Atalanta. Não há desculpas para não crescer...

Um pigmeu em terra de gigantes... Esta definição poderia ser utilizada, há três anos, para definir o estatuto da Atalanta de Bérgamo no panorama do futebol italiano, o glamoroso calcio.

Porém, desde esse momento tudo mudaria!

Antonio Percassi, o dono do clube, desde 2010, e um adepto apaixonado do emblema, tendo mesmo jogado nos escalões jovens dos bergamasco, encetou uma verdadeira revolução que faz com que o clube esteja a dias de estrear na máxima prova europeia: a Liga dos Campeões.

Para isso contratou, há quatro anos, um treinador experimentado e habituado a trabalhar e a lapidar jovens. Falamos de Gian Piero Gasperini, um velho caminhante do futebol transalpino, mas que terá feito o seu melhor trabalho de autor na pequeno cidade do Norte do país. Assim, são já três épocas completas que leva ao serviço do clube e sempre com êxito, com apuramentos europeus.

Porém, a verdade é que os primeiros desafios daquela temporada de 2016/17 não pareciam antever esse sucesso. À quarta jornada da Serie A desse ano, a Dea - a alcunha do clube em alusão à Deusa Atalanta que lhe deu o nome - estava no último lugar da tabela... sem pontos e com o forte Nápoles pela frente. Como medida desesperada, o treinador lançou no jogo um conjunto de jovens, deixando de parte os barões do balneário. Venceria o jogo, ganharia uma equipa e daria a conhecer ao mundo nomes como Caldara, Gagliardini ou Kessié, que seriam o símbolo da filosofia futura do emblema.

Estes nomes, simbolizam, praticamente, toda a filosofia preconizada nos anos seguintes. Esta passa pela simbiose de um trabalho de excelência nos escalões de formação com a atenção, levada ao extremo, dos mercados das divisões secundárias do país. Acrescente-se, ainda, a rede de scouting que monitoriza os mercados estrangeiros periféricos, onde o custo dos jogadores é financeiramente mais acessível, mas que permitem, igualmente, a obtenção de mais valias desportivas e financeiras. Deste modo, nomes como Goossens, Hateboer ou Freuler entraram no léxico dos apreciadores do desporto-rei, pela porta do estádio "Atleti Azurri d"Italia", passando a constar da lista de atletas de inegável valia e passíveis de gerar um provento financeiro considerável.

Todavia, o clube não olha só para a vertente desportiva e financeira. Aposta nas ações sociais. Assim, a fidelização do tifosi é um ponto tido como primordial...ainda para mais numa cidade pequena de 120 mil habitantes e próxima de Milão e Turim, dois polos urbanos de tamanho superior e reduto de clubes como a Juventus, Inter ou AC Milan. Deste modo, nada melhor que oferecer um "kit de adepto" a cada bebé que nasça na maternidade da cidade, para incutir o amor ao clube desde o berço.

Os resultados, esses, têm sido de uma excelência, que há quatro anos, se julgava impossível. Mas, verdade se diga, quem trabalha de forma tão esmerada merece que o êxito lhe bata à porta. Deste modo, o clube vai no terceiro apuramento europeu consecutivo, tendo já atingido os oitavos de final da Liga Europa e, como já dissemos, está a preparar a estreia na alta-roda da Champions League com o orçamento mais pequeno de todos os participantes.

No transato ano, após o histórico terceiro lugar, foi finalista vencido da Taça de Itália, frente à Lazio, numa temporada absolutamente inolvidável.

No aspeto económico, os nerazurri de Bergamo apresentam números fora de série. Ipso modo, os últimos três exercícios financeiros apresentaram lucros, com um resultado global de 50 milhões de euros, ao que não será alheio o facto de ser dos clubes de Itália que paga menos a comissões (apenas 5 milhões de euros).

Através desta situação financeira que se tornou desafogada, o clube apostou na reformulação das suas infraestruturas, principalmente, no seu estádio, ainda em obras. Por essa razão, o mesmo tornou-se apetecível, e os seus naming rights foram alienados, em mais um negócio lucrativo para os cofres do clube.

Com tantos exemplos de como gerir um clube dados, quando algum presidente refere que o clube ao qual preside não tem como crescer, ainda dará para acreditar?

Esta rubrica é uma parceria TSF e A Economia do Golo

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