Música

O Dia X. Viajámos 40 anos no tempo para ir ao primeiro concerto dos Xutos & Pontapés

Uma das bandas rock mais emblemáticas da história da música portuguesa está prestes a fazer 40 anos. Foi a 13 de janeiro de 1979 que os Xutos deram o primeiro concerto em Lisboa.

É preciso recuar a tempos distantes - a 1977, mais precisamente - para traçar o início daquele que seria o emblema do rock'n'roll cantado em português. Zé Pedro e Kalú partiram numa viagem pela Europa, que tinha como paragem principal um festival de música punk em França.

De regresso a Portugal, cada um vai para seu lado, mas ambos trazem a vontade de formar uma banda. Zé Pedro conhece Os Faíscas - para muitos, a primeira banda punk rock portuguesa - onde tocava Pedro Aires Magalhães. Cede-lhes a garagem dos pais para os ensaios e é nomeado manager oficial da banda.

É nessa garagem, nos Olivais, que a semente começa a germinar - primeiro com Zé Pedro, Zé Leonel e Paulo Borges, aos quais se junta, umas semanas depois, o baterista Kalú. Borges nem sequer aquece o lugar e aparece Tim para completar o quarteto inicial.

Em dezembro de 1978, os Xutos & Pontapés fazem o primeiro ensaio oficial na Senófila. No mês seguinte, estreiam-se ao vivo no palco da sala Alunos de Apolo, na festa comemorativa dos 25 anos do rock'n'roll. Tocam quatro temas, às 3h00 da manhã. Estava dado o primeiro passo para uma carreira de 40 anos.

"As músicas eram uma improvisação de desbunda. O Zé Leonel fazia uma performance, dizia um poema que tinha escrito e a música depois subia e descia, repetia uma parte, e passava-se à musica seguinte", lembra Tim.

"Lembro-me de tocar um bocadinho e daquilo ter acabado tão depressa como começou (...), do Kalú se levantar, do Zé Leonel sair pela frente [do palco], assim um bocado 'à parva'", recorda o vocalista dos Xutos.

Também Carlos Alberto, presidente dos Alunos de Apolo, hoje com 80 anos, recorda aquela noite de 13 de janeiro: "Foi fora do comum. Nunca tivemos tanta gente ali."

"Acho que foi a coisa mais importante que se passou", afirma, com a forte convicção de que, depois daquele concerto, tudo mudou. "Aí, sim, éramos uma banda."

"Senti que realmente tinha uma banda", explica Kalú. "Se aquilo ia longe ou não, sinceramente, não me importou nada. Só queria saber que estava muito bem com os meus amigos e que queria tocar mais."

Antes de ter o nome de "Xutos & Pontapés", a banda - que inicialmente tinha um registo marcadamente punk - chegou a chamar-se "Beijinhos & Parabéns". "Durou para aí uma semana", recorda o baterista, entre risos.

O nome pelo qual viriam a ficar conhecidos fixou-se depois de a editora Valentim de Carvalho lhes ter dito que só assinava contrato com eles se mudassem a designação. "Não, então agora é que a malta não muda mesmo nome! E vamos ser grandes com este nome, vocês vão ver!", responderam prontamente.

Donos de um acervo de clássicos que Portugal conhece de cor, animais de palco que vivem para a festa dos concertos, cimentam a sua ligação indestrutível com um público sempre presente à chamada, de braços em cruz, a celebrar a maior longevidade de uma banda rock portuguesa.

Os Xutos & Pontapés lançam um novo álbum, "Duro", no próximo dia 18 de janeiro. O disco ainda conta com a participação de Zé Pedro, em quatro das canções. O álbum "Duro" vai ser apresentado no Lisboa ao Vivo, a 25 de janeiro, e no Hard Club, 1 de fevereiro.

Xutos & Pontapés -"Mar de Outono", do novo álbum "Duro"

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