O desrespeito de um pistoleiro pela neutralidade suíça. Portugal goleia e está nos quartos do Mundial

Veja os três golos com que Gonçalo Ramos fez história, o cabeceamento fulminante de Pepe, o remate certeiro de Guerreiro e a bola indefensável de Leão.

PorGonçalo Teles

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Gonçalo Ramos gosta de fingir que dispara duas armas - ainda que imaginárias - quando marca golos. Já a Suíça é um país que historicamente não gosta de disparar nem de ser alvejado. Mas esta noite nem teve hipóteses. O avançado português de 21 anos assinou um hat trick - o primeiro do Mundial - na vitória portuguesa por 6-1, que teve também golos de Pepe, Guerreiro e Leão, e fez história no jogo que garantiu a presença portuguesa nos quartos de final do Mundial. A seleção marroquina - que deixou Espanha pelo caminho - é o adversário que se segue.

Ouça o Relato TSF dos golos deste jogo, por António Botelho, com sonorização de Mariana Sousa Aguiar.

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Sem Ronaldo no onze - uma opção que Fernando Santos garante ter sido apenas "estratégica" -, Fernando Santos deu a titularidade no ataque a Gonçalo Ramos, a grande novidade na equipa inicial lusa. Ainda assim, mesmo a partir do banco, a presença do capitão da seleção portuguesa fez-se notar desde cedo: tocava "A Portuguesa" em Al Daayen e já se ouvia o primeiro grande aplauso da noite, tudo porque a imagem de Cristiano Ronaldo surgiu nos ecrãs gigantes.

Voltemos ao relvado. Ao lado de Ramos surgia João Félix e, a apoiar a dupla, um tridente de alta rotação - Otávio, Bernardo Silva e Bruno Fernandes -, de quem Fernando Santos já tinha dito, ainda antes do jogo, querer ver "grande desenvoltura". Ora, para isso seria preciso ter bola, algo que nos primeiros 15 minutos de jogo pareceu ser difícil para a equipa nacional.

Mas, quando a teve, fez-se valer disso. Após um lançamento lateral a partir do corredor esquerdo, a bola acabou nos pés de Gonçalo Ramos. Com um passo, criou espaço para si próprio e puxou do pé esquerdo para rematar de forma violentíssima ao canto superior da baliza de Sommer.

O golo fez bem, muito bem até, a Portugal. Félix e Bernardo soltaram-se e, em cinco minutos, sucederam-se mais duas oportunidades de golo. Mas Shaqiri, um dos homens perigosos da Suíça, não quis que os lusos se colocassem demasiado em bicos dos pés e, aos 30', falhou por pouquíssimos centímetros a baliza portuguesa na cobrança de um livre direto.

Ora, se há homem que também aprecia uma boa "chamada ao planeta Terra", é Pepe. E Pepe sabe o número de telefone de cor. Aos 33' subiu à grande área contrária para um pontapé de canto e, mesmo à frente da baliza, foi mais forte: saltou, cabeceou e marcou o 2-0.

Uma vez mais, a Suíça não estava ali para se deixar adormecer e, nem cinco minutos depois de ter sofrido o segundo golo, via Diogo Dalot impedir, em cima da linha de baliza, o 2-1 helvético. Sem mais oportunidades até ao intervalo - e já depois de Ramos ter tido o 3-0 nos pés - o intervalo chegava ao estádio Lusail com vantagem e controlo portugueses. E João Félix, claramente em crescendo, ia abrindo o livro e a Suíça precisou de mexer na defesa: Cömert entrou para o lugar do lesionado Schär.

Mudaram os protagonistas, não mudou o resultado. Dalot surgiu pelo corredor direito, "partiu os rins" ao adversário direto e cruzou rasteiro. Quem apareceu? Gonçalo Ramos que, ao primeiro poste, desviou para o seu segundo da noite.

E ainda dava para mais. Tudo começou em Otávio, que deu a Félix, que lançou Ramos, que entregou a Raphaël Guerreiro. Descaído sobre a esquerda, e já dentro da grande área, atirou fortíssimo para o 4-0.

Já na outra baliza, para manter o ritmo frenético, Akanji aproveitou da melhor forma um erro defensivo português num pontapé de canto - já contra a Coreia do Sul houve problemas - para reduzir para 4-1.

Nada a temer, palavra de Ramos. No primeiro jogo como titular num Mundial, o jovem avançando português nem tremeu: viu-se isolado em frente de Sommer e, com naturalidade, picou-lhe a bola por cima. Simples, eficaz e direitinho ao primeiro hat trick deste Mundial.

Saiu ovacionado e com uma marca que já ninguém lhe tira, acompanhado por Félix e Otávio. Mas ouvia-se um aplauso ainda maior: Ronaldo ia a jogo para loucura dos milhares presentes no estádio. Horta e Vitinha também entraram.

Quebrava-se assim o ritmo de jogo e Fernando Santos ia mexendo a seu gosto: tirou Bernardo Silva para lançar Rúben Neves e ainda lançou Leão para o lugar de Bruno Fernandes. Ora, foi precisamente este último a entrar que fez também o último golo do jogo. E que senhor golo, seja feita justiça.

A bailar sobre o corredor esquerdo, rematou de tal forma que Sommer só ficou a ver: entrava a bola, fazia-se o 6-1 final. E a neutralidade ficou pelo caminho.

Onze de Portugal: Diogo Costa, Diogo Dalot, Ruben Dias, Pepe, Raphael Guerreiro, William Carvalho, Bruno Fernandes, Otávio, Bernardo Silva, João Félix e Gonçalo Ramos

Onze da Suíça: Sommer, Edmilson Fernandes, Akanji, Schär, Ricardo Rodriguez, Sow, Freuler, Xhaka, Vargas, Shaqiri e Embolo

Uma fonte havia avançado à TSF a titularidade de Cristiano Ronaldo, algo que acabou por não se verificar. O capitão da seleção portuguesa começou o jogo no banco.

Suplentes de Portugal: Rui Patrício, José Sá, Palhinha, Ronaldo, André Silva, Leão, Vitinha, João Mário, Ruben Neves, Cancelo, Horta, Matheus Nunes e António Silva. Danilo e Nuno Mendes não são opções.

Suplentes da Suíça: Omlin, Kobel, Köhn, Elvedi, Zakaria, Seferovic, Steffen, Aebischer, Fassnacht, Cömert, Okafor, Frei, Rieder, Jashari. Widmer não é opção.

<strong>"Opção estratégica"</strong>

O selecionador português Fernando Santos garante que colocar Cristiano Ronaldo no banco de Portugal frente à Suíça é apenas uma "opção estratégica" e "não está nada ligada" aos protestos do jogador quando foi substituído, no último jogo da fase de grupos, frente à Coreia do Sul.

Em declarações à RTP a partir do Catar, Fernando Santos garantiu que esse assunto "está encerrado e esquecido".

O treinador da equipa nacional explicou que colocar Cristiano Ronaldo no banco "é uma opção estratégica" que tem vindo a ser preparada "há alguns dias para este jogo" em busca de "cambiantes e movimentos diferentes", bem como de "grande desenvoltura" no ataque.

Tanto em 1966 como em 2006, a equipa das quinas atingiu os quartos de final, sendo que na primeira ocasião a prova ainda não contemplava a realização de oitavos de final. Em ambos os casos, Portugal acabaria por chegar às meias-finais, ficando em terceiro lugar em Inglaterra e em quarto na Alemanha.

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