Agressões a árbitros diminuem, mas APAF pede mais policiamento

Os dirigentes da APAF entendem que a diminuição de casos é positiva. Ainda assim, o problema não estará resolvido enquanto as agressões não terminarem.

O número de agressões aos árbitros tem diminuído. A confirmação é de Luís Brás, responsável pelo contencioso da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF). Na época transata, existiram 45 agressões aos "homens do apito". Na atual época desportiva, até ao dia 6 de janeiro, contam-se "apenas" 10.

Um número que deixa a APAF agradada, mas não satisfeita, até porque "se as agressões continuam, quer dizer que a melhoria ainda não é suficiente. O que nós queremos é que as agressões terminem", remata Luís Brás.

No futebol profissional, nos últimos anos, não se têm contado agressões aos árbitros. Já nos escalões de formação e amadores, a realidade é distinta. Ainda assim, a APAF lamenta que as agressões verbais sejam recorrentes, o que preocupa, na mesma medida, a associação.

A falta de policiamento nos recintos desportivos é o principal motivo para a pouca segurança que os árbitros sentem em cada jogo. Se no futebol profissional o policiamento é obrigatório, nos escalões inferiores, a presença das autoridades não é imposta por lei.

A última agressão física registada pela APAF foi em Braga, no campeonato distrital da 1ª Divisão Série B, no passado dia 5 de janeiro. O jogo opôs o GD Gerês ao Serzedelo S. Pedro, com um jogador da equipa da casa a agredir o árbitro com uma cabeçada.

A APAF tem feito uma aposta recorrente na sensibilização e formação do público para a redução dos casos de violência no desporto. Até porque, "punir sem sensibilizar, só contribui para adiar novos casos", garante Luciano Gonçalves, presidente da APAF. O dirigente adianta ainda que "se os jovens entenderem que a violência não é o caminho, amanhã o desporto será melhor".

A associação entende, igualmente, que o policiamento deve ser latente a todos os escalões, seja no futebol de formação ou sénior.

Alteração da lei não é suficiente

A lei da segurança e combate à intolerância nos espetáculos desportivos foi alterada em agosto do ano passado, depois da promulgação do Presidente da República. O objetivo visa reforçar as obrigações dos responsáveis das competições e dos clubes na prevenção dos casos de violência.

Na segunda-feira, o Governo informou que mais de 60 adeptos foram alvo de interdição de acesso a recintos desportivos.

No entanto, apesar de Luciano Gonçalves admitir que a alteração da lei auxilia na redução das situações, o presidente da associação entende que o número de detidos fica aquém das situações que se vivem todas as temporadas.

Tendência para abandonar a arbitragem

No futebol de formação e amador, os árbitros, por norma, são igualmente jovens, em processo de maturação. Quando se confrontam com situações de violência, a primeira reação é a de deixar o apito.

Nesse sentido, a APAF faz um acompanhamento minucioso aos jovens árbitros, para que continuem a acreditar na arbitragem.

O vice-presidente Luís Brás admite que quando um árbitro é agredido, fica muito exposto. "São alvos de brincadeiras e todos sabem a sua identidade, até pelas redes sociais. Sou agredido e penso: o que é que estou aqui a fazer?", afirma.

Luís Brás adianta que as primeiras semanas são complicadas e que o ideal é não nomear os árbitros durante "um ou dois jogos".

Desde que a nova direção assumiu a pasta, há três anos e meio, nenhum jovem árbitro desistiu prematuramente da carreira. Luís Brás dá o exemplo de Pedro Proença, atual presidente da Liga e ex-arbitro, que apesar de ter sido agredido, "não deixou de lutar e chegou à final da liga dos campeões".

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