Adiada de novo. Há mais um pedido para afastar o juiz da instrução do ataque ao Sporting

O Tribunal da Relação de Lisboa já tinha indeferido anteriormente dois incidentes de recusa, que levaram a um primeiro adiamento da fase instrutória. Nuno Areias, o advogado que levantou o incidente de recusa desta segunda-feira, revela que o juiz tem cinco dias para se pronunciar.

É a segunda vez que o início da fase de instrução do ataque à Academia do Sporting é adiado. Desta feita, o adiamento deve-se ao levantamento de um incidente de recusa ao juiz, com autoria do advogado Nuno Areias.

O jurista é o advogado de Tiago Neves, arguido no processo que, segundo o despacho de acusação, foi apanhado em trocas de mensagens para o planeamento do ataque em Alcochete. Nuno Areias não quer revelar, para já, os motivos para este pedido: "Neste momento, o juiz já recebeu tudo, e tem conhecimento do incidente. Tem cinco dias para se pronunciar, e daí eu não querer avançar os fundamentos que motivaram o pedido de recusa", esclarece o advogado.

"Depois, sobe ao Tribunal da Relação de Lisboa, que terá um prazo de 30 dias para decidir: ou há provimento, e, portanto, o juiz é afastado, ou, em procedente, o juiz não é afastado, e, nesse sentido, volta a marcar data para as diligências instrutórias", acrescenta ainda.

A fase de instrução do ataque à Academia do Sporting, em Alcochete, em 15 de maio de 2018, deveria arrancar esta segunda-feira no Campus da Justiça, em Lisboa, com o interrogatório a quatro dos 44 arguidos no processo: Hugo Ribeiro, Celso Cordeiro, Sérgio Santos e Elton Camará. Para esta terça-feira, estava ainda marcado o interrogatório ao arguido Eduardo Nicodemus e de Bruno de Carvalho. Nenhum destes agendamentos terá agora lugar.

A instrução, fase facultativa em que o juiz de instrução criminal Carlos Delca decidiria se o processo segue e em que moldes para julgamento, foi requerida por mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto. No entanto, Carlos Delca poderá, devido a esta ação do advogado Nuno Areias, ser afastado do caso.

Os primeiros 23 detidos pela invasão à academia e consequentes agressões a técnicos, futebolistas e outros elementos da equipa 'leonina', ocorrida em 15 de maio do ano passado, ficaram todos sujeitos à medida de coação de prisão preventiva em 21 de maio.

A 15 de novembro do ano passado, exatamente seis meses após o ataque à academia, a procuradora Cândida Vilar (que será a procuradora do Ministério Público (MP) na fase de instrução), deduziu acusação contra 44 arguidos, incluindo Bruno de Carvalho e 'Mustafá', líder da claque Juventude Leonina.

Dos 44 arguidos do processo, 37 mantêm-se sujeitos à medida de coação mais gravosa: a prisão preventiva. Seis arguidos estão em liberdade, incluindo Bruno de Carvalho e o líder da claque 'Juve Leo', que estão ambos obrigados a apresentações diárias às autoridades.

O arguido Celso Cordeiro vai passar entretanto de prisão preventiva para prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

O antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto está entre os arguidos presos preventivamente, e é acusado da autoria moral do ataque, tal como Bruno de Carvalho e 'Mustafá'.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque, o MP imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

Bruno de Carvalho, 'Mustafá' e Bruno Jacinto estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo , não quantificados. O líder da claque Juventude Leonina está também acusado de um crime de tráfico de droga.

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