Cultura

O lado B da vida das K7

Veio o CD e o digital e a cassete morreu. Ou talvez não... Com as 40 mil cassetes que produziu no ano passado, a Edisco mostra que a fita está a renascer das cinzas.

É a única fabricante de cassetes da Península Ibérica. Os pedidos chegam um pouco de toda a Europa.

"Os maiores clientes da K7 são bandas de metal. Há uma cultura à volta do metal e não aceitam outro formato que não seja a cassete", diz Armando Cerqueira. Temos inclusive situações em que nos pediam para aumentar o ruído de fundo da fita", acrescenta o dono da editora, que herdou o negócio do pai.

Por causa desse som "sujo", aparecem também pedidos de bandas que procuram um produto mais vintage. Do rock à música eletrónica, passando pela experimental e "dois grupos portugueses de música pop: os Sunflowers, do Porto, e os Capitão Fausto". A banda de Lisboa mandou fazer uma centena de cassetes do álbum "Os Capitão Fausto Têm os Dias Contados".

A mostrar que as cassetes não têm os dias contados, as encomendas vão chegando à fábrica da Maia: de Portugal, Espanha, Suécia, França e até da Austrália.

Agora pouco se usa as etiquetas, as bandas preferem normalmente que as próprias cassetes sejam impressas. A novidade: cassetes coloridas. Os mais puristas do metal "preferem o preto e o branco", mas os países nórdicos gostam de misturar cores.

As cassetes saem daqui a custar menos de dois euros, mas nalguns circuitos, edições mais raras podem chegar a custar 50 euros.

Há algum tempo estas máquinas chegaram a estar paradas. Agora, Armando Cerqueira, que ficou com o negócio do pai, voltou a por as máquinas a trabalhar: "Existe uma cultura escondida, que não está aos olhos do grande público, que continua a usar a cassete e esperamos que, tal como houve o renascimento do vinil, também venha a haver o renascimento da K7".

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