Cultura

Reguengos Wine & Blues Fest. O Alentejo no seu melhor

Esta segunda e terça-feira, a cidade de Reguengos de Monsaraz recebe a segunda edição de Reguengos Wine & Blues Fest. Vão ser dois dias onde a cadência do Blues convida ao saborear dos vinhos da região (ou vice-versa, se preferirem), em concertos de entrada gratuita.

Quase a arrancar, a segunda edição do Festival Reguengos Wine & Blues é um dos pontos altos do início de semana naquela cidade alentejana. E se esta junção não fosse suficiente para encher de orgulho as gentes de Reguengos, na passada sexta feira, os sportinguistas locais viram-se livres da diatribe demente (ou será do demente?) Bruno de Carvalho, numa campanha eleitoral em eleições às quais... não pode concorrer. Mas voltemos a falar de coisas e pessoas sérias, ou seja, desta segunda edição do Reguengos Wine & Blues Fest e dos músicos que vão estar em palco durante estes dois dias.

No casamento perfeito da dolência do Blues com a pacatez alentejana, há um fortíssimo elo de ligação que passa pelos excelentes vinhos daquela que, em 2015, foi considerada "Cidade Europeia do Vinho"​. Que melhor cenário do que este se pode pedir para, durante dois dias, ouvir várias gerações de cantores e músicos de Blues? Mas olhemos as várias castas de Blues que vão estar presentes nas noites de segunda e terça-feira no palco da Exporeg (Parque de Feiras e Exposições de Reguengos), duas noites com apenas dois concertos em cada uma delas.

A abrir o primeiro dia, o algarvio Vitor Bacalhau ruma mais a norte e chega a Reguengos de Monsaraz com ""Cosmic Attraction" (o segundo álbum) debaixo do braço, depois de ter sido distinguido com um galardão cimeiro no "European Blues Challenge 2018" que decorreu na Noruega no passado mês de Março. Com Vitor Bacalhau, vai estar o trio que habitualmente o acompanha e, muito provavelmente, para além do novo disco, Vitor Bacalhau revisitará "Brand New Dawn", o disco de estreia editado em 2015.

E porque este Festival reúne o Blues e o Vinho (Alentejano), de Vitor Bacalhau se poderá dizer que estamos (comparativamente) na presença de um Blues/Vinho Novo. Quanto ao nome que encerra o palco neste primeiro dia, digamos que é uma "colheita selecção": sobrinha neta do grande John Lee Hooker, Velma Powel traz a Reguengos o "Chicago Blues", cantado com uma voz poderosa que é enquadrada pela "Bluedays Blues Band" e que, muito provavelmente, vai revisitar clássicos assinados por Muddy Waters, Little Walter, Howlin" Wolf ou Otis Rush.

Quanto ao segundo dia do Reguengos Wine & Blues Fest, abre com uma dupla que é sempre uma caixinha de surpresas da qual tanto podem sair um "bottleneck Blues", um "Funk" bem marcado, ou tudo o resto que ao longo da vida tem influenciado o guitarrista e cantor britânico Julian Murdock e o harmonicista espanhol Danny del Toro, um duo que vai decerto aquecer o público para o concerto de encerramento que, aqui sim, vai ter um nome que se pode classificar de "Reserva": nada mais nada menos do que os míticos Ten Years After que, apesar de contarem apenas com dois membros da formação original (o teclista Chick Churchill e o baterista Ric Lee), estão em grande forma com a inclusão dos dois novos elementos (o cantor e guitarrista Marcus Bonfanti e o baixista Colin Hodgkinson) com os quais o grupo gravou, já este ano, "A Sting In The Tale", o novo álbum que assinala meio século de carreira

Por tudo isto, por toda esta mistura saudavelmente explosiva de Vinho e Blues, Reguengos de Monsaraz tem estas segunda e terça-feira razões acrescidas para ser visitada.

O Reguengos Wine & Blues Fest tem os concertos, de ENTRADA LIVRE, a começarem às 22 horas e ainda um Vinho - branco e tinto - com nome e rótulo do festival, para ser consumido com moderação e saboreado entre a calma do Alentejo e a cadência do Blues.

* O autor não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico

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