Ainda há Zeca Afonso por descobrir. Chegam às lojas duas gravações inéditas

São dois concertos, um deles com mais de 50 anos, que ninguém sabia que existiam. Espetáculos que são postos este sábado à venda, em CD e vinil, e que vêm acompanhados de um livro que contextualiza as atuações descobertas recentemente.

José Moças, editor discográfico, contou à TSF toda a história de como foi descoberta a primeira gravação no Carreço, em Viana do Castelo. Tudo aconteceu dentro de um carro: um amigo põe uma gravação de um concerto do Zeca, o músico Júlio Pereira, que também está no carro, percebe que está lá a tocar, e é a partir daí que José Moças enceta os contactos com Manuel Mina, o autor da gravação e um apaixonado pela música de José Afonso.

Em 1980, Manuel Mina fez questão de "trazer outros amigos também", vender bilhetes para um espetáculo que nem data tinha, e garantir sala cheia na Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço. Uma grande operação de crowdfunding, só que há quase 40 anos.

Entretanto, José Moças, um arqueólogo da música, achou que "O que fazia falta" era outra gravação para "animar ainda mais a malta", e descobriu uma pista que o haveria de fazer chegar a uma bobine gravada num longínquo "Maio Maduro Maio" de 68. O espetáculo, gravado no teatro Avenida em Coimbra, apenas com um microfone que simultaneamente captava a voz de José Afonso e a guitarra de Rui Pato, era o outro tesouro que faltava encontrar.

Jorge Rino, professor, foi o autor da gravação e disponibilizou-se a ceder a bobine.

Para estas duas gravações chegarem ao público foi necessário o consentimento da família de Zeca Afonso, que colocou apenas uma condição: que as gravações viessem acompanhadas de um livro que contextualizasse os concertos, e que essa investigação fosse feita pelo jornalista Adelino Gomes.

Em entrevista à TSF, o jornalista confessa que se deparou com uma longa e demorada pesquisa, muito devido aos buracos negros deixados pela censura. "Eu devo confessar que achava que esta investigação era de "caretas", mas levou um ano e meio e ainda tenho coisas para descobrir".

Veja aqui as fotos de alguns documentos importantes descobertos por Adelino Gomes e que fazem parte deste Livro - CD

Adelino Gomes, o primeiro jornalista a entrevistar José Afonso quando ele regressou a Portugal vindo de Moçambique, em 1967, recordou ainda à TSF esse momento da chegada de Zeca ao porto de Lisboa.

"Estava ele preocupado com os caixotes que trouxe da Beira. De repente, aparece-lhe ali um tipo que passou a PIDE e a Guarda Fiscal - Este gajo deve ser um provocador! - Eu sou de um programa de rádio, o PBX do Carlos Cruz e Fialho Gouveia".

Infelizmente, esta gravação perdeu-se nos arquivos da Emissora Nacional.

Todos os textos, fotos, e as gravações dos dois espetáculos estão agora disponíveis, já a partir deste sábado, num livro de capa dura com dois CDs e um vinil. Quem o adquiriu, em pré-venda, até 20 de fevereiro, verá o seu nome impresso no livro, como apoiante do projeto.

Esta edição limitada, disponível a partir deste fim de semana, vai ser apresentada amanhã em Carreço, Viana do Castelo, e depois por todo o país com o espetáculo "Por Terras do Zeca", com Zeca Medeiros, Filipa Pais, Maria Anadon e João Afonso. No dia 12 é inaugurada, na Casa da Cultura em Setúbal, uma exposição com ilustrações sobre Zeca Afonso da autoria de Pedro Sousa Pereira.

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