Amorim transpira confiança, o Sporting ainda não

Após o empate entre Vitória e Sporting, fica uma certeza: o primeiro duelo entre Ivo Vieira e Rúben Amorim merecia público nas bancadas.

A auto-estima e convicção nas ideias por parte do treinador do Sporting traduziu-se no 11 inicial, com a (prometida) aposta nos estreantes Eduardo Quaresma e Matheus Nunes. No entanto, devolver a confiança e potenciar o coletivo dos leões pode ser um processo demorado, tendo em conta o desastre nesta temporada - que a paragem não apaga. O Vitória, mesmo com um nível ofensivo aquém do que já demonstrou, foi capaz de recuperar duas vezes no marcador.

Estavam frente-a-frente dois conjuntos que não abdicam da iniciativa, mas a primeira parte ficou marcada pela superioridade das estratégias defensivas e não surpreende que os golos tenham surgido através de erros dos guarda-redes.

Para proporcionar um encaixe mais natural no 3-4-2-1 do Sporting, Ivo Vieira baixou Pêpê para central quando a equipa defendia (atacando como médio). Em 5-4-1, o Vitória encostava Joseph e João Carlos Teixeira em Battaglia e Matheus Nunes, adiantava os laterais para pressionar Camacho e Acuña e libertava Bondarenko e Frederico Venâncio para impedir recepções entre linhas de Jovane e Vietto - sem desproteger em demasia o corredor central.

Desta forma, os leões tiveram dificuldades para chegar a zonas de criação (inicialmente, tentaram a ligação entre Mathieu e Vietto, sem sucesso) e ameaçar a baliza de Douglas. Na parte final do primeiro tempo, apostaram num jogo mais longo e à procura da profundidade que Jovane é capaz de oferecer (Bondarenko sofreu bastante). Matheus Nunes foi um elemento importante para condicionar a construção do Vitória, destacando-se na pressão e na disputa pelas segundas bolas. No fundo, e tal como víamos em Braga, as principais tarefas que Rúben Amorim atribui aos dois médios. Mathieu e Eduardo Quaresma - sóbrio, com poucos erros e a transbordar potencial - anularam todas as tentativas de jogo directo dos vimaranenses.

O melhor período da turma de Rúben Amorim aconteceu nos 20 minutos iniciais da segunda parte, quando o Sporting mostrou uma fluidez e variabilidade na construção que não tinha exibido anteriormente. Não sendo influentes com bola, o posicionamento de Matheus Nunes e Battaglia servia para atrair as marcações dos médios do Vitória, expondo o espaço entre linhas. Nessa zona, Jovane Cabral fez a diferença e assumiu-se como o melhor em campo. Apesar de ser algo irregular tecnicamente, demonstrou facilidade em mudar de velocidade e descobrir o último passe no corredor central, tal como aconteceu no 1-2. Com Vietto mais discreto, a alternância de movimentos entre Sporar e o extremo direito (um a baixar em apoio, o outro a atacar a profundidade) criou muitas dúvidas na frágil linha defensiva do Vitória.

Não sendo capaz de empurrar o Sporting para trás, o Vitória acabou por empatar num lance em que a defensiva do Sporting demonstrou muita passividade. Mathieu esteve menos assertivo no segundo tempo e o lado direito também teve mais problemas para travar Florent e Davidson. Com a ausência de soluções no banco leonino, quem cresceu na recta final foi Rafael Camacho, desequilibrando no ataque. Foi titular como ala, num papel que pode ser para durar. Mesmo sem vencer, Rúben Amorim começa a perceber com o que pode contar em Alvalade.

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