Antigo olheiro do United explica por onde caminha Liverpool de Klopp

O português João Ferreira foi observador do Manchester United (2016-2021) num período de ascensão do rival Liverpool. Jurgen Klopp (2015 - atualidade) uniu as pontas, criou uma equipa capaz de perceber os diferentes momentos do jogo. Um gigante quase sem defeitos, e um coletivo que "lê muito bem o jogo", aponta João Ferreira à TSF.

A somar a nomes como Sadio Mané, Roberto Firmino, Diogo Jota, Luis Diaz ou Mohamed Salah, Jurgen Klopp juntou em Anfield Road uma equipa que raramente se sente desconfortável no jogo. Vindo de uma eliminatória com o Ajax onde surpreendeu, o Benfica de Nélson Veríssimo enfrenta uma das mais completas equipas da Europa. Mas também uma das mais inteligentes. João Ferreira foi olheiro do Manchester United durante cinco anos, e aponta para a sensibilidade coletiva do Liverpool como fator a ter em conta.

"A equipa do Liverpool lê muito bem o jogo. Só recua quando o jogo assim o dita. Não é estratégia. A forma de abordar o jogo do Liverpool não muda, o que muda é a atitude", explica João Ferreira, quando questionado sobre a intenção de entregar a bola ao Benfica durante alguns períodos do jogo - ou da eliminatória. "Não os vejo, de uma forma consistente, a ter apenas uma forma de jogar. O Benfica vai ter mais bola quando o jogo assim o ditar. Os jogadores do Liverpool adaptar-se-ão a isso".

Os de Merseyside cresceram com Jurgen Klopp em Liverpool. "Têm um grupo fantástico a perceber que, num determinado momento do jogo, é melhor fechar atrás, concentrar jogadores, sendo muito bons para sair em contra-ataque. Num outro momento do jogo percebem que podem ter mais espaço na frente", considera o também antigo diretor desportivo do Santa Clara.

"O Liverpool é uma equipa com muito poucas fragilidades. Desde o momento de transição defensiva, imediatamente após perderem a bola, para defender imediatamente, até à participação ofensiva dos jogadores mais recuados. Uma equipa muito equilibrada em todos os aspetos, que pode jogar num bloco médio alto, até ser uma equipa confortável em posse e muito confortável a jogar em transições. Tem por isso poucos pontos menos fortes a explorar", explica João Ferreira.

Em janeiro, Jurgen Klopp acrescentou à equipa aquele que era, até então, o melhor jogador em Portugal na temporada desportiva. "O que Luis Diaz evolui desde que chegou a Portugal, desde o ponto de vista defensivo, de se dar ao jogo, do ponto de vista da consistência - estar mais vezes e mais tempo em jogo -, ele encaixa muito bem neste Liverpool. Por um lado, pode jogar muito bem em transição, mas também em espaços reduzidos. Nesta forma de jogar multifacetada, em que a equipa tem um estilo híbrido, o Luis Diaz encaixa muito bem".

O papel do Benfica na eliminatória

Se Nelson Veríssimo anunciou na conferência de imprensa de antevisão quer dividir a eliminatória. "A primeira fase de construção, quando saem a partir de trás, é algo a ser explorado, mesmo sendo muito difícil", observa João Ferreira. A chave pode estar na característica do central que jogar ao lado de Virgil van Dijk - o regressado líder da defesa, acrescento de qualidade depois de ter falhado quase toda a temporada passada por lesão.

"As características de um Joel Matip são diferentes das de Joe Gomez, ou de Ibrahima Konaté. Com bola, em função de quem joga, o Liverpool tem abordagens diferentes. O Benfica pode explorar esse ponto". Desde o central com maior qualidade na circulação de bola, ao central que avança com a bola pelo terreno progredindo, até ao central que não está à vontade nesse momento do jogo.

Do ponto de vista do antigo olheiro, há outros aspetos a ter em conta. "Outra questão a explicar tem a ver com contra-ataques. Se o Benfica tentar explorar as subidas dos laterais - mais uma vez em função de quem joga no setor intermédio e da sua velocidade nas transições defensivas -, esse é um momento a ser explorado".

Outro aspeto a ter em conta é a quantidade de jogos decisivos do Liverpool com esta eliminatória europeia pelo meio. "O Liverpool tem um mês muito difícil. Depois dos jogos com o Benfica joga duas vezes diante do Manchester City. Tem ainda, no mesmo mês, jogos com o Manchester United, derby de Liverpool com o Everton. Podem ainda fazer história ao conquistar quatro troféus no mesmo ano. Isto quer dizer que o foco dos jogadores do Liverpool vai estar em vários momentos. Não é algo do lado estratégico mas sim mental".

Jurgen Klopp destacou Darwin Nunez e Rafa Silva como dois jogadores que podem fazer a diferença diante do Benfica. João Ferreira concorda. "O Benfica consegue jogar por fora, mas também na ocupação de espaços por dentro. Em contra-ataque, mas também com jogadores que atuam muito bem em espaços reduzidos. Essa multiplicidade de formas para resolver uma partida acaba por dar muita imprevisibilidade ao jogo. Isso é algo muito importante nesta liga dos campeões, que torna o Benfica mais difícil de anular", e isso foi percetível contra o Ajax na eliminatória anterior.

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