As montanhas e ladeiras de Agostinho e a descida preferida de Reis

Joaquim Agostinho devorava as montanhas. Agora, o mito dá nome a um museu. Em Setúbal, a expressão nos olhos de Rafael Reis revela o sorriso escondido atrás da máscara. O camisola amarela gosta de descidas e de vencer em casa.

Quando recolhia informação para o novo museu, João Carriço não pôde deixar de pensar numa forma de dar aos visitantes uma sensação semelhante àquela que seria estar na pelo do mito, Joaquim Agostinho. O arquiteto da Câmara Municipal de Torres Vedras, agora diretor do Museu Joaquim Agostinho, sorri quando fala da experiência que tem preparada para os visitantes. Aos óculos de realidade virtual junta-se o peso da subida reproduzida no peso da rodagem da bicicleta.

"Estamos a falar da subida da Serra da Vila. É uma subida íngreme, de Torres Vedras à serra, com uma descida até ao Torcifal". São 5 quilómetros reproduzidos em realidade virtual no novo museu da cidade. "As pessoas podem pedalar, sentir a ligação entre a vista e o esforço". João Carriço também já ficou sem fôlego ao experimentar. Aquele era um dos trajetos feitos por Joaquim Agostinho nos treinos na sua cidade.

O museu tem forma de pista de ciclismo, um velódromo que serve para que outros possam aprender a andar de bicicleta. No piso inferior do edifício há ainda uma oficina que vai servir para arranjar - aprender a arranjar - bicicletas. No interior multiplicam-se as imagens, os vídeos, peças como a última camisola de Joaquim Agostinho, que envergou no dia da sua morte no Algarve.

A Volta a Portugal partiu ali ao lado do museu. Rafael Reis estava de amarelo - Joaquim Agostinho conhecia bem aquela camisola. O atleta de Palmela festejou em Lisboa a vitória no prólogo. É um especialista, garante o ciclista da EFAPEL, foi contratado pela equipa "para isso mesmo", disse ao lado do rio Tejo, na praça do Império. No segundo dia, na primeira etapa, Rafael guardou as forças para os quilómetros finais. As forças e a coragem.

Depois da contagem de montanha de segunda categoria - uma das mais duras da Volta - na Serra da Arrábida, Rafael arrancou, descida abaixo. Por duas vezes ia embatendo na primeira moto da polícia à frente dos ciclistas. Ia em velocidade cruzeiro, com os olhos postos em Setúbal, cidade escondida pelas curvas no trajeto. Venceu de amarelo, no mesmo dia em que passou a Palmela, onde vive, também de amarelo.

"Estava combinado que ataca a descer. Fizemos o estudo da descida, acabei por vir sozinho. Só acreditei mesmo quando nos últimos 200 metros percebi que ia vencer". Acabou de braços cruzados, não porque tivesse sido fácil, explica aos jornalistas, perdendo o sorriso por momentos. Antes porque já não havia forças para os erguer.

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