Almeria, o novo novo-rico do futebol espanhol

Foi a 2 de Agosto...

O Almeria, clube da segunda divisão espanhola, preparava a nova temporada... mais uma temporada a lutar pelos lugares medianos da Segunda Liga espanhola. Porém, nesse dia, a realidade do emblema do Sul de Espanha alterar-se-ia...radicalmente!

Alfonso Garcia Gabarrón, o dono do clube, resolvia vendê-lo e os petro-dólares iriam tomar conta do clube criado em 1989. Por 20 milhões de euros, Turki Al-Sheik, um milionário e antigo ministro da Arábia Saudita comprava os 96% que o antigo proprietário possuía e lançava-se num louco objectivo: fazer do Almeria um clube do mapa de topo do futebol espanhol.

Para isso não olhou a meios para atingir a fins...

Imediatamente, despediu Óscar Fernandez, o treinador que o anterior proprietário tinha contratado, e escolheu o português Pedro Emanuel, pelo conhecimento que tinha do trabalho por ele realizado na Arábia Saudita.

Mas o treinador não seria o único a sofrer com a ambição do homem que já encetou um projecto semelhante no Egipto, com os Pyramids, ainda que sem sucesso, mas que tentou, inclusivamente, contratar Zlatan Ibrahimovic. Assim, dos oitos jogadores contratados, o lema do Sul de Espanha alterar-se-ia... Radicalmente sete veriam imediatamente guia de marcha... Nem sequer aqueceram o lugar.

A partir daí começou a aventura de construir um plantel que permitisse atacar, imediatamente, a subida... Num processo em contra-relógio, que também teve em consideração o mercado português. Deste modo, Nikola Maras, antigo central do Chaves, e Petrovic, ex-médio defensivo do Sporting, foram dos primeiros nomes a chegar, ainda que o antigo flaviense por empréstimo. Aliás, realce para o facto de o clube ter conseguido garantir nesta modalidade, o menino-prodígio da Roma, o croata Ante Coric, que as maiores equipas portuguesas também cobiçaram.

Além destes, realce para dois nomes. O uruguaio Darwin Nuñes comprado ao Peñarol por oito milhões de euros, mas que ainda não se estreou, e o inglês Arvin Appiah, que, contratado ao Nottingham Forest por 8,8 milhões, tornou-se o jogador mais caro de sempre da Liga de Plata espanhola... Aliás, os espanhóis bateram o desejo do Manchester United em contratá-lo.

Tal demonstra a política desportiva que será seguida. Esta passará por contratar jogadores jovens, a que se antevê um futuro promissor, ou apostar em cedências por empréstimo, mas todas com opção de compra.

No entanto, a originalidade do clube que para já ocupa o 2º lugar da tabela, atrás do Cadiz, não passa só pelas extravagâncias cometidas nas transferências. Para encher o estádio, o actual dono sorteio veículos automóveis no intervalo dos desafios.

Além de Pedro Emanuel, outro português rumaria ao clube. Mário Silva, acabado de vencer a Youth League Cup, partiu para assumir um projecto que é a jóia da coroa do endinheirado árabe. O mesmo passa por criar a maior academia de formação europeia...que suplante a do Ajax e a de La Masia! E o treinador luso parece acreditar nessa possibilidade!

Todavia, nem tudo está a ser um mar de rosas...

Para desgosto dos adeptos, o excêntrico dono propôs-lhes, no Twitter, uma votação para aferir se concordavam para com a alteração do nome do clube, bem como do equipamento e do emblema.

Assim, em vez de UD Almeria FC, seria somente UD Almeria.

A camisola que é listada a vermelho e branco seria somente vermelha com motivos amarelos.

E o emblema, em vez de um logótipo tradicional, passaria a ser um leão, que se tornaria também na mascote do clube, e que até já teria nome: o Rozam, e seria idêntico ao da Rozam Football Academy, que o sheik pretende criar no seu país.

E o sim ganhou, obtendo o não apenas 33%. Algo que os adeptos espanhóis entenderam só ter acontecido pela votação ter sido numa rede social e o clube agora ser seguido virtualmente por muitos árabes!

Mas o conflito está encetado, e os adeptos, cheios de sonhos, temem agora um conflito com o seu salvador...

Valerá o dinheiro a força do amor?

Vasco André Rodrigues (A Economia do Golo)
Nota do Editor: O autor opta por escrever ao abrigo do anterior acordo ortográfico.

Esta rubrica é uma parceria TSF e A Economia do Golo

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