tavares explica "o que é que há que prestar atenção, o que é que transmite, com base em que é que e constrói, de onde é que vêm, para onde é que vão".

As obras são escolhidas de forma criteriosa, para que uma música possa servir de exemplo a expressões musicais mais amplas. "Eu quero com uma sinfonia de Mozart explicar quiçá todas as sinfonias de Mozart e até todas as sinfonias da segunda metade do século XVIII, se calhar. A ideia é sempre abrir portas amplas para uma compreensão mais lata daquilo que é a música clássica", explica.

O maestro Martim Sousa Tavares quer "ajudar as pessoas a pensar" sobre a música de uma forma mais profunda e até tirar o pó do conhecimento musical de cada um. "Eu próprio tenho aprendido imenso porque quero reativar certos mecanismos de pensamento nas pessoas e tenho feito muita pesquisa", conta.

Durante as sessões, Martim Sousa Tavares desconstrói a música como se fosse um bolo cortado em 4 fatias iguais: o ritmo, a melodia, a harmonia e o timbre. Tudo para que o público enriqueça a bagagem musical, sem necessidade de formalismos. "Eu não estou vestido de casaca. Nós não vestimos fato e gravata para ir para a sala ler 'Os Maias', nem nos vestimos a rigor para ir ler poesia. Portanto porque é devemos sentir que há um elitismo cultural, social em ir ouvir música?"

Sousa Tavares promete não apresentar-se de "calções de fato de banho e chinelos" mas quer mostrar que a música deve fazer parte do dia-a-dia, seja clássica ou não.

Sessões começaram em 2014

O maestro organiza estas sessões musicais desde 2014 mas é a primeira vez que as apresenta no museu de São Roque da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A participação do Ensemble MPMP também é pioneira. "Temos a presença de uma orquestra - é muito mais aliciante para o público - e vamos entrar com alguma profundidade em temas já específicos com muito mais interesse para quem gosta de pensar as questões da arte, da estética, da música, da beleza. Este ciclo está pensado como um todo", sublinha.

O ciclo começou em setembro. As próximas sessões de apreciação musical decorrem já na próxima quarta-feira, 10 de outubro. As seguintes estão marcadas para 17 e 23 de outubro.

Um piano aos sete anos

A aventura de Martim Sousa Tavares pela música começou há cerca de 20 anos devido à chegada de um amigo de teclas brancas e pretas. "[A música] entrou por vontade da minha mãe que me ofereceu um piano quando eu tinha sete anos e com o piano vieram aulas de piano. Portanto, eu fui posto a tocar aquele instrumento sem nunca ter sequer pensado nisso e, quando dei por mim, estava já agarrado aquilo. Eu todos os dias queria tocar e, partir daí, foi uma estrada sempre a direito".

A música fez sempre parte do dia-a-dia do maestro, que garante ter tido sempre consciência da preparação que é necessária para poder dirigir uma orquestra. "Desde os 15 ou 16 eu já sabia que queria enveredar por aí mas só tive a coragem de o dizer mais tarde porque querer ser maestro é uma coisa completamente utópica. Guardei isso até aos 20 anos, mais ou menos", recorda.

Fez formação em música quer em Portugal, quer no estrangeiro, uma longa preparação para ser hoje, aos 27 anos, maestro de orquestra.

Depois de quatro anos em Milão e dois anos em Chicago, Martim Sousa Tavares voltou para Portugal neste verão. Além das sessões em São Roque e de outros concertos está a ajudar a preparar o centenário do nascimento da avó, a escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, que decorre no próximo ano.

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