Adeptos contra cartão "discriminatório". "Não combate o racismo nem a conduta violenta"

A Associação Portuguesa de Defesa do Adepto protestou durante a final da Taça de Portugal contra a implementação do Cartão do Adepto.

O minuto 12 da final da Taça de Portugal teve um simbolismo especial. Os adeptos portugueses protestaram contra o Cartão do Adepto, em várias localidades do país. A 26 de junho foi publicada, em Diário da República, uma portaria que regula o cartão, com o objetivo de promover a segurança e o combate ao racismo nos estádios.

A presidente da Associação Portuguesa de Defesa do Adepto (APDA) considera a medida discriminatória. Marta Gens, ouvida pela TSF, lembra que o cartão do adepto já falhou em vários pontos da Europa.

"É preciso mostrar alguma resistência e desacordo, esta é uma medida que insiste em estereotipar e conotar de forma negativa os adeptos. Não percebemos a insistência em alimentar este recurso como a última Coca-Cola no deserto, tendo em conta que já falhou na Europa há muito tempo", afirma.

O cartão que permite aos adeptos utilizar adereços e ter acesso a zonas designadas para claques já esteve em vigor em Itália, mas os adeptos deixaram de ir aos estádios e o Governo recuou na medida. "As pessoas vão ao futebol porque é uma forma de estar na vida, é um hobby. Cartões temos todos, é o do Cidadão, e devia ser suficiente", remata Marta Gens.

O manifesto da associação foi publicado nas redes sociais, mas por todo o país ocorreram ações de protesto. "Preferimos fazer tudo online, para evitar ajuntamentos, mas vários grupos organizados de adeptos uniram-se a esta causa e colocaram faixas ao minuto 12 do jogo. Esta é uma iniciativa única e histórica em Portugal, junta todos os adeptos numa causa comum."

Em Coimbra, onde decorreu a final da Taça de Portugal, foram colocadas faixas na noite de sexta-feira. Durante a manhã, no entanto, a PSP retirou as palavras de ordem espalhadas pela cidade.

Na Europa, só os adeptos turcos são obrigados a apresentar estes cartões. Marta Gens garante que os restantes países desistiram, uma vez que "não tem qualquer efeito no combate ao racismo, xenofobia e nas condutas violentas".

O cartão entra em vigor na próxima época. A APDA diz que qualquer um é livre de assistir ao desporto da forma que quiser, seja com bandeiras ou megafones, desde que não vá contra a lei.

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