Quem deu a primeira volta ao mundo por mar: Portugal ou Espanha? A polémica continua

A presidente da Academia Portuguesa da História considera que o mérito é repartido, apesar de a congénere espanhola defender que os louros pertencem a Espanha.

Continua a polémica entre Portugal e Espanha sobre os 500 anos da circum-navegação, a primeira volta ao mundo por mar, feita por Fernão de Magalhães ao serviço da Coroa Espanhola.

Depois do Ministério da Cultura de Madrid ter acusado Lisboa de ignorar o papel de Espanha na candidatura da Rota de Magalhães a património mundial da UNESCO, a Real Academia de História vem dizer que a expedição foi total e exclusivamente espanhola.

Num parecer publicado hoje no jornal ABC, a pedido do diretor do periódico, a instituição oficial para o estudo da história espanhola exclui qualquer ligação lusa à origem da rota que foi comandada pelo navegador português.

O jornal critica ainda o silêncio do Governo espanhol perante a alegada apropriação do feito marítimo por parte das autoridades portuguesas.

Ouvida pela TSF, a presidente da Academia Portuguesa da História discorda do parecer emitido pela congénere espanhola. Manuela Mendonça lembra que ambos os países têm mérito na realização da primeira volta ao mundo por mar.

"A rota é espanhola porque é a primeira vez que ela é feita. É nesse sentido que eles [Real Academia de História] dizem que a rota é espanhola. Agora, não podem é esquecer que o homem que a viabilizou é português, e viabilizou-a mercê da muita experiência e grande aprendizagem que ele fez em Portugal", nota Manuela Mendonça.

Em bom rigor, a expedição, que decorreu entre 1519 e 1522, foi dirigida por Fernão de Magalhães mas acabou por ser concluída pelo basco Juan Elcano, depois da morte do navegador português durante a viagem.

Nesse sentido, a especialista lembra que não se trata de uma questão maniqueísta, mas de mérito repartido.

"Estamos aqui perante uma situação que ambos os países têm razão, porque Espanha reivindica para si a viagem, mas Portugal reivindica para si o homem que a concebeu. É simples, as pessoas é que procuram às vezes complicar", sublinha a presidente da Academia Portuguesa da História.

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