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Uma casa de banho suja foi só o começo. E o rock mundial nunca mais foi o mesmo

Rolling Stones celebram os cinquenta anos do álbum Beggars Banquet. A história de sucesso de uma das bandas mais míticas do mundo que se prepara para voltar a estúdio e à estrada.

Uma casa de banho antiga, suja, cheia de desenhos na parede e um graffiti: The Rolling Stones. Era este o cenário que Mick, Keith, Brian, Bill e Charlie queriam para a capa do seu oitavo álbum. A fotografia não convenceu a editora e o disco foi para as lojas com uma capa em branco. Mas a banda, que estava ainda à procura de uma identidade, não deixou cair a ideia.

O álbum, que celebra agora cinco décadas, chama-se Beggars Banquet e a crítica considerou-o decisivo para formatar os atuais Rolling Stones.

Depois de um som psicadélico em "Their Satanic Majesties Request", que levou Jagger a dizer que o disco "foi um erro", a banda quis mudar os ritmos e a harmonia nas músicas. Beggars Banquet trouxe, em 1968, um estilo e uma sonoridade própria, o que levou os críticos e produtores a dizer que "há um antes e um depois" na história dos Rolling Stones após este álbum, gravado entre Londres e Los Angeles e que contou, pela primeira vez, com o produtor Jimmy Miller.

As dez músicas que compõem o trabalho icónico levaram o histórico editor da Rolling Stone, Jann Wenner, a escrever que este seria "o melhor disco em todos aspetos" da banda britânica. "Os Rolling Stones estão de regresso com o rock"n"roll", apontou.

The Rolling Stones, 1968

Sympathy for the Devil: a música que assustou as rádios

"Sympathy for the Devil", é a faixa que introduz o disco e talvez a mais "significante". A opinião é de Wenner, que conta, no seu artigo, que a música chegou a ter duas versões: "Originalmente, foi gravada num estilo Dylan mas, duas noites depois, em Londres, fizeram uma versão mais pesada, com uma nova sonoridade", escreveu.

A letra foi inspirada no livro "O Mestre e a Margarida", de Mikhail Bulgakov,e assustou as rádios, que numa fase inicial não quiseram passar a música, devido à intensidade da interpretação de Mick Jagger.

O oitavo álbum dos Rolling Stones, lançado a 6 de dezembro de 1968, ficou para sempre associado ao que a crítica dizia ser "o início da era de ouro" da banda. Liderou os tops de vendas durante várias semanas tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos.

Beggars Banquet foi também o último com a formação original da banda, Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts. É precisamente em 68 que Brian Jones começa a afastar-se.

Nesta altura, Brian Jones perdia a influência que tinha e, um ano depois, foi obrigado a sair da banda por causa da dependência de drogas. Morreu a 3 de julho de 1969 e ainda hoje há dúvidas sobre as causas da morte. O fundador dos Rolling Stones foi encontrado morto na piscina da sua casa, em Sussex.

Nova edição comemorativa

Para celebrar os cinquenta anos de Beggars Banquet, os Rolling Stones lançaram em novembro uma versão remasterizada. A nova edição pode ser adquirida em vinil e tem uma versão de "Sympathy for the Devil" em mono a 45 rpm. Além das músicas, a banda introduziu no disco uma entrevista telefónica inédita de Mick Jagger, realizada em 1968.

Com mais de cinco décadas de carreira, os Rolling Stones continuam ativos e recentemente anunciaram uma nova digressão nos Estados Unidos. Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood vão deliciar os fãs em 15 concertos entre abril e maio do próximo ano, nos palcos norte-americanos, numa tour que vai da Califórnia a Washington.

Numa entrevista à Associated Press, Mick Jagger anunciou que a banda está a compor novas músicas: "Gosto do processo de escrever. Achamos sempre que a última coisa que escrevemos é realmente maravilhosa mas às vezes não é", ironizou, acrescentando que "é muito divertido criar coisas novas".

Mick Jagger, 2018

O vocalista dos Rolling Stones, que em julho completou 75 anos, disse ainda que "é uma vergonha a banda não ter músicas novas", apesar do sucesso dos clássicos, como os que fazem parte de Beggars Banquet.

Keith Richards, numa entrevista recente à Rolling Stone, afirmou que a banda vai reunir-se num estúdio em dezembro. Sobre o tour "No Filter", o guitarrista admitiu que esta pode ser a última digressão, depois de ter sido questionado sobre Elton John, que vai despedir-se dos palcos em breve.

"Pode-se ver as coisas de ambas as maneiras. Se estiveres a falar a sério, tudo bem. Mas ainda não meti isso na cabeça. Esta pode ser a nossa última digressão, não sei", afirmou o músico.

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