Aga Khan Music Awards trazem a Portugal os melhores dos melhores

A Fundação Calouste Gulbenkian recebe este fim de semana os Aga Khan Music Awards, uma iniciativa que premeia a criatividade, o potencial e o empreendedorismo na área da música.

O evento trouxe a Lisboa estrelas mundiais e alguns desses artistas foram recebidos na Escola Profissional de Imagem (EPI), por jovens que aspiram, um dia, ser como eles: ter um lugar no mundo da música.

A sigla AKMI não lhes era familiar, mas depois de os ouvirem, os jovens estudantes da EPI ficaram completamente deslumbrados. Os Aga Khan Music Awards trouxeram a Lisboa os melhores dos melhores.

Abbos Kosimov, Basel Rajoub, Feras Charestan e Sirojiddin Juraev fazem parte dos Master Musicians of the Aga Khan Music Initiative (AKMI) e, ao visitar uma escola para mostrarem a sua arte aos jovens que a aspiram, seria de esperar que atuassem num palco. Nada disso. O palco estava lá, mas estes artistas quiseram atuar bem perto do seu público. Este cenário sugere a mensagem que a Fundação Aga Khan quer transmitir: a música e a cultura servem de união entre pessoas, mesmo que tenham origens diferentes.

Os quatro músicos despertaram a curiosidade dos jovens assim que colocaram os instrumentos musicais no colo. O instrumento mais "normal" era o saxofone, os outros três foram criados na Fundação Aga Khan especificamente para estes artistas. O deslumbramento estava marcado nas expressões destes estudantes, afinal, estavam perante três instrumentos musicais únicos no mundo: a doira, o qanun e o dutar.

A melodia ainda nem ia a meio e alguns dos estudantes já se endireitavam nas cadeiras para poderem ter uma imagem mais nítida dos instrumentos que compunham o que estavam a ouvir. O Qanun era o que despertava mais curiosidade, este instrumento musical é composto por setenta e seis cordas.

Basel Rajoub, o saxofonista dos AKMI, explica que a música é tudo o que faz, "está em tudo. Se eu não estiver a tocar, estou a ouvir música, ou num concerto a ver outros músicos. Por isso, [a música] tem um papel muito importante na minha vida".

Para este artista, é essencial que as pessoas se rodeiem "de qualquer tipo de arte, é muito importante para a alma".

E se a música alimenta a alma, Fairouz Nishanova, a diretora desta iniciativa garante que Portugal é o local certo para premiar quem se dedica a esta arte: "O bem-estar de uma sociedade robusta não depende só do sistema financeiro ou do sistema de saúde, mas também de comida cultural para a alma, para a mente. Exercer a cultura, exercer a interpretação é necessário. Portugal está situado de forma ideal: quer a nível geográfico e histórico, quer a nível das interpretações culturais de hoje. É literalmente o país que une o Este e o Oeste. Respeita a influência do Este, sem ter medo dela".

No auditório da EPI, a música já não deixou espaço para a timidez. Assim que os pés dos jovens começaram a acompanhar o ritmo da música, os artistas pedem-lhes para acrescentarem mais ritmo, com palmas.

"Isto é incrível, não é? Eu não conhecia estes instrumentos. Ficou incrível, tem uma musicalidade linda", diz Gaspar Varela, estudante de Tecnologia da Música.

Vasco Figueiredo, também estudante na EPI, acrescenta: "É o que nos liga, [a música] é uma via para expandirmos tudo. É uma forma de comunicar".

A música é - quer para os jovens, quer para a Fundação Aga Khan - uma forma de expressão que presta pouca atenção a nacionalidades.

"Quando se trata de músicos, somos todos iguais. Cada um faz o que gosta, somos todos iguais", acrescenta Vasco.

Fairouz Nishanova garante que a música pode contribuir para o pluralismo no mundo e é por esse motivo que a Fundação chama aos seus artistas não só compositores, mas também construtores de pontes. "É um cliché dizer que a música é universal. Não é. Há muito trabalho em tornar a música em algo universal. Ainda assim, o que vemos é que as barreiras que se têm vindo a construir são artificiais" e explica que "o medo é algo infeccioso, mas também a esperança o é. Por isso, quando construímos estas pontes, fazemo-lo de forma a que a esperança possa fluir. É nosso dever reforçar isso em tudo o que fazemos".

Essa fluidez existe no auditório da EPI, sem muros ou barreiras. O ambiente de cumplicidade musical encorajou os jovens a mostrarem o talento que têm. Gaspar apresentou aos artistas a guitarra portuguesa que lhe foi oferecida aos sete anos pela bisavó, Celeste Rodrigues. Vasco apressou-se a acompanhá-lo na voz.

E foi assim que um grupo dos melhores músicos do mundo acabou a tarde a tocar, com jovens de quinze anos, o fado Casa da Mariquinhas.

Esta edição Aga Khan Music Awards terá nove vencedores e conta com 14 finalistas do Prémio de Desempenho, que vêm de 13 países e que representam diversas formas de realização profissional. Os vencedores vão dividir entre si um prémio no valor de meio milhão de euros.

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